Diante de um silêncio
de mais de dois anos, que se seguiu à publicação
de seu primeiro livro de poemas Trajetória de Antes,
poder-se-ia indagar se Mariana Ianelli teria posto de lado
a poesia. Puro engano. Com este novo livro ela se mostra cada
vez mais envolvida por um instigante e provocativo 'fazer
poético'.
Duas Chagas - um nome estranho para
uma obra de autora jovem, que não pode ter vivido,
na vida real, as angústias que os poemas contêm
- é um livro complexo, que revela um mundo intelectual
agitado e revolto e provoca em mim a busca de um significado
oculto.
Confesso minha perplexidade inicial, que se
foi transformando
em curiosidade: é normal que jovens ensaiem poesia
que reflita sentimentos amorosos ou de inquietude, mas o que
Mariana Ianelli faz vai muito além disso. É
um questionamento dos homens e do mundo, que seria compreensível
se vindo de alguém mais velho, com muito sofrimento
e desilusões. Ora, este não é, evidentemente,
o caso e daí a surpresa, que, provavelmente, não
será só minha.
Seu novo livro, entretanto, é obviamente
fruto de talento e sensibilidade, que faz com que muito se
possa esperar da
trajetória poética e literária de Mariana
Ianelli.
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