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VII

XX.
Sou totalmente a favor da mãe solteira – porque também sou frontalmente contra o pai casado.

XIX.
A esperança é crônica. O medo é agudo.

XVIII.
Falsa Cultura: Crack
Rockfeller morreu de armas na mão defendendo o crack de 1929.

XVII.
No cassino da vida pública brasileira é considerado modelo de probidade o que tem só um ás na manga.

XVI.
Cristo foi seguido por suas parábolas demagógicas e crucificado por seus planos de reforma social.

XV.
A Glória Séc. XXI

Ninguém acredita mais em Glória com menos de 30 milhões de audiência.

XIV.
A indenização é o último patriotismo do rebelde

XIII.
Não sou um homem muito culto. Mas sempre tive o cuidado de me cercar de completos ignorantes.

XII.
Agora, que já avançamos pelo século XXI, podemos fazer um pequeno balanço do que o século XX nos legou.

1. O atropelamento.
2. O salto suicida do décimo andar.
3. O envenenamento pela radioatividade.
4. A estupidificação pela televisão.
5. A queda do avião.
6. A democratização da aids.
7. A poluição, tornando verdadeira a frase "O mar não tá pra peixe".
8. O escorregão na Lua.
9. A morte no CTI.
10. A possibilidade de um final feliz, todo mundo acabando junto.

XI.
A infância não, a infância dura pouco. A juventude não, a juventude é passageira. A velhice sim. Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho.

X.
O trocadilho, dizem os que gostam de dizer, é "a forma mais baixa de humor". É. Não há nada mais chato do que um debilóide que gosta de "contar" um trocadilho. Isto é, fala um trocadilho dito antes, geralmente sem nenhuma criatividade. Pois o trocadilho vale pela espontaneidade, feito in the spur of the moment, na velocidade do instante. Por pessoas que têm o dom do "processamento" repentino.

Mas há também o bom trocadilho pensado, refletido. Sem trocadilho, jogo de palavras, Shakespeare não existiria. Ainda mais – a literatura não existiria.

Este longo nariz-de-cera é porque vi, nas ondas de protesto contra as tropas de ocupação da Síria, no Líbano, uma faixa dizendo: GO HOME SIRIAL KILLERS!

Nunca esquecer que o maior trocadilho, sobre o qual se firmou o cristianismo, está lá, gigantesco, rodeando a cúpula da Igreja de São Pedro: "Pedro, tu és pedra, e sobre ti edificarei a minha Igreja". Dito pelo próprio Cristo. A verdadeira graça de Deus.

IX.
Respostas a que não fui perguntado

Um artigo de psicologia - ai! - pergunta: “No banheiro você se sente nu ou despido"? Deixa eu ver:

- Despido: Somos nós quando tiramos a roupa.
- Nu: Uma outra pessoa qualquer (talvez porque não assistimos ao ato de ela se despir?) Cadáver assassinado também é nu.
- Nuinha: Mulher bonita.
- Pelada: Mulher na janela em frente, em geral bonita e vulgar. Criancinha recém-nascida.
- Desnudado: Artistas sem cache-sexe, atletas sem sunga, políticos.

VIII.
Jesus foi crucificado entre o bom e o mau ladrão. Pois é: naquela época havia 50% de bons ladrões.

VII.
Monogamia: Chama-se de monogamia a capacidade de ser infiel à mesma pessoa durante a vida inteira.

VI.
Olhando pra esquerda ou olhando pra direita, estamos dentro do palíndromo da corrupção

V.
Ao fim e ao cabo, aprendam logo, se já não sabem: todo partido político é uma gang com ideologia (e até sem ela).

IV.
Todos sabem - os poucos que sabem - que sou grande admirador da tecnologia. Mas o progresso é sempre melhor? Sempre? Todo dia a gente vê desastres. Terríveis acidentes aéreos, engavetamento de trens, batida coletiva de automóveis. Você alguma vez ouviu falar de algum acidente com os maravilhosos meios de transporte do passado - soube da queda de algum tapete voador, de alguma batida de vassouras de bruxas, de algum enguiço de botas de sete léguas?

