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Respostas 59
Lúcido Millôr. Tenho uma tia, solteirona, que toda dúvida que tem me consulta. Semana passada me perguntou quais as três coisas principais, que orgulham os brasileiros. Fiquei reticente. Por favor, oriente-me para que possa respondê-la.
Gilberto Griz, Camaragibe-PE

Esclarecido Gilberto, só há três coisas principais pra brasileiros - e acho que até para estrangeiros. Ontem, hoje e amanhã. Sendo que, explique pra ela, ontem já era, hoje passa depressa, quase não é, e amanhã, segundo o slogan do país dela, será o futuro que nunca acaba. Abrassão. O Millôr.

Boa tarde, será que tenho o direito de duvidar que é mesmo o Millôr quem vai ler este e-mail? Por que o Millôr leria um e-mail e não seus inúmeros assistentes? Bom, vamos lá, na sorte! Estou tendo um contato (mais íntimo) com seus textos agora que comecei a fazer a minha monografia, tema: " O Pasquim como porta voz da imprensa em tempos de oposição à ditadura" (ou algo semelhante). Posso te perguntar o que você acha? Seria lugar-comum este tema? Estou tentando olhar pela sua ótica enquanto porta voz da imprensa (e pela ótica de Jaguar, Paulo Francis, Tarso de Castro, Sérgio Cabral e outros). PS:que coragem a minha, mas, sou tão filha da mãe quanto vocês, lamento ter demorado tanto a nascer! Me responda, nem que seja pra dizer: ponha-se no seu lugar!!! Afinal, não é você quem acha que é o inventor da liberdade de imprensa? (sem maledicência) E eu sou aspirante à jornalista (não mais uma jornalistazinha medrosa e metódica, mas, "a jornalista").
Marcelle de Paula, Varginha-MG

Marcelle (donde vem essa terminação francesa, Marcela? Pois eu repito, MARCELA: "PONHA-SE NO SEU LUGAR!" Mineira, querendo ser jornalista, veio do princípio certo e vai pro caminho certo - deixa o pessoal falar, Marcela, jornalismo é uma bela profissão). O Millôr.
Prezado: ontem, em entrevista ao Fantástico, seu colega (escritor e guru, hihihi) Paulo Coelho, ao exibir as estantes vazias de seu apê em Paris, disse que não guardava livros. Doava-os todos, porque livros seriam feitos para "viajar e encontrar novos leitores". Como tal filosofia contrastasse com um Millôr cercado de livros (em desenho publicado em Veja no mesmo dia), pergunto-lhe: devo guardar ou distribuir os meus suados exemplares? Ass: seu velho leitor velho.
Henrique Milen, Belo Horizonte-MG

Milen, me perguntam sobre Sarney, e agora me falam de Paulo Coelho, outra espécie de Sarney. A opinião do precário Paulo Coelho sobre livros é dele e, como as que chegam a meu precário entendimento, idiota. Combina. Abraço. Millôr

Afinal, você inventou ou não inventou o frescobol? E por que esse nome ridículo? Não tem nada de fresco, seja porque é jogado ao sol, com direito a muito suor, seja porque não é de fresco, no sentido politicamente incorreto do termo.
Pedro Ricardo, Brasília-DF

Inventei. Quer dizer, a turma nossa do Posto IV. Copacabana. Fresco, você acha ridícula essa denominação? Preferia algo mais grego, mais solene? Não é próprio do frescobol. Abrassão. O Millôr.

Caro Millôr,
Em programa de auditório no SBT, o Sr. Silvio Santos, titular da concessão pública, perguntou à Srta Preta Gil, filha do ilustre Sr. Ministro da Cultura, se ela não se achava atraente. Resposta da Srta. Gil: "Se eu não fosse atraente, o membro do meu namorado não ficava duro". Gargalhada geral do seleto auditório, seguida de intervenção do erudito animador Sr. Santos, para esclarecer que, com "uma pílula azul, o membro de qualquer um fica duro". Não seria o caso de ceder para as emissoras francesas esse tipo de programa educativo "free of charge"?
Zé da Lapa, São Paulo-SP

E isso é isso, Zé. Vivemos entre o mundo pornográfico e o mundo repressivo. Qual você prefere? O Millôr.
Millôr! Você que é um cara, que entende um pouco de tudo, e que você divide com todos os seus fãs um pouco do seu conhecimento... me responda? Você acha que o amor existe? Porque a felicidade é tão momentânea? Será que ainda pode se acreditar nos sonhos... ou tudo isso aqui é uma mera ilusão?
Cristina, São Luís-MA

O que é que você tem contra a "momentaneidade" da felicidade (rima, vê?). E contra o sonho (sobretudo o de padaria, aquele com creme amarelo)? E ilusão, que podemos manusear? Tudo vale a pena, não é, Cristina? Você escolhe a pena - de escrever, de pavão, ou jurídica. Abrassão. O Millôr.

