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TRH E DOENÇA DE ALZHEIMER
As mulheres de mais de 65 anos submetidas ao regime de reposição estudada pelo WHI correm duas vezes mais risco de desenvolver doença de Alzheimer ou outro tipo de demência do que as não usuárias da terapia pesquisada. A revelação, feita em maio último, é resultado do Women's Health Initiative Memory Study (WHIMS), um estudo coordenado pela médica Sally Shumaker, da Universidade Wake Forest, dos Estados Unidos. Ela usou os dados do WHI para avaliar os possíveis benefícios da TRH combinada na prevenção ou adiamento do mal de Alzheimer em um total de 4.500 mulheres de mais de 65 anos, as quais não apresentavam sinal de demência.
Os resultados desse estudo foram divulgados antes do tempo previsto, por causa da interrupção da pesquisa do WHI sobre os efeitos da mesma combinação de estrogênio combinado com a medroxyprogesterona em mulheres após a menopausa. Os eventuais benefícios da reposição hormonal só com estrogênio na prevenção de demência em mulheres de mais de 65 anos continua sendo estudada pelo WHIMS em 3000 mulheres, assim como a pesquisa do WHI com o mesmo hormônio, isoladamente, também continua. Ambas devem terminar em 2005.
Durante os cinco anos e meio que durou o estudo do regime combinado 21 mulheres do grupo de 2303 que tomava placebo desenvolveram algum tipo de demência, o que corresponde ao risco de 22 casos de demência para 10 mil mulheres, por ano. Entre as 2229 mulheres que tomaram a combinação de hormônios, 40 apresentaram sinais de demência, o que corresponde a 45 casos por 10 mil mulheres, por ano, considerado o universo total pesquisado pelo WHI.
O aumento do risco de demência entre as mulheres que fizeram uso do regime combinado apareceu já no primeiro ano do estudo. Os resultados finais do WHIMS contrariam pesquisas observacionais feitas até então dando conta dos benefícios da reposição hormonal na manutenção das funções cognitivas em mulheres mais velhas. Mas os estudos observacionais incluem variáveis menos sujeitas a controle, diferente do estudo do WHI - cuja amostra foi desenhada com grupo placebo para comparação, entre outros padrões de rigor estabeleidos pela pesquisa científica (sorteio dos participantes para compor os grupos e procedimento duplo-cego, em que nem o paciente nem o médico sabe quem está tomando hormônio e quem é o grupo do placebo). Além dessa diferença, antes do WHI os pesquisadores pouco se detinham sobre a diferença entre os efeitos de regimes de reposição combinados, que associam estrogênio com progesterona para mulheres que tem útero, e a terapia só de estrogênio, que se destina a mulheres histerectomizadas. Os resultados que levaram a interrupção de parte da pesquisa do Women's Health Initiative, como já se sabe, sairam do grupo que tomou o regime combinado de estrogênio com progesterona em doses elevadas. Outro grupo de mulheres selecionado para tomar apenas estrogênio isolado ou placebo continua sendo pesquisado. Os pesquisadores atribuem o aumento do risco para Alzheimer, no grupo submetido ao regime combinado, à possibilidade de formação de coágulos nos vasos que irrigam o cérebro e de microderrames capazes de danificar as células nervosas.
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