LANÇADO ontem (9/1) pela Apple Inc. (ex-Apple Computer), o novo iPhone, com sua tela sensível a múltiplos toques, capaz de reproduzir mídias como música e filmes, navegar na Internet como se fosse um desktop e enviar/receber e-mails em HTML e voicemails de forma totalmente diferente de qualquer outro celular, não pode ser enquadrado na mesma categoria dos celulares e smartphones já existentes, na opinião de um analista. Escrevendo para a agência The Associated Press, Rachel Konrad opina que ainda precisaremos ver se o preço de US$ 500 do aparelho, assim como o de US$ 299 do Apple TV, lançado também ontem junto com o iPhone, permitirá que a empresa prossiga sendo a queridinha de Wall Street e sustentando o domínio desfrutado pelo iPod, o icônico tocador de música digital da Apple.
"Alguns veteranos da indústria peguntam-se se o aparelho -- apesar de sua indiscutível elegância e tela widescreen -- tem preço competitivo", diz Konrad, repetindo o mesmo tipo de questionamento surgido por ocasião do lançamento do iPod, há seis anos.
Konrad cita James L. McQuivey, professor de tecnologia de comunicação da Universidade de Boston, que disse: "Os prospectos para o novo aparelho são positivos, mas não é consenso que a Apple possa vencer a ampla gama de provedores de serviços sem fio, fabricantes de celular e a Microsoft, todas igualmente motivadas a erguer sua bandeira no mesmo território".
Segundo Konrad, Tim Bajarin, analista-chefe da Creative Strategies, disse que o iPhone parece posicionado para revolucionar o modo como celulares são concebidos e vendidos. "[O iPhone] vai além da categoria de smartphone e deveria ser-lhe dada sua própria categoria, chamada 'telefones brilhantes'", opina.
Bajarin também acha que os celulares estão a caminho de tornar-se a principal plataforma para reprodução de música digital e a Apple precisava dar esse passo para ajudar a defender o iPod e ampliar seu alcance para além do ambiente dedicado da música.
"As expectativas iniciais para o iPhone são relativamente modestas. A empresa espera vender cerca de 10 milhões de unidades em 2008, ou cerca de 1% do mercado. Cerca de 957 milhões de celulares foram vendidos em 2006", relata Konrad. "Mas espera-se que o aparelho produza seu próprio 'efeito halo', intimidando a concorrência e polindo a reputação da Apple de produzir a elegância e a facilidade de uso pelas quais os tecnófilos procuram. Pode até impulsionar as vendas dos computadores Macintosh".  |