III.
Democracia
Lula, defensor do analfabetismo como neocultura, vai enviar ao Congresso uma MP proibindo a elitista ordem alfabética.

Transparência
A imprensa, como demonstra extraordinariamente no momento atual, é, mais que nunca, o Quarto Poder. E, neste primeiro escândalo internacional, ocorrendo no imenso Brasil, a internet, com sua repercussão-relâmpago e capacidade de invadir e influenciar todos os setores, já é o Quinto Poder. Estamos, sempre estivemos, a reboque da tecnologia.

Mestre
Aprendi com o vosso Presidente: o caixa dois das campanhas eleitorais, a fome, a discriminação (Lula tem horror de viado, como provou em Pelotas, e a internet mostra interminavelmente), o desemprego, o mensalão, a incompetência, tudo isso é o que se chama "a ordem natural das coisas".

Antibiológico
Nem a ciência ficou de fora: Valério conseguiu desmoralizar até o DNA.

II.
Bíblia me ensinou; "Cada coisa tem seu tempo." Paro hoje - em verdade parei ontem - o ciclo de pequenas lições de civismo para cego-surdo-mudos. Paro porque há uma hora de parar. Espero em Deus não ter que recomeçar. Foi bom sentir que alguns puderam ver, outros ouvir, uns raros se indignar. Quando surgem vozes mais competentes e aparelhadas do que a minha, cedo a vez. E posso dar ao meu leitor (na presunção de tê-Ios) descanso do enfado a que o submeti por tema, atualmente, quase irrelevante; a prepotência a serviço do crime. Paro com a melancolia de perder a admiração que tinha por dois ou três amigos. Paro com a satisfação de que, por mais erros que cometa, por mais contaminada que esteja pela metástase do país - nenhum de nós escapa - ainda é na imprensa, e quase só na imprensa, que o cidadão encontra um espaço de choque contra a insensibilidade patológica do nosso poder político-econômico.

I.
De vez em quando, o mais raramente melhor, é bom transcrever alguém já consagrado. Desde que ele seja curto, profundo, - em qualquer sentido - e bom mesmo. Aqui vai um pedaço de Borges (Jorge Luis), que preenche esses requisitos. Millôr
.

O Zahir do Borges 

Antes de 1948, o destino de Julia talvez já tenha me atingido. Terão de alimentar-me e vestir-me, não saberei se é tarde ou manhã, não saberei quem foi Borges. Qualificar de terrível esse futuro é uma falácia, já que nenhuma de suas circunstâncias terá significado para mim. Tanto valeria sustentar que é terrível a dor de um anestesiado a quem abrem o crânio. Já não perceberei o universo, perceberei o Zahir. Segundo a doutrina idealista, os verbos viver e sonhar são rigorosamente sinônimos; de milhares de aparências, passarei a uma; de um sonho muito complexo a um sonho muito simples. Outros sonharão que estou louco, e eu com o Zahir. Quando todos os homens da terra pensarem, dia e noite, no Zahir, qual será um sonho e qual uma realidade, a terra ou o Zahir?
Nas horas desertas da noite ainda posso caminhar pelas ruas. A aurora costuma surpreender-me num banco da praça  Garay, pensando (procurando pensar) naquela passagem do Asrar Nama, na qual se diz que o Zahir é a sombra da Rosa e a rasgadura do Véu. Vinculo essa opinião a esta notícia: para perder-se em Deus, os sufis repetem seu próprio nome ou os noventa e nove nomes divinos até que eles já nada querem dizer. Eu desejo percorrer esse caminho. Talvez acabe por gas­tar o Zahir à força de pensar e repensar nele; talvez, por trás da moeda, esteja Deus.

sobe
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