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Auto
Retrato
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Onde procuro espelhos
só vejo janelas. Tudo foge, e os dias vão como cavalos selvagens
descendo a colina. De onde é que sairá esse retrato? Remexo
em antigos papéis, velhos poemas, recortes de jornal - há
uma história, mas o passado se transforma mais que o presente e
o futuro é sempre aquela mesma coisa que vai acontecendo, acontecendo.
O futuro era melhor no passado e, no entanto, hoje é sempre melhor
que ontem. Seja lá como for. Gosto de mulheres.
Em todas as idades, em todos os papéis. Gosto das mães,
das avós, das filhas, das chefes, das colegas, das empregadas,
das atletas, das bailarinas, das professoras, das alunas... Gosto das
que são amigas (e algumas são e continuam sendo mesmo quando
encontram um novo amor). Gosto das que a gente pode chamar de a
minha mulher. Gosto muito da amante, de todas é a
melhor. Esse cara não sabe o que quer, cada hora atira para um lado! . Se há competência ou não são outros quinhentos. E eu quero ainda escrever uns livros e filmes, trabalhar como ator em alguns espetáculos. Quero fazer as músicas para um balé, pra uma peça ou filme. Quero escrever sobre futebol em algum jornal, fazer crônicas, que gosto tanto e quase ninguém mais faz. Quero continuar estudando e aprendendo as coisas. E estou doido para fazer um programa na televisão e outro no rádio, além de ter minha própria casa de show/restaurante.Se deixar por minha conta essa indefinição será permanente. Novos olhos. Mas já realizei algumas coisas. Vi o maracanãzinho lotado cantar todas as músicas de meu show. Fiz um golaço aos 44 do segundo tempo, empatando o jogo em 4 x 4 no Maracanã. Vi um bloco, o Dois
pra lá, dois pra cá , com seus 3 mil integrantes
cantando o meu samba pela avenida, por dois anos consecutivos. Consegui
a primeira grande entrevista do ídolo Roberto Carlos e ganhei um
anel emblemático de Erasmo, o Tremendão - uma das melhores
coisas desse país. E mais não digo, mesmo que me lembre.
Estou no começo ainda. Não gosto de
muita arrumação e nem de bagunça, mas entre o confortável
e o elegante sou mais o conforto. Gosto de comidas típicas, que
experimento quando viajo. Detesto ir aos cartões postais, prefiro
andar pelas ruas íntimas das cidades, sentir os cheiros e compreender
suas lógicas e matizes. Ir aos lugares onde os locais vão
- achar minha turma. Detesto seguir a boiada. Isso é que não,
isso é que nunca. Mas já fiz muito isso, tentando ser pertinente
ou coerente, sei lá. Vai ver era preguiça. |