Parábola do medo e suas circunstâncias
Collor disse, vocês lembram: "Deus poupou-me o sentimento do medo." Juscelino já tinha dito isso muito antes.
Ambos, claro, fazendo aquilo que se chama assobiar no escuro. Pois todos nós, diz o povo, que se chama de sábio, embora não o seja ou já teria deixado de ser povo , que temos rabo, temos medo. Deus não poupou a ninguém o citado sentimento.
Quem vive, teme. Uns são mais covardes, outros mais afoitos, mas há poucas horas de enfrentar e muitas mais de fugir, como sabem gloriosos generais, famosos por grandes "retiradas" (em linguagem civil: "O último a escapar é mulher de padre."). Mesmo os mais bravos, você e eu, quando vão em frente em situações extremas, vão deixando rastros.
Eu, neste momento, tenho dois grandes medos. Um, ter que agüentar democracia o resto da vida. Outro, nem ter democracia pra agüentar.
A ocasião mais antiga que eu conheço, há sempre uma mais antiga em que a frase de Collor/Juscelino aparece, é na Segunda cartinha (cartinha, na Bíblia, ganha grandiloqüência com o nome de Epístola) de Paulo a Timóteo: "Deus não nos deu o espírito do medo". (Timóteo II-1,7).
A cartinha é um amor, com coisas que só se escrevem pra pessoas de intimidade doméstica: "Démas me desamparou e foi para Tessalónica; Crescente para a Galácia; Tito para a Dalmácia. Todos me abandonaram. Só Lucas está comigo. À vinda, traze contigo a capa que deixei em Tróiade, em casa de Carpo, e os livros e principalmente os pergaminhos. Alexandre, o latoeiro, tem-me feito muitos males; guarda-te dele. Saúda a Prisca e a Aquila e a família de Onesíforo".
Epístola? Tire da Bíblia.Uma cartinha.