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Mau Mau lança o álbum Music is My Life
por Camilo Rocha
Eu o conheci quando ainda era só o DJ Maurício (nascido Maurício Bischain), lá no Nation Disco Club em 1988. Em 1990, publiquei uma das primeiras matérias de sua carreira, um pequeno perfil na revista Bizz, na seção de dance music. Ele já era uma grande promessa. Em 1992, fui vê-lo tocar no Sra. Krawitz e lembro que seu set foi uma revelação musical e sensorial como poucas vezes tinha tido até então.
Em 1993, eu fazia com Renato Lopes o Nova Dance, pioneiro programa de rádio de música eletrônica. Quando o Renato não podia fazer, vinha o Mau. Daí, eu fui morar em Londres e ele entrou no meu lugar.
Em 1994, quando estava em Londres, Mau me liga. Estava de passagem pela cidade. Eu o levei ao Final Frontier, clube semanal de tecno, com 2 mil cabeças e line-ups de sonho (Jeff Mills, Dave Angel, CJ Bolland, Laurent Garnier etc.). A energia e intensidade do lugar e o fato de ser voltado para um único estilo deram a inspiração que Mau precisava para fazer o Hell’s Club. Foi uma viagem que mudou sua vida.
A partir do Hell’s ele virou O Mau Mau, o mito da cena, o guru do som, um DJ que emociona e enlouquece as pessoas com seu repertório, técnica e carisma. Inúmeros DJs foram influenciados por Mau Mau no Hell’s e, até hoje, ele pertence a um seleto grupo de DJs nacionais que é unanimidade em todos os setores. Mesmo quem não gosta muito da música (por algum motivo qualquer) não nega que o menino da Freguesia do Ó é MUITO BOM!!!
De lá para cá, ele tocou no Brasil de ponta a ponta e em todos os eventos que importam. Muitos sets ficaram lendários, como o que fechou o Skol Beats em 2002. Tocou muito lá fora também: Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos, Portugal, França, Inglaterra, Bélgica, Turquia e Alemanha. Em Londres, já entrou para a história seu set no The End há alguns meses, quando o dono/residente Mr. C não o deixou sair do som no fim do set e pediu que tocasse mais.
E agora ele chega com o álbum mais esperado da história da música eletrônica brasileira. Já produzindo há alguns anos (com o M4J lançou o primeiro álbum eletrônico nacional, “Brazilian Electronic Experience”), Mau traz um conjunto maduro, diverso, criativo, cheio de pique e com mais balanço que ônibus em rua esburacada. Entre as colaborações, além de Franco Jr. (seu parceiro no M4J), há vocais de Laura Finocchiaro e Edson Cordeiro.
O álbum oferece um panorama da enorme bagagem acumulada pelo DJ ao longo de seus 16 anos de carreira. Aqui cabem tanto tech house, house, acid house, referências a Detroit, tecno funkeado e breakbeat como hip hop, electro clássico, funk e pop dos anos 80. Momentos relevantes da sua carreira são lembrados como em “MS 1985”, tributo a seu mentor, o falecido DJ Marquinhos MS, e a auto-explicativa “Hell’s Club”. “Test III” (com vocal processado do próprio Mau) faz alusão ao grupo de rock industrial Test Department, hit dos tempos de Madame Satã, casa onde Mau Mau estreou nas pick-ups.
A conclusão disso tudo está bem expressa no título, que serve como síntese de quem é Mau Mau: “Music Is My Life”.
Camilo Rocha
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