TRH - TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
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O RESULTADO DO ESTUDO DO WOMNEN'S HEALTH INICIATIVE (WHI)

A interrupção do estudo norte-americano do Women's Health Initiative (WHI), sobre os riscos e benefícios da Terapia de Reposição Hormonal na menopausa, anunciada no início de julho passado, deixou muita gente desorientada. Afinal, a TRH, como é chamado o tratamento com reposição de hormônios, é muitas vezes o único recurso eficaz para quem experimenta os sintomas da menopausa de modo particularmente intenso.

Os resultados da pesquisa, feita com pouco mais de 16 mil americanas e interrompido depois de 5,2 anos, são definitivos para quem tem mais de 60 anos e faz reposição com a mesma combinação de hormônios utilizados no estudo - os estrogênios conjugados equinos de 0,625 mg, combinados com acetato de medroxyprogesterona em doses de 2,5 mg(*).Os estrogênios conjugados equinos como diz o nome são extraídos da urina de éguas, quando estas estão prenhes, e se compõe de vários tipos.

A associação com a medroxiprogesterona de 2,5 mg como a que foi utilizada no estudo do WHI, considerada alta, expõe de fato as mulheres mais velhas (com mais tempo de menopausa) a riscos de desenvolver câncer de mama invasivo e complicações cardiovasculares quando o uso da terapia de reposição é prolongado (além de cinco anos). A média de idade das mulheres pesquisadas no WHI era de 63,5 anos. Além disso, uma porcentagem significativa das participantes apresentava outros fatores de risco para a TRH nessa dosagem. Cerca de um terço era de obesas (com índice de massa corpórea superior a 30); mais de um terço tinha histórico de hipertensão e metade se compunha de mulheres fumantes ou ex-fumantes. (veja o quadro)O teor alto de progesterona produz alterações no equilíbrio do colesterol no organismo feminino, elevando o componente LDL ou colesterol ruim no sangue, com o tempo de uso, daí os efeitos como tromboembolismo, derrame e infarto que foram observados no estudo.

Na Europa e também no Brasil os médicos receitam essas doses elevadas de hormônios apenas para as mulheres que estão entrando na menopausa, ou seja, que estão vivendo o início do processo, quando os sintomas como os calores e suores noturnos e a insônia e sensação de fadiga são muito intensos, típicos da queda na produção do estrogênio estradiol, o principal estrogênio da fase reprodutiva. Os Estados Unidos, porém, seguem até hoje a filosofia de alta dosagem hormonal que baseou a origem da reposição combinada de estrogênios com progesterona, por volta da década de 80. A tendência de usar dosagens menores vem se afirmando na Europa e também no Brasil desde o início da década de 90, período em que também as formulações hormonais evoluíram muito. É dessa década a produção de hormônios conhecidos como 17 beta estradiol, cuja molécula sintética imita exatamente o estradiol que é produzido pelos ovários femininos.

A combinação entre esses medicamentos e doses menores de outros tipos de progesterona, com potência muitas vezes inferior ao do hormônio usado na pesquisa americana, tornaram a TRH mais segura nos últimos anos. De qualquer forma, as conclusões do estudo americano servem de alerta sem dúvida para o tempo de uso da TRH, uma discussão que já vinha sendo feita pelos médicos e suas pacientes. Vários deles estão tendendo hoje a considerar o tempo de cinco anos - o mesmo que durou a pesquisa do WHI - como parâmetro para a utilização da reposição hormonal. Mesmo porque existem outros tipos de medicamentos que podem substituir a reposição depois disso e manter a Qualidade de vida e a saúde das mulheres mais velhas, sem sujeitá-las a riscos. São novas drogas contra osteoporose e substâncias que controlam o colesterol e o desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Afinal de contas, hormônios não são vitaminas para serem usados indefinidamente.

(Veja no glossário de hormônios os tipos de formulações comercializadas no Brasil e suas dosagens)

Perfil de risco das mulheres do estudo WHI
ESTROGENIO+PROGESTERONA
(N=8506)
PLACEBO
(N=8102)
Idade média das mulheres que participaram do estudo
63.2
63.3
Faixas etárias das mulheres que participaram do estudo
Total e porcentagem
50-59
2839 (33.4)
2683 (33.1)
60-69
3853 (45.3)
3657 (45.1)
70-79
1814 (21.3)
1762 (21.7)
Índice de Massa Corpórea -- Kg/M2
INFERIOR A 25
2579 (30.4)
2479 (30.8)
ENTRE 25-29
2992 (35.3)
2834 (35.2)
SUPERIOR A 30
2899 (34.2)
2737 (34.0)
Em tratamento para hipertensão
3039 (35.7)
2949 (36.4)
Mulheres com nível de colesterol que exigia medicação
944 (12.5)
962 (12.9)
Mulheres com história de câncer de seio na família
1286 (16.0)
1175 (15.3)
Mulheres fumantes
880 (10,5%)
838 (10.5%)
Ex-fumantes
3362 (39,9%)
3157 (39,5%)
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