Características das peças

O texto deste autor se apresenta como comédia, com a intenção de provocar o riso. Mas é uma comicidade sofrida, com "travo de drama". Típico nele é, por exemplo, uma situação da peça Quarta costela, em que o marido se esconde embaixo da cama e sustenta, na costela dolorida, a mulher que em cima transa com o amante. Além disso, as comédias têm sempre uma feição ambígua, um jogo permanente de ser ou não ser. Em Umbigüidade, um homem declara que seu umbigo desapareceu e se recusa a mostrar a barriga desumbigada aos outros; em King Kong em Hong Kong, o marido denuncia que o amante da mulher está escondido no armário do quarto, e ela não nega nem confirma isso - ou melhor, nega e confirma todo o tempo. Em Raça maldita, dois homens se entendem e desentendem do começo ao fim; e em Viva Olegário, um homem não entende a si mesmo, a ponto de assumir a identidade de outro que lhe parece mais interessante.
Dessas peças, apenas duas tiveram montagens profissionais: Swing (com Juca de Oliveira, Luiz Gustavo, Kate Hansen, Cléo Ventura e Iriz Bruzzi, em São Paulo e viajando por quase todas as capitais do país; e com Jorge Dória, Osmar Prado, Arlete Salles e Iris Bruzzi, no Rio de Janeiro) e Viva Olegário (com Mauro de Almeida, entre outros, dirigidos por Afonso Gentil, em São Paulo; com Antônio Grassi, em Belo Horizonte; e no Teatro Dois da TV Cultura, com Sérgio Mamberti e direção de Antunes Filho).
Ri-se de tudo isso - mas é sério.

Leitura pública de Swing no espaço Bastidores, de São Paulo, em maio de 1999. No elenco, Lucélia Machiavelli, Luiz Guilherme e Jairo Mattos, dirigidos por José Carlos Freyria. Veja matéria

Leitura dramatizada de Quarta Costela na sala teatral do Instituto Cultural ArteClara, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Veja matéria

 

 





Segunda leitura dramatizada de Quarta Colstela. Veja matéria