TRH - TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
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OS ESQUEMAS DE TRH
As mullheres com idade próxima da menopausa deveriam procurar poupar-se de aborrecimentos e preocupações, tirar sonecas no meio do dia, fazer meditação, e viver com calma e prazer, além de fazer alguma terapia de reposição hormonal, seja ela sintética ou baseada em fitoestrogênios. A TRH, como é chamada a terapia com hormônios sintetizados, é de longe a mais potente para compensar os efeitos da queda na produção de estradiol após a menopausa, especialmente a segura vaginal e o risco de aparecimento de doenças como a osteoporose. Mas os benefícios do tratamento são tanto melhores quanto maior for o tempo de uso e esse é o seu ponto mais polêmico: a longa duração da TRH sempre esteve sujeita ao fogo cruzado da controvérsia por causa do risco de câncer de mama que ela envolve. O câncer de mama é dependente do hormônio mas não são os estrogênios que causam a doença em si. Os hormônios não são carcinogênicos, o que significa que eles não transformam uma célula sadia em cancerosa. Mas podem estimular a proliferação de células com genes suscetíveis ao câncer, e por isso se diz que os estrogênios são carcinocinéticos. Eles aceleram o crescimento de neoplasias pré-existentes. Os estudos da literatura científica sobre o assunto TRH-câncer de mama indicavam o aumento real do risco depois de ultrapassados 10 anos de reposição hormonal. Esse limite passou a ser revisto para cinco anos depois da pesquisa do Women's Health Initiative, (WHI) interrompida em julho de 2002.
A questão é delicada e cabe às mulheres resolver por quanto tempo usar a TRH. As estatísticas mostram que por volta dos 50 anos é grande o número das que se interessam pela terapia para enfrentar os sintomas mais desagradáveis. Nos Estados Unidos, 46% das mulheres tomam estrogênios nessa idade. As britânicas vem em segundo lugar, quanto à taxa de adesão e cerca de 30% aderem ao tratamento. No resto da Europa a proporção das que usam a TRH cai bastante, para algo em torno de 10% por volta dos 50 anos. No Japão, apenas 6% das mulheres fazem uso da reposição. Mas o Japão é um caso à parte, como veremos. As estatísticas evidenciam, ainda, que 60% abandonam o tratamento depois do terceiro ano de uso, por vários motivos, entre eles, simplesmente porque se sentem bem.
A TRH não deve ser usada indiscriminada e aleatoriamente, devendo ajustar-se às necessidades de cada mulher, diz o consenso sobre a reposição hormonal da Sociedade Brasileira do Climatério, a Sobrac. O diretor científico da Sobrac, César Eduardo Fernandes, dá ênfase a este ponto do consenso. "A reposição hormonal é o tipo de tratamento sob medida. Ele apresenta várias opções e deve ser adequado ao perfil de cada paciente, de acordo com suas condições de saúde", afirma.
No final dos anos 90, os laboratórios fabricantes de hormônios refletiram essa preocupação com a segurança da TRH lançando no mercado medicamentos de baixa dosagem de estrogênio. Já são várias as marcas e tipos de formulações existentes com doses bem menores de estrogênios mas capazes de produzir os efeitos desejados.
Os esquemas de administração da TRH para mulheres que têm útero inclui os dois hormônios que o organismo feminino produz durante a fase reprodutiva: o estrogênio e a progesterona sintética, denominada de progestogênio ou progestágenos, combinados de modo sequencial ou contínuo. O esquema sequencial imita o ciclo menstrual. A mulher toma estrogênio na primeira metade do mês (como se fosse a primeira metade do ciclo) e 10 a 14 dias depois dessa mesta passa a tomar progestogênio e no final do mês tem um sangramento. No esquema contínuo o progestogênio é usado ao longo do mês, junto com o estrogênio, o que leva à atrofia do endométrio com o passar do tempo e ao fim dos sangramentos, ou amenorréia.O esquema sequencial, que imita o ciclo menstrual, é mais usado por quem faz reposição na perimenopausa, enquanto ainda menstrua. O combinado contínuo é preferido pelas mulheres na pós-menopausa porque evita a menstruação.
