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Ano 06 • nº 46 • Setembro 2006

Veja os outros anos

O nosso trompe

Trompe-l'oeil, engana olho, em francês. Pintura tão realística que parece tridimensional, a verdade. Trompa mesmo, engana. No século XVII, os holandeses, donos da pintura na época, praticavam isso muito. A técnica, claro, já era moda na pintura da Renascença, o que é que não?, quando uma porta era tão bem pintada que levava todo mundo a querer abri-la, um papel dobrado levava à tentação de desdobrá-lo e uma mosca sobre um vidro trazia a necessidade de enxotá-la. Os franceses, que criaram a expressão trompe-l'oeil, levaram o trompe à saturação. E o que já não era considerado arte passou a ser considerado vulgar. Pois, afirmam os afirmativos, para que uma pintura seja arte deve haver nela alguma forma de intervenção humana, que afaste a obra da cópia servil.

Mas quem se trompa, realmente? A lenda de que os pássaros bicavam as uvas pintadas por Zeuxis ou a que garantia um cavalo querer cruzar com a égua pintada por Apelles devem ser engolidas com a famosa pitada de sal ático, que, aliás, já ninguém sabe o que é. Fazer com que a gente ingenuamente veja o que não está vendo, acredite no inacreditável, é coisa de mágico de teatro e de circo.

Luiz Inácio Lula da Silva, que nunca ouviu falar do trompe-l'oeil, faz isso sem saber. Mas não trompa só o olho, trompa também ouvido e olfato. É o otolaringologista da trompiação. Porém, primitivo como em tudo, faz apenas como os desprezíveis artistas populares que, na França, pintavam seus trompes nos muros das ruas. Só se trompa quem quer se trompar.

 
sobe
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