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Ano 06 • nº 23 • Maio 2006

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Legalizemos a banana

A banana justifica a casca que a envolve ou a casca é que explica a banana?

Nua, a banana sem casca nos remete ao que fazer com a casca da banana. Como se sabe, as bananeiras, por ficarem ao sol e ao relento, dão bananas. A carne do caule é macia e propiciatória nas tardes estivais, quando todas as bananas crescem. A casca, feita de ouro, e ocasionalmente decorada com sardas de senectude frutífera, não é comestível, mas é tragável.

Raspa-se cuidadosamente, expõe-se ao sol durante vago tempo e, uma vez curtida, oferece os prazeres de um estranho PalI Mall: "Kiss me. Kiss me. Kiss me, baby".

A banana, antes de deglutir, é apreciá-la. Odor tem pouco. Como convém. Só para apreciadores dos quase-não-odores. Cheira a longe. Ao que poderia ter sido e que não foi.

Mesmo podre não tem cheiro de podre. Limpa, clara, macia, tem gosto de banana. Cortada em fatias, posta ao fogo brando, envolvida em azul de álcool, queimada até ficar morena, pulverizada com açúcar e canela, vira banana frita. Com calda, porém, é só banana em calda.

A casca bem que poderia ter um zíper e ser mais prática. Mas já é a mais prática das frutas, a banana tão prática. Uma cabe na palma da mão. E dá; em cachos. Às vezes minhon, pequena e arredondada, fresca, ela é banana-ouro, maior é banana-d'água, quando não exige cuidados especiais para ser degustada, banana-da-terra.

Dá em árvores baixas, a banana, e a árvore se chama, condizentemente, bananeira. Pois ninguém admitiria uma banana em outro pé que não uma bananeira. E, por ser baixa, a bananeira põe seus frutos à disposição de quem os quer, ninguém precisa trepar nela.

As folhas da bananeira abanam como orelhas de elefante, embora os elefantes, no Brasil, estejam todos no jardim zoológico, onde só os macacos comem bananas. Sei lá. A casca serve ainda ao escorregão na casca de banana. Ao envelhecer, a banana vai ficando parda e, vendo isso, os passarinhos a bicam, ela vira borboleta amarela, mas ainda vive de três a quatro horas, naquela bananosa. Em Jacarepaguá existe um cemitério só de bananas. Foi fundado em 1833 pelo padre negro, do Zaire, Regias Amintas, que trouxe para o Brasil a manga-espada, a fruta-de-conde e o aipim-manteiga. A banana não foi ele quem trouxe.

 
sobe
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