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| ENTREVISTA
COM O DIRETOR CIENTÍFICO DA SOBRAC SOBRE TRH
- DR. CÉSAR
FERNANDES |
![]() FERNANDES: Não. O estudo foi feito com um único regime terapêutico, de estrogênios conjugados equinos na dose de 0,625 mg combinado com 2,5 mg de acetato de medroxy progesterona consumidos por via oral, em associação diária e contínua. Seus resultados valem apenas para essa dose estudada e essa via de administração bem como para a faixa etária das mulheres que dele participaram e com seu perfil de risco. Cerca de 66,6% dessas mulheres tinham mais de 60 anos de idade. Eram mulheres com dez anos ou mais menopausa. Quase 80% faziam a reposição hormonal pela primeira vez. Grande parte apresentava fator de risco para as complicações que foram encontradas: 35% das mulheres em tratamento não eram saudáveis mas sofriam de hipertensão, 34% apresentavam índice de massa corpórea acima de 30, ou seja, eram obesas e 55% eram fumantes ou ex-fumantes. Por tudo isso não se pode extrapolar os resultados da pesquisa para outros regimes terapêuticos, nem para outras vias de administração como a dos adesivos transdérmicos nem para quem utiliza apenas os estrogênios isolados ou muda o esquema de TRH ao longo do tempo de uso.
FERNANDES: Dezenas de estudos feitos no passado haviam demonstrado os benefícios da TRH para o coração, especialmente quando iniciada mais perto da menopausa, pois a doença que leva a obstrução das artérias coronarianas, a ateroesclerose, se desenvolve lentamente a partir dessa fase, em consequência da queda de estrogênios. Esses hormônios reduzem os níveis de colesterol ruim, o LDL, e aumentam o de HDL, que é o tipo bom, além de ter ação vasodilatadora. Com essas propriedades, a terapia de reposição traria benefícios para o coração desde que iniciada logo após a menopausa. Mas não existe nenhum trabalho com grande número de mulheres como o que foi feito pelo WHI, que comprove as evidências estudadas.
FERNANDES: Esta questão precisa ser individualizada. Ele varia de paciente para paciente. Para uma mulher com elevado risco de câncer de mama, por exemplo, mas com sintomas importantes que justificam a TRH, recomendaria o tratamento por curto período de tempo, o suficiente para ultrapassar o momento mais crítico da experiência de sintomas, que são os dois primeiros anos após a última menstruação. Uma vez superada essa etapa, aconselharia a ela abandonar a TRH e procurar outras alternativas que contemplassem a prevenção de riscos específicos. Por exemplo, se ela tem risco de desenvolver osteoporose, poderia fazer uso dos moduladores seletivos de estrogênio, os SERMs, que além de manter a massa óssea não oferecem risco para os seios. A uma paciente que iniciou a TRH no momento adequado e não apresenta nenhum risco em particular para desenvolver câncer, aconselharia continuar a terapia com metade da dose, sem dúvida.
FERNANDES: Acho que sim. O seu maior benefício é obtido no início, assim que a mulher entra na menopausa. Uma paciente que já passou vários anos sem TRH após a menopausa, não é, em princípio, uma candidata a terapia. É a minha maneira de ver a questão. |
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