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Para
começar a falar em Löic preciso tornar atrás
um
tempo e ver o quanto passamos naquele lugar quen
te
e úmido onde ele construía seu iglú
Löic
devia apresentar mais um projeto para a banca
examinadora
( eu também para a minha ) e nós tratá
vamos
de continuar brincando de engenheiros mirins
apesar
da falsa seriedade do caso
As
bancas eram fictícias assim como o cérebro dos
jurados
e o que mais atrapalhava era a seguran
ça
destinada a nos atender
eu
o havia conhecido no meio de uma festa de artis
tas
ou num dos escritórios da banca que nos havia
convidado
a preencher aquele espaço com 1000 dóla
res
de nossas ingenuidades ( casuais )
nos
mantivemos firmes eu com meu piano e Löic com
seu
iglú, ele não era bretão nem desenhava menires
no
ar enquanto assoviava
mas
sabia subir rápido uma escada e havia me ensina
do
a andar de cabeça para baixo e a recortar mol
des
de gelo para o iglú , esse ficava no meio de
uma
planície perto da jamaica talvez , seus vizi
nhos
viviam numa horrenda construção preta quente
e
inabitável
Löic
havia ganho também uma espécie de terreno mura
do
como o meu mas quadrado , não havia lugar para
fazer
fogo por isso usava um grosso pullover
não
tinha nenhum rio e lá longe podia ver-se o lago
O
chão era duro como cimento e uma grande coluna
branca
servia para deixar seu cavalo mas dificulta
va
a escolha do lugar para o porto e a nave naufra
gada
Foi
ele quem me mostrou o que fazer com o meio da
espiral
, foi ele quem fechou o piano e me fazia
dormir
cedo esquecendo a maioria das festas a que
éramos
convidados
vários
sacerdotes e carrascos nos viam juntos o que
gerava
uma certa inveja neles e nos deixava muito
felizes
, parávamos e comíamos nozes ou pedaços de
provolone
Quando
meu terreno já estava plantado resolvi mudar
para
sua terra , no começo fiquei pelos cantos até
que
ele deixou que eu o ajudasse . O porto já tinha
seu
lugar fixo e as bases de uma nave estranha ( mu
ndo
ponte navio ) já estava ao largo do estuário
seco
.
No
meio deste tempo conhecemos uma pequena duende
japonesa
que riscava paredes chamando de aspirado
res
elefantes ou dinossauros àquilo que fazia
gastamos
15 dias na construçãso do iglú
os
vulcões não foram acesos e meus livros foram
roubados
Como
éramos gente do deserto , Löic e eu resolve
mos
subir até a montanha na cidade das casas anti
gas
, mais um quarto comprido e fino , nessa tarde
achamos
um patinho de vidro provavelmente de se
colocar
na frente de uma carro americano .
Agora
estou de volta nesse continente estranho
cada
cidade me mostra sua espécie de crise
desde
aquela com pilares no rio e seu novo gover
no
socialista . Passei também por aquela cidade luz
onde
o rio tem várias pontes e vários palácios che
ios
de guardas bravos que tem medo das bombas que
seus
superiores mandam colocar para espantar seus
súditos
e criar neles um espectro de racismo .
passei
pelas termas de uma civilização romana e
cheguei
até o lugar onde as pessoas põem o dinheiro
em
contas secretas , no meio de bêbados reacioná
rios
, vendedores de cobras de vidro e moedas
estrangeiras,
encontrei uma América do Sul com
vulcões
de lamparinas ( era um sinal , Löic est
va
ali ) e pela segunda vez íamos nos encontrar ,
eu
tinha a missão de dizer a ele que seu caminho
nessa
terra tinha gerado frutos vermelhos e ouro
e
aos depositantes isso lhes aprazia e ele devia
manter-se
de olhos abertos para que algum maluco
não
acabasse vendendo as pontas das unhas que ele
acabasse
de cortar .
Mas
, meu amigo Löic , tu és teu bom dono e sabes
manejar
bem teu caiaque .
e
eu que só sei de meu piccolo pianoforte que te
posso
dizer? acho que deveria sim , dizer aos
mais
habituados que nós somos hippies e que gosta
mos
de garagens , nos custa suor fazer esses peque
nos
mundinhos e nos
dão
o prazer suficiente para aguentar vê-los troca
dos
por dólares ou cruzados de prata ou quem sabe
dizer
que somos cínicos ou ingênuos o bastante
para
manejar os arcos e chamar o falcão que nossos
pais
adestraram e fazem a nosso vigília .
Mas
se sairmos do campo da representação sabemos
que
os habituados também tem o seu ponto certo e
talvez
já tenham cruzado o ar mais que nós
mas
te digo também ( como Lawrence ) que
nós
vamos cruzar esse deserto e chegar a Akaba , lá
começa
a luta , a mais sangrenta .
Será
que mataremos também como loucos ou veremos e
deixaremos
os xerifes executarem os raptores das
belas
sabinas .
volto
para o Löic e lembro do riso que me deu
assim
que desci do trem .
tínhamos
palavras semelhantes para dizer e mais
uma
vez estávamos sobre a mesma ponte ou sob ela
no
mesmo rio , por isso não cumpri a missão de
fazer
dele um bom manager .
Resolvemos
esquecer que estávamos no concurso
e
fomos à praia construir um vulcão de areia .
Löic
era cristão tinha uma família e um aparta
mento
no meio de uma cidade barroca , era especiali
sta
em iglús e pontes metálicas , acho que rezava
todos
os dias e também sabia o nome de alguns san
tos
fizemos
alguns passeios e ele sabia o vocabulário
das
árvores e das lojas de brinquedos
falava
com os tambores as focas e os aviões , me
ensinou
a língua dos aeromodelos e eu o ensinei
a
tocar piano e a gostar de comida árabe
alguns
podiam achar que era um moralista , mas
nem
todos podiam entender que um cara podia gostar
apenas
de fazer seus iglús e deixar que alguns
sonhadores
tratem de comercializar isto ou aquilo que
ele
deixou escapar
o
transatlântico
blue
blue
way
take
me from here
oh
my baby
I'm
sure
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