Estranhas palavras
Todas as manhãs os moradores de um extenso quadrilátero de Laranjeiras, que compreende a vizinhança da Comunidade Pereira da Silva (considerada a favela com melhor qualidade vida e de menor criminalidade no Rio), o luxuoso parque Guinle, o palácio Laranjeiras (onde mora a governadora e seu marido, secretário de Segurança), e ruas próximas, são obrigados a ouvir as palavras de ordem que os soldados do Bope gritam aos quatro ventos enquanto fazem o cooper pelas ruas do bairro. Num domingo, por exemplo, fui acordado com as seguintes pérolas: “bandido favelado não se varre com vassouras/ se varre com granadas, com fuzil, metralhadora”; e ainda “o interrogatório e muito fácil de fazer/ pegar o favelado e dar porrada até doer, e o interrogatório é muito fácil de acabar/ pega o bandido e dá porrada ate matar”. Como tais amostram edificantes de ideologia policial, como se surpreende com mortes em interrogatórios policiais e nos presídios? Fico imaginando o que o secretário acha dos raps do Bope, ou será que o palácio tem proteção acústica?