TRIO ELÉTRICO/ANO 99 

Margareth do Futuro

A bordo de um trio futurista, que exibia quatro modelos esculturais, Margareth Menezes fez, em 1998, uma apresentação avassaladora durante o Carnaval. Pontuada de duetos com Cássia Eller, sua performance resultou em um gigantesco arrastão da alegria no circuito Barra-Ondina. Em 1999 ela deu continuidade ao seu projeto afro-futurista e voltou com seu trio, Estrela do mar, mais moderno, entrelaçado com placas de metal e com um elevador central que fez muito mais rebuliço.

Margareth esteve devidamente acompanhada de convidados de peso, como Hermeto Pascoal (que pela primeira vez tocou na festa baiana), Elza Soares, Leila Pinheiro e Edson Cordeiro. Os quatro modelos também voltaram a participar da folia, desta vez com os corpos revestidos de dourado e usaram apenas tapa sexo como figurino. Além do circuito Barra- Ondina, Margareth levou seu trio independente para o trajeto oficial da festa, Campo Grande-Praça da Sé.

Com um arrojado projeto, a cantora resgatou a alegoria do carnaval. Para isso , ela comandou um evento de abertura da folia, na Quinta-feira (dia 11/02), que comemorou os 450 anos de Salvador. Foram convidados cerca de 1,5 mil pessoas, entre formadores de opinião, artistas - que receberam fantasias de pierrô, colombina, índio, baiana e outras - e representantes de blocos afros, grupos folclóricos e de teatro. " A intenção foi realmente trazer de volta a alegoria na evolução do bloco, que não existe mais no nosso carnaval, e fizemos uma grande festa", explica. Naquele dia um carro de apoio foi transformado em camarote, com garçons servindo os convidados vips.

Nos desfiles do Domingo (Campo Grande), Segunda e Terça (Barra-Ondina), Margareth voltou a fazer a festa da pipoca, em um trio totalmente democrático. Mais uma vez, ele promoveu um dos arrastões mais alegres da festa baiana. Especialmente na Barra, o público esperava ansioso a passagem da diva afro-pop. E não foi à toa também que, em meio a todo visual prata e dourado, Margareth esteve cantando um reggae inédito: Juntos outra Vez, de sua autoria, uma das faixas do seu cd autoral. Margareth ensaiou com a banda 70 músicas no trio elétrico e soltou o vozeirão poderoso em sucessos de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Luiz Melodia, Chico Buarque e Carlinhos Brown, entre tantas feras que reuniu no repertório. Não faltaram também homenagens aos afros Ilê Aiyê, Olodum, Muzenza, Ara Ketu e Malê. Mas os trunfos ela não revelou. Em 98, o público que aprendeu a amar o jeito simples da cantora divinar canções, ficou estupefato quando ela irrompeu na avenida cantando Sina, de Djavan, em ritmo de reggae, e Domingo no Parque, de Gilberto Gil. Por isso mantém segredos de suas versões para algumas pérolas da MPB.

Além de músicas inéditas, o repertório do carnaval reuniu velhos hits da cantora, entre eles Elegibô, Faraó, Alegria da Cidade, Negrume da Noite, Vou Mandar e Me abraça, Me Beija. A promoter carioca Liégge Monteiro, responsável pela condução da carreira de vários artistas e pela execução de grandes festas no eixo Rio-São Paulo, pilotou a divulgação do projeto e convocou os convidados vips da cantora fora da Bahia. Isso sem falar no trabalho local da promoter Lícia Fábio, que vem assinando os maiores eventos realizados nos últimos anos em nosso estado.