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Duas Chagas


Os que não sabem
matam e suprem com mesmo destino.
Filhos da mentira, amamos porque não.
Alegóricos.
Os olhos e os dedos apressam alguma conciliação
que afaga nossa parte inválida.
Por todo esse tempo formamos o alvo certo
e nos arremessamos em riste,
humanamente, perdidamente.
Histórias justificadas, rompidas, libertas
valem nada se uma palavra esvanecida nos serve.
Decadentes.
Rimos da nossa igual finitude, nos vexamos.
Adoráveis e decadentes.
Nossos poemas possíveis estontearam
na saúde da boca, na cabeça madura.
Pobres autores de nós, que sabemos.