E o Dantas comprou a todos: judiciário, legislativo, executivo e a ... imprensa! Lamento por você, grande Millôr.
Pedro, Porto Alegre-RS

Pois é, Pedro, estou puto da vida (é assim que se fala em e-mail de família?). Me ofereceram apenas - bem, deixa pra lá. Abraço. O Millôr.

Acredite Millôr, estou muito indignado de não ter a mínima idéia do que está escrito na "nothação" número 6 da edição 2066 da Veja (25 junho). Kkkk. Afinal, o que são aqueles codigozinhos? De um cara que não entende nada (talvez pouco) do que você escreve, mas ainda espera entender!... (outro kkk.)
Tiago Gomes, Uberlândia-MG

Tiago, é o mais singelo sistema de comunicação entre os que não entendem nada e os que complicam tudo. Entendeu? Abrassão. O Millôr.

Caro Millôr. Cá com meus botões tenho refletido a respeito dos escritores. Cheguei a uma estranha conclusão. Estes, os escritores, são os seres mais vagabundos que existem. Posto que produzem literatura e esta está a mercê do cidadão se disponibilizar a comprar um livro, e para isso tal cidadão haverá de produzir algo. Não havendo interesse em literatura, o escritor passa a ser um ser inútil, um vagabundo. Em se tratando do governo petista, que consome literatura tanto quanto um judeu gostar de arroz com suã, a labuta literária vai de mal a pior. Estou certo? Grande Abraço!
Fabiano Bergoch, São Paulo-SP

Está bem, você está certo em tudo que diz sobre escritores. Mas, e o Paulo Coelho? Ele não é escritor? Ele não é petista? O Millôr.
Li na obra: "Bíblia do caos", a frase: "Livre como um táxi". Agora me responda, essa liberdade é na bandeira 1 ou bandeira 2?
Arley Teixeira, Recife-PE

O mundo é assim mesmo, Arley. Taxi, nem mesmo bandeira 2. Não há nada menos livre. Como tanta gente com o mesmo letreiro. Abrassão, Arley. O Millôr.
Boa tarde, quase noite, Millôr, tudo bem? Tenho observado, na mídia do dia-a-dia, que temos/ vemos, tantos programas ruins (televisão/rádio), tanta gente tentando convencer, um monte de porcaria, e por que você não nos dá o privilégio de nos bonificar com um programa semanal na televisão? Digo isto porque, tê-lo apenas nas páginas de revistas é muito pouco. Um abraço,
Marcos Roberto Elias, Recife-PE

Marcos Roberto Elias, isso tudo de que você fala, isso tudo que você vê, é o reflexo da realidade. Você acha que qualquer coisa dirigida a multidões pode ser melhor do que isso? A vida que você quer é um nicho. Se você alcançar, fique nele. E defenda. É mais fácil "eles" destruírem isso do que você alterar qualquer coisa deles. Mas "sorria sempre", como diz a propaganda. Abrassão. O Millôr.
Seu Millôr, adimiro muito seu trabalho e a forma como o mesmo é feito. Gostaria de saber qual seu ponto de vista sobre "ser" políticamente correto? Grande abraço.
Carlos Joseph, Campina Grande-PB

O "politicamente correto", que, naturalmente, abrange tudo, não só o correto, é - examina só - uma politica de auto-defesa. Eu, como não tenho o que defender - sou rico e bonito - fico de fora. Digo o que penso, sem pensar. Abrassão. O Millôr.
Oi Millôr! Em sua fabulosa fábula "O Lobo e o Cordeiro" há uma citação de Bernard Shaw ("Haverá eleições em 66".) O Sr. poderia contextualizar a citação (obra do Shaw)? Poderia entender a citação como uma crítica ao regime militar brasileiro? Obrigada e parabéns pelo site. Manter o bom humor é tarefa para poucos. Com cumprimentos,
Fernanda Matos, Brasília-DF

Maneira de dizer, Fernanda. Shaw entra como Pilatos no credo. Abrassão. O Millôr.

Millôr, quero votar em você para Presidente da República, assim ou vai ou vai, ou vai. Abraço do tamanho do multiverso,
Maria Helena, Curitiba-PR

Maria Helena, o que é que eu fiz para você me querer tanto mal? Abrassão. O Millôr.

Caro Vão Gôgo.
Tenho 70 anos de idade. Dá para imaginar há quanto tempo o leio (e admiro). Dado seu grau de descortínio, apresento uma questão: Parece que na Odisséia, ou na Ilíada (não me recordo), consta que "Quando os Deuses querem destruir um homem, primeiro o enlouquecem". Nosso Presidente, em discursos recentes, alogiou Chavez como "pacificador", e ofereceu a tecnologia do PROER para solucionar os sérios problemas financeiros dos Estados Unidos. Será que ele está para ser destruido? Será isso? Um abração do seu velho leitor,
Ayrton Jairo França, Ribeirão Pires-SP

É evidente que os deuses não previram o Lula,que está acima disso tudo. Nunca nenhum deus fez o que ele está fazendo por nós. No conceito dele próprio, claro. O Millôr.