O progestogênio entra neste combinado por uma única razão. Sem ele as mulheres correriam risco de ter câncer no útero após alguns anos de uso da reposição de estrogênio, pois este hormônio estimula a proliferação celular da camada endometrial.
Mas o uso de progestogênios na TRH está hoje sob enorme questionamento. Além de produzir efeitos colaterais desagradáveis em algumas mulheres, como o inchaço do corpo, dores nos seios, fadiga e mau humor ou irritação e descompensar, com eles, os benefícios obtidos com o estrogênio, sabe-se hoje que doses altas de progestogênios podem provocar efeitos nefastos como câncer de mama ou derrame. Depois do estudo do WHI, os médicos estão chegando à essa conclusão, de que os progestogênios representariam o maior risco da TRH e não a reposição de estrogênio. Tanto que o estudo do WHI sobre o uso da reposição de estrogênio, isoladamente, em mulheres que não têm útero continua. Ele deve terminar o ano que vem, dentro do prazo previsto pela pesquisa, que é de oito anos. Há médicos que abandonaram já há algum tempo a indicação da TRH combinada para suas pacientes por causa desses efeitos dos progestogênios. O ginecologista de São Paulo, Geraldo Rodrigues de Lima, professor titular de Ginecologia da Unifesp, a Universidade Federal Paulista, receita apenas estrogênio a suas pacientes há 30 anos usando o esquema de pausas semestrais da reposição para permitir ao útero descansar e evitar o câncer endometrial. Segundo ele, seis meses de uso de baixas doses de estrogênio com pausas de quinze dias ao fim desse período é suficiente para abortar o processo de proliferação celular endometrial e proteger o útero. Nestes 30 anos, o ginecologista afirma não ter tido um único caso de paciente com câncer de útero com base nesse esquema de TRH. Os médicos vem considerando cada vez mais a reposição isolada de estrogênio, com pausas periódicas.
Mas o esquema exige grande fidelidade da mulher à orientação médica. Sem o progestogênio para proteger o útero, ela terá de submeter-se a exames periódicos de ultrassom do órgão além de respeitar rigorosamente as pausas semestrais. O ultrassom permite ao médico acompanhar o eventual crescimento celular do endométrio e interromper a reposição de estrogênio antecipadamente, se for o caso. Há ginecologistas que vêem esse esquema de reposição como o futuro da TRH. Dentro dessa visão, o uso dos progestogênios da TRH combinada estaria com seus dias contados.
A TRH é contra-indicada para mulheres que têm histórico de câncer de mama ou de endométrio, que sofrem de doenças do fígado, tem tendência ao tromboembolismo -- a formação de coágulos nas veias -- ou apresentam sangramento genital anormal de causa desconhecida. Pode parecer paradoxal, mas a TRH também não ajuda as mulheres que já tem doença cardiovascular, mostrou outro estudo americano, o Heart and Estrogen/progestin Replacement Study ou HERS, que acompanhou, durante 5 anos, 2673 mulheres em idade de pós-menopausa que já tinham doença cardíaca instalada. Os riscos de enfarte e outros eventos cardíacos aumentam com a reposição de estrogênio neste caso.

As mulheres que não podem ou não querem fazer uso da TRH têm como alternativa a opção dos fitoestrógenos, do creme de progesterona natural e de medicamentos específicos contra a osteoporose e a depressão. Os estados depressivos como a melancolia e o desânimo acentuado nessa idade podem resultar do desequilíbrio hormonal e também do mau funcionamento da glândula tireóide, alerta o ginecologista César Eduardo Fernandes. "O hipotireoidismo, ou deficiência de funcionamento da glândula, que pode levar a transtornos depressivos é muito comum nessa época da vida", diz ele. Diante de história prévia de depressão os psiquiatras avaliam o uso dos medicamentos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina - a linha do Prozac, Zoloft, entre outros e, sem dúvida, algum tipo de psicoterapia. Nos casos mais graves, eles chegam a avaliar a conveniência do uso da TRH, devido à sua eficiência para recompor o equilíbrio hormonal e, indiretamente, melhorar o bem estar.


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