À sombra da notícia de que a Microsoft concordou em dividir com a gravadora Universal Music parte do lucro na venda de seu tocador musical digital portátil Zune, que chega às lojas no próximo dia 14/11, e na prestação de serviços relacionados, especula-se que a atitude da empresa de Bill Gates tenha também outro propósito menos nobre: dificultar a renovação dos acordos de licenciamento entre Apple Computer e gravadoras. Carl Howe diz no Blackfriars' Marketing que, se por um lado a decisão da Microsoft pode soar apenas como um desejo de angariar as graças de uma grande gravadora, por outro é uma tentativa concreta de envenenar a renovação do contrato de licenciamento da Apple com essa gravadora.
"A Microsoft provavelmente não conseguirá ter vendido mais que dois milhões de Zunes daqui a um ano, portanto isso lhe custará pouco. Mas estimo que a Apple terá vendido cerca de 20 milhões de iPods nesta época de 2007, bem como centenas de milhões de músicas. Se a Apple tiver que dar à Universal um dólar da venda de cada iPod shuffle por US$ 79 (e presumivelmente também à Sony, Warner e EMI), bem, é uma boa maneira de fazer com que a Apple pague pela entrada da Microsoft nesse mercado", analisa Howe.
Em sua opinião, fazer acordos para atacar a concorrência ao invés de investir tempo e energia para comercializar positivamente um produto é uma tática bem típica da Microsoft. "O problema: a Apple já paga à Universal milhões de dólares em licenciamento para a música que vende, portanto tem uma imensa vantagem perante as gravadoras que a Microsoft simplesmente não tem... Não digo nada sobre a Apple negociar alguma divisão de lucro relativa à venda de aparelhos/músicas, mas digamos que Steve Jobs [CEO da Apple] saiba que investiu muito mais em música digital que a Universal e espera obter a maior parte do lucro por ter desbravado esse mercado."
"Já dissemos isso antes e diremos novamente: o Zune é só a última tentativa da Microsoft em comprar sua passagem para o mercado da música sem fazer o trabalho duro de criar um nicho único e defensível. Mas até que perceba que bom marketing é tão importante quanto a tecnologia e os acordos por trás do produto a Microsoft não será bem sucedida", opina Howe.  |