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MARGARETH MENEZES
Toda menina baiana tem um jeito próprio de gingar e se mover na vida. Margareth Menezes encontrou o seu muito cedo, quando ainda morava no bairro da Boa Viagem, na parte baixa de Salvador, na Bahia.
Quando criança, já encantava com sua voz forte de contralto. Adolescente, participava de peças de teatro, nos palcos da cidade,
encenando o Inspetor Geral, de Nicolai Gogol, entre outras. Versátil, fez parte do núcleo que fundou um circo o Troca de Segredos em
Geral. Com tanto jeito, essa menina baiana só poderia mesmo virar "Deusa". A
reverência foi feita pelo jornal francês Le Monde, durante uma das sete
turnês que realizou na Europa e EUA. Dona de uma trajetória singular na MPB, Margareth saiu da Bahia, pela primeira vez, em 1989, levada pelas
mãos do líder da banda Talking Heads, David Byrne.
Afinadíssimo, Byrne percebeu de imediato estar diante de uma artista capaz de mesclar a simplicidade autêntica de uma menina da Bahia à presença artística poderosa de uma "deusa" afro-pop.
Depois da turnê que teve um total de 50 shows, Margareth iniciou excursões individuais, participando também de festivais internacionais planeta
afora, a exemplo do Tempo Drum, em Berlim, do Womad, na Bélgica, e do Viva Brasil, na Inglaterra. O Primeiro disco internacional,
Ellegibô, pela
gravadora Polidor, vendeu mais de 10 mil cópias nos EUA, permanecendo 11 semanas na lista de sucessos da
revista Billboard, na categoria world music. No Brasil, o trabalho de estréia de Margareth, que levava apenas seu nome como título, foi lançado em 1988,
com o hit instantâneo Alegria da Cidade.
Dois anos depois, ela lançaria Um Canto Pra Subir (1990), trilhando um caminho todo próprio, tanto na interpretação quanto na escolha do repertório, sempre privilegiando bons compositores da terra, como Lazzo (Me Abraça, Me Beija). Sem compromissos com um estilo único, Margareth flertou com o tecnopop em Kindala (1991),
emprestando sua voz aos arranjos do saxofonista Leo Gandelman, e buscou sonoridades mais estilizadas em
Luz Dourada (1993). Este foi seu último trabalho na Polygram, de onde saiu para
a Warner/Continental. Na nova gravadora ela lançou Gente de Festa (1995), com participações de Caetano Veloso, na música Vestido de Prata, e de Maria
Bethânia em Libertar.
Em paralelo à carreira no Brasil, Margareth tem obtido boa vendagem de seus trabalhos também no exterior. Luz Dourada vendeu mais de duas mil cópias em apenas dois meses de
lançamento na
Suíça, e Kindala já ultrapassou as dez mil cópias na França. A boa receptividade não se restringe
à vendagem. Elegibô é considerado um dos cinco melhores discos do
Planeta, na categoria world music, segundo a revista Rolling Stone. Na Itália, numa prova de popularidade que dispensa comentários, a cantora foi convidada especial do programa Tombola, um dos mais famosos da Rádio
Televisione Della
Svizerra, com transmissão ao vivo para toda Itália e Suíça.
Com o Jeitinho de menina baiana que Deus lhe deu, Margareth ainda encontra tempo para participar do Carnaval da Bahia. Inicialmente, puxando o bloco Simpatia Quase Amor, do Hotel Meridien. Depois em trios independentes, cantando para o povão. Em Salvador, ela também recebeu
prêmios e elogios generosos. Um dos primeiros veio do compositor e poeta Wally Salomão, que a reverenciou como "Majestade", saudando sua chegada ao mercado fonográfico. Em 1985, ela ganhou o
troféu Caymmi, como melhor intérprete, com o show Banho de Luz. Dois anos depois voltou a receber o mesmo
prêmio. Desta vez, por Beijo de Flor. Em 1988, já com projeção nacional, recebeu o Troféu
Imprensa, também como intérprete.
No teatro, onde começou em 1980, Margareth teve uma trajetória igualmente pontuada pelo sucesso. Participou de alguns dos principais grupos alternativos da cidade como o Amora Lá em Casa, e encenou peças que ficaram na história do teatro baiano, como o "clássico" Colagens e Bobagens. Com vocação pioneira inata, foi a primeira artista brasileira a ter uma entrevista transmitida pela MTV mundial e uma das primeiras cantoras baianas a se aproximar ao cinema. Participou das trilhas sonoras dos filmes Orquídea
Selvagem, de Zalman King e Pure Juice, que incluiu a música Negro Menino.
Acostumada aos desafios, Margareth voltou ao teatro para interpretar a personagem título da ópera negra
Lídia de Oxum, de Ildásio
Tavares e Lindembergue Cardoso, apresentando-se para mais de vinte mil pessoas em um palco armado no Parque do Abaeté, em Itapuã.
Adicionando mais uma faceta ao seu talento, ela criou a MM Produções e assumiu o espaço, promovendo shows com artistas baianos. O trabalho teve continuidade com o Projeto Bahia com Hagá, na área externa do Bahia Othon Palace, em Ondina, onde aconteceram encontros artísticos memoráveis. Menina baiana, mulher bonita e artista completa, Margareth Menezes continua a mesma "deusa" que encantou os
franceses, capaz de produzir magias e fazer milagres com a voz.
Atualmente encontra-se em fase de pré-produção do seu novo disco, que dará novos rumos
à sua carreira.
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