BÍBLIA DO CAOS
 BIOGRAFIA
 CHAPEUZINHO
 CHARGES
 