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ARTIGO: COMO ACABAR COM O BAIXO ASTRAL NA MENOPAUSA
As flutuações na produção de hormônios, principal característica da perimenopausa têm tudo a ver com as alterações emocionais que as mulheres experimentam nessa fase, e que interferem na libido e de lhes trazer problemas cognitivos, de memória, etc. Não que os hormônios sejam responsáveis pelo quadro de ansiedade e depressão, diretamente. O que se supõe, com base nos estudos conhecidos, é que algumas mulheres têm sua "química" cerebral mais suscetível às oscilações da produção de estrogênios e progesterona, que são inevitáveis ao longo de sua vida reprodutiva e mais ainda na época da menopausa. É nessa hora que ginecologistas e psiquiatras devem trabalhar juntos para melhorar a qualidade de vida da mulher, com a ajuda de terapias hormonais e não hormonais, dependendo do caso.
Quando há predomínio de sintomas físicos, como os calores e suores, e nenhuma contra-indicação fisiológica, a terapia de reposição hormonal pode ser suficiente para melhorar a vida das mulheres, sem dúvida. A depressão moderada ou grave, porém, exigem algum tipo de psicoterapia associada ou não a antidepressivos, dependendo do quadro. Não sou o tipo de psiquiatra que vai receitando antidepressivo para as mulheres em idade de menopausa, indiscriminadamente. A TRH associada ao trabalho psicodinâmico pode aliviar os sintomas emocionais que tem origem, por exemplo, em problemas de solidão como a síndrome do ninho vazio, quando a mulher se sente perdendo os filhos, que já adultos saem de casa para fazer sua própria vida. A mudança de hábitos de vida, com a introdução de atividade física e técnicas de relaxamento no dia-a-dia, além da incorporação de algum interesse intelectual, como a prática de leituras ou algum curso, também pode aliviar o estresse emocional da aproximação da menopausa e procuro enfatizar esse aspecto antes de examinar a real necessidade de medicação.
Não faltam medicamentos para resolver estados depressivos persistentes, de qualquer maneira, entre eles os tradicionais antidepressivos que aumentam a disponibilidade de serotonina no cérebro, como a fluoxetina e a sertralina até substâncias desenvolvidas recentemente como o bupropion, capazes de melhorar a depressão leve acompanhada de baixa de libido. Desde que a origem do sintomas não sejam a disfunção sexual de seus maridos, claro. Na dúvida sobre qual o melhor caminho para encontrar o bem estar na transição para a menopausa, escreva-nos. Teremos prazer em ajudá-la - menospausa@uol.com.br
(*Joel Rennó é médico-psiquiatra, coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, e colunista do site Menospausa)

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