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Ciranda dos três


O outro
me transporta
para a terra nova
para as plantações insondadas
na direção da luz.
O outro
me leva a tomar sol
a pisar na noite
e a dizer eu amo.
O outro
está em mim,
ele me traz pela mão
e de frente para a esfriagem
ele fracassa o inverno
pra causar o sol de volta.
Somos a quinta estação,
a do esperdício,
quase a da perfeição:
o outro e eu
dois retratos remotos,
amarelos e passados
como o outono,
o outro e eu
nublados e grisalhos
como os cabelos nevando;
o verão são nossos olhos
infantis e quentes,
posto que desalmados;
a primavera,
em cores nítidas e primárias,
cobre o tempo e os cartões postais,
mais nada.
(O outro é tu mesmo)
Ela
é a adolescência
que falta em mim
e que no outro
está por completar-se.
Ela
realiza a ciranda
e fecha o círculo,
é a terceira de nós
e a mais importante
pois traz consigo
o sorriso e a fé.
Ela
te dá num instante
meditação
num outro
a beleza superficial da mulher.
Eu, por minha vez,
só recebo a beleza
que me acalma e me conduz.
Ela é o nosso facho,
uma lucidez moça e isolada
que de todo nos convenceu,
e nem sequer nos tocou o braço
ou nos tocou a essência,
esta que nunca tivemos talvez.
Somos, os três,
um amor natural
quieto e circular
- a paz satisfeita em si.