OPINIÃO DOS MÉDICOS - DR. CÉSAR EDUARDO FERNANDES |
| A
questão é saber que esquema de TRH é melhor para cada mulher,
quando e como. |
O
objetivo dos ginecologistas com a Terapia de Reposição Hormonal
na pós-menopausa é repor estrogênios, diz César E.
Fernandes. É esse o hormônio que alivia os sintomas da menopausa,
previne a perda óssea, melhora o perfil lipídico das mulheres, a
textura da pele, além de representar maior qualidade de vida para as que
sofrem intensamente com os calores e suores da transição. Mas,
lamentavelmente, temos de associar progestogênios à reposição
de estrogênios em mulheres que tem útero". Os estrogênios
estimulam a proliferação celular do endométrio, a camada
que reveste o útero e pode levar ao desenvolvimento de câncer nesse
tecido. A progesterona inibe essa ação e protege a mulher de câncer
no útero, mas produz efeitos indesejáveis em outras partes do corpo,
como por exemplo nas mamas. |
| "Enquanto
as mulheres estão tomando só estrogênio, no início
de um esquema de terapia combinado sequencial, por exemplo, tudo vai bem",
diz o ginecologista. "Quando elas entram na fase do mês em que também
devem tomar progesterona, começam as queixas no consultório. Elas
reclamam que suas mamas estão mais inchadas, que estão mais irritadas,
como se estivessem experimentando uma TPM, e querem saber se eu posso resolver
aquilo e tal". |
| Os
médicos estão procurando reduzir a dose dos progestagênios
usados para tratar as mulheres sintomáticas com vistas a melhorar a vida
dessas pacientes, informa o ginecologista. "Sempre se imaginou que a progesterona
pudesse proteger o útero e a mama da proliferação celular
e de câncer. O Estudo do WHI mostrou, porém, que os progestagênios
podem não ser benéficos para a mama, onde eles parecem acelerar
a multiplicação celular e não diminuir, como é o efeito
conhecido no útero." |
| De
qualquer forma, já existem formulações de TRH de baixa dose,
no mercado, que usam progestogênio de forma menos agressiva. São
esquemas baseados em estudos sobre a dinâmica dos receptores de progestogênios,
que mostraram que estes podem ter efeito protetor no endométrio mesmo quando
liberados no organismo mais espaçadamente, três dias sim, três
dias não. Outros estudos em andamento buscam nova maneira de administrar
os progestagênios, por exemplo direto dentro do útero para reduzir
seus efeitos colaterais. Os Dius de progestogênios que funcionam como contraceptivos
para mulheres que ainda podem engravidar e que tem um útero maior estão
inspirando essas pesquisas. Os cientistas estão procurando produzir um
Diu com ação semelhante para mulheres na pós-menopausa, que
tem útero menor. "Não faltam alternativas para indicar um regime
de TRH sob medida para cada mulher, e este é o ponto importante dessa controvérsia
toda", diz Fernandes. "Temos de levar em conta a resposta individual,
além das características de cada paciente para receitar qualquer
regime hormonal. Não podemos tomar decisões na clínica baseados
em fluxos de dados de computador, que saem dessas pesquisas. Do contrário
as mulheres não precisariam de médicos", ele conclui. |