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Características
das peças
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O texto deste autor se apresenta como comédia, com
a intenção de provocar o riso. Mas é uma comicidade sofrida, com
"travo de drama". Típico nele é, por exemplo, uma situação
da peça Quarta costela,
em que o marido se esconde embaixo da cama e sustenta, na costela
dolorida, a mulher que em cima transa com o amante. Além disso,
as comédias têm sempre uma feição ambígua, um jogo permanente de
ser ou não ser. Em Umbigüidade, um homem declara que seu
umbigo desapareceu e se recusa a mostrar a barriga desumbigada aos
outros; em King Kong em Hong Kong, o marido denuncia que
o amante da mulher está escondido no armário do quarto, e
ela não nega nem confirma isso - ou melhor, nega e confirma todo
o tempo. Em Raça maldita, dois homens se entendem e desentendem
do começo ao fim; e em Viva
Olegário, um homem não
entende a si mesmo, a ponto de assumir a identidade de outro que
lhe parece mais interessante.
Dessas peças, apenas duas tiveram montagens profissionais: Swing
(com Juca de Oliveira, Luiz Gustavo, Kate Hansen, Cléo Ventura e
Iriz Bruzzi, em São Paulo e viajando por quase todas as capitais
do país; e com Jorge Dória, Osmar Prado, Arlete Salles e Iris Bruzzi,
no Rio de Janeiro) e Viva Olegário (com Mauro de Almeida,
entre outros, dirigidos por Afonso Gentil, em São Paulo; com Antônio
Grassi, em Belo Horizonte; e no Teatro Dois da TV Cultura, com Sérgio
Mamberti e direção de Antunes Filho).
Ri-se de tudo isso - mas é sério. |