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POLÊMICA ILUMINDADA
OPINIÃO DOS MÉDICOS - DR. GERALDO RODRIGUES DE LIMA
O uso contínuo de progestogênio na TRH não dá oportunidade para a mama descansar, daí o aumento dos casos de câncer na pesquisa do WHI
Geraldo Rodrigues de Lima tem 50 anos de clínica em ginecologia em São Paulo. É considerado um "mestre" por seus colegas de ofício. Ele usa a seguinte frase para comentar a pesquisa do WHI e seus resultados: "Nós médicos não fazemos medicina por atacado, como se faz nos mega-ensaios clínicos, onde se joga uma massa de dados em um computador e se tira um número. Nós fazemos medicina no varejo. Caso a caso." O ginecologista tem uma posição arrojada em relação a TRH e suas combinações: "Não gosto de receitar progestogênio nesta fase da vida da mulher, porque ela não ovula mais, não vai engravidar e o progestogênio é um hormônio da gravidez. Ela serve para transformar o endométrio em um leito que receba o embrião e fica fora de lugar, nessa hora."
Para proteger o endométrio do câncer e aliviar os sintomas de menopausa em suas pacientes o professor receita pequenas quantidades de estrogênio, meias doses, por um tempo prolongado. Elas tomam a dose mais baixa seis meses e descansam quinze dias. "As mulheres podem fazer essa terapia seis a sete anos sem medo", diz ele. O descanso de duas vezes por ano é suficiente para proteger o endométrio do câncer, garante o professor. "Tenho essa conduta a 30 anos e não tive um caso de câncer de endométrio entre minhas pacientes ao longo desse tempo todo."
O progestogênio é responsável pelo inchaço da mama e do corpo. Ele causa retenção de líquidos e, ao contrário de sua ação no endométrio, nas mamas estimula a proliferação celular. "Já desmonstramos em pesquisas que fizemos na Unifesp", diz o ginecologista, que conduziu vários estudos sobre regimes de TRH na universidade. "Outra alternativa é receitar progestogênio 10 a 14 dias, três vezes por ano, a cada quatro meses", ele crescenta. "Nós também estudamos essa modalidade de TRH na Unifesp. É uma outra opção de fugir do risco de câncer de mama que o progestogênio contínuo representa. A mama não gosta de progestogênio."
Segundo estudos da Escola Paulista de Medicina, a associação do estrogênio com o uso contínuo de progestogênio aumenta a proliferação e a multiplicação de células nos dutos mamários na segunda fase do ciclo. Para explicar como ocorre o processo, o professor lembra como funciona o ciclo reprodutivo feminino, quando a mulher ainda é fértil. Seus ovários produzem estrogênio na primeira fase do ciclo, até atingir um pico. Depois, o nível desse hormônio começa a cair e eles passam a produzir progesterona até a mulher menstruar. No meio desse processo, explica Rodrigues de Lima, por causa do pico de produção de estrogênios, ocorre um índice alto de proliferação celular nos dutos mamários. Só que mais adiante este índice volta a zero porque o nível de progesterona também cai e um outro fenômeno, conhecido biológicamente como apoptose, defaz a proliferação. "Nós demonstramos nas pesquisas lá na Unifesp este fenômeno da apoptose e me baseio nele quando receito o estrogênio contínuo em doses baixas para as mulheres na pós-menopausa.
A multiplicação celular nas mamas, que ele produz na primeira metade do ciclo, pode ocorrer a vontade porque com a apoptose na segunda metade do ciclo, ela é interrompida. Desde que o nível de progesterona também esteja baixo", ressalva. Quando a mulher faz reposição hormonal com o uso contínuo de progestogênio, em doses elevadas, na segunda metade do ciclo o risco de câncer de mama aumenta, concretatamente, porque não ocorre a apoptose. O processo de multiplicação celular prossegue, mostra o estudo da Unifesp. "A asssociação de estrogênios com o uso contínuo de progestogênios em doses altas não dá oportunidade para a mama descansar. Foi esta a razão do aumento dos casos de câncer que a pesquisa do WHI detectou", conclui o médico.
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