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ORGASMO É OPÇÃO EFICAZ CONTRA A INCONTINÊNCIA URINÁRIA

Os ginecologistas já sabiam que o orgasmo frequente ajuda a manter a elasticidade do canal vaginal e melhora a saúde genital das mulheres em idade de menopausa. O estudo do HSPM, conduzido por uma equipe multiplicinar do setor de uroginecologia, revela agora que tal prática sexual pode resolver o problema da incontinência urinária de esforço e até evitar cirurgias de correção, quando associada à mudanças de hábitos fisiológicos e de postura.

A fisioterapeuta Adriana Gimenez e o ginecologista João Baptista dos Santos Júnior, dois representantes dessa equipe, explicam por que o orgasmo: "Nós tínhamos de achar um exercício leve, de estimulação da musculatura pélvica, para ajudar a recuperação de mulheres recém-operadas na região pélvica. E a masturbação acompanhada de orgasmo era uma atividade que elas poderiam fazer dentro dessa exigência", diz a fisioterapeuta Adriana Gimenez. "Os espasmos que o orgasmo produz a partir da região genital difundem-se em contrações por todo o assoalho pélvico, aumentando a irrigação sanguínea dessa musculatura", esclarece Gimenez. O exercício também leva à liberação de beta-endorfinas, que impedem a atrofia do assoalho pélvico, acrescenta a fisioterapeuta. O fortalecimento da musculatura pélvica é essencial para manter os órgãos internos femininos, inclusive a bexiga, em seus devidos lugares e impedir a incontinência urinária.

A equipe multiplicinar do HSPM resolveu testar o novo método de manipulação genital, como definiu o recurso à masturbação, na tentativa de melhorar a recuperação das pacientes submetidas à cirurgias para amarração do assoalho pélvico. O procedimento era muito comum no serviço mas apresentava alto índice de falha na época -- início de 2003. "As mulheres eram operadas, levantavam a musculatura e com o tempo ela voltava a ceder, por falta de exercícios", diz Gimenez. Com isso, um terço das operadas acabava voltando ao hospital para refazer a cirurgia.

Antes do estudo, a equipe do serviço de uroginecologia recorria ao método de Kegel para tentar recuperar a musculatura pélvica dessas pacientes. O método de exercícios de Kegel envolve a contração da musculatura do assoalho pélvico por alguns minutos, várias vezes ao dia, em posições diferentes (sentada, deitada e de pé). "As mulheres começavam bem a prática mas não lembravam de repetir os exercícios em casa. Não incorporavam o hábito", diz Gimenez. Daí a volta da incontinência.

O HSPM atende 3000 mulheres por ano com queixa de incontinência urinária de esforço. Elas tossem, e o xixi vaza. Por causa do distúrbio a maioria não vive sem usar absorventes. "Resolvemos tentar que essas mulheres desenvolvessem a conscientização corporal sobre a importância dessa musculatura pélvica, por meio da prática de manipulação genital, ou seja, da masturbação seguida de orgasmo. E o resultado revelou-se extremamente eficaz, uma vez que o exercício da masturbação seguida de orgasmo é prazerosa, o que estimula nas mulheres a vontade de repetir com mais frequência a prática.

A equipe de profissioais do serviço de uroginecologia selecionou 315 mulheres para participar do estudo, que durou seis meses, de fevereiro a agosto de 2003. Do total, 17 estavam em fase de recuperação da cirurgia do assoalho pélvico, e as restantes, em avaliação preparatória para a operação. Elas participaram de algumas reuniões com a equipe, ouviram palestras sobre a importância da manipulação genital, seus efeitos na musculatura e como atingir o orgasmo vaginal ou clitoriano a partir da masturbação.

A dificuldade inicial que o tema suscitava, especialmente entre as mulheres que não tinham o hábito de tocar-se, foi superada com essas reuniões e palestras preparatórias, segundo Adriana Gimenez. Além de participar das reuniões, as pacientes foram orientadas pela equipe ténica quanto aos hábitos fisiológicos adequados ao controle da incontinência e a dieta adequada para manter o peso e garantir o bom funcionamento dos intestinos.

No final deste período, um terço das mulheres que tinham indicação para cirurgia estavam recuperadas da incontinência e foram dispensadas do procedimento. As pacientes do pós-operatório foram curadas. Confira a seguir as principais recomendações do serviço de uroginecologia do HSPM para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico:

  • Fazer xixi de três em três horas para evitar que a bexiga pese sobre a musculatura pélvica;
  • Preferir a postura semi-agachada ao usar o toilete em vez de sentar-se no vaso ajuda a fortalecer essa musculatura;
  • Evitar o uso de absorventes para perceber eventuais vazamentos e redobrar o controle da frequência das micções;
  • Enriquecer a dieta com fibras, de vegetais e grãos integrais, para evitar a formação de fezes duras, é providencial para diminuir o peso do intestino sobre o assoalho pélvico e evitar a distensão dessa musculatura.
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