O senhor é assim mesmo, ou é só impressão?
Daniel Campos, Recife-PE

Isso mesmo, Daniel. Você escolhe entre impressão de jornal e impressão digital. Abracadabraço. O Millôr.
Caro Millôr, não sou assinante do UOL, mas gotaria de acessar essa página ao lado (Bíblia do Caos, Charges, etc). É possivel?
Isaac Levy, Rio de Janeiro-RJ

Isaac, você quer que eu resolva o problema do capitalismo? Vou pensar. Abrassão. O Millôr.

Caro Vão Gôgo. Tenho 70 anos de idade. Dá para imaginar há quanto tempo o leio (e admiro). Dado seu gráu de descortínio, apresento uma questão: Parece que na Odisséia, ou na Iíada (não me recordo), consta que "Quando os Deuses querem destruir um homem, primeiro o enlouquecem". Nosso Presidente, em discursos recentes, alogiou Chavez como "pacificador", e ofereceu a tecnologia do PROER para solucionar os sérios problemas financeiros dos Estados Unidos. Será que êle está para ser destruido? Será isso? Um abração do seu velho leitor
Ayrton Jairo França, Ribeirão Pires-SP

É evidente que os Deuses não previram o Lula,que está acima disso tudo. Nunca nenhum Deus fez o que ele está fazendo por nós. No conceito dele próprio, claro. O Millôr.

Não sei se foi o Adão que corrompeu a Eva ou a Eva que corrompeu o Adão (com ou sem cobra no meio) mas que a história do Caim e Abel parece mal contada, parece (Acho que o Abel corrompeu o Senhor e o Caim foi às vias de fato com o mano)
Sérgio, São Paulo - SP

Foi a cobra. Não é à toa que virou símbolo fálico. Abrassão. O Millôr.
Millôr, os milhões de alguns não valem um centavo de tua dignidade. E você sabe disso. Ainda bem!
Antonio, Mairiporã-SP

Antonio, é só porque eles ainda não chegaram ao meu preço. Mas a esperança ($$$$) é a última que morre. Abracadabraço. O Millôr

Millôr, Escrevo pela possibilidade de reciprocidade. Gostei muito da tua entrevista com Clarice, mais precisamente quando o assunto em pauta é a genialidade. Cursei um semestre de Jornalismo e foi o suficiente para que eu me deparasse com uma situação inusitada... Tratavam-me como um gênio. A princípio fiquei todo desconcertado, agi naturalmente e não deixei elogios me afligir, visto que sei muito bem distingüir um elogio verdadeiro de uma mera forma de iludir ao próximo. Mas por tamanha dimensão a qual as palavras ganham, aquilo não me fez bem. Passei a ser tratado pelos colegas e até mesmo pelos professores de forma distinta. Sabe-se que elogios nos leva a um egocentrismo, porém não foi essa a minha conduta. Você deve estar pensando... Aonde esse moleque quer chegar? Pois bem, não quero chegar a lugar algum! Só quiz relatar a experiência de uma pessoa qualquer que gosta de ser tratada igualmente aos demais e procura se camuflar ao ambiente. Depois de muita busca para compreensão consegui interpretar que em um mundo desigual é preciso que pessoas éticas sejam alvos de incentivos para que nós animais assim como nossos parentes macacos imitemos uns aos outros tendo em vista um mundo melhor. Conclusão: Se gênio é ser Umano, quero continuar herrando. Pois sou uma pessoa que enxerga as coisas como elas realmente são e que não vê diferenças intelectuais mas sim em graus de sanidade. E olha que eu já enfrentei um surto psicótico por excesso de cannabis (rs). Enfim, como já havia dito, não quero chegar a lugar algum e nem estou sendo modesto. Imagino que você tenha passado por isto várias vezes, qual foi a sua estratégia para tirar isto de letra? Confesso que estou embreagado de lucidez e me sinto um louco em uma ficção. É estranho como o ser humano é inerente ao glamour, status... Será estes os artifícios criados para a longevidade da espécie? Sinceramente preservo a minha opinião! Não vou sofrer deste mal chamado longevidade. E mais, o "Ensaio sobre a Cegueira" de Saramago é interessante, mas não o acho suficiente para driblar o caos. Dele você extrai o manual da normalidade! Dizia Chaplin que a vida é um teatro que não permite ensaios, logo, como optar por ser cego se tens olhos saudáveis que no proporcionam gozar de sentimentos e aventuras incalculáveis... Obrigado por nos presentear com este espaço virtual. Um abraço,
Vinicius, Monte Alegre de Minas-MG

Deus do céu, caro Vinicius, não me mete nessa não. Meu universo é muito mais tranqüilo. Há muito tempo descobri a escuridão no fim do túnel. Você me entende. Entrei pelo outro lado. E estou satisfeito. Serei um morcego? Abrassão. O Millôr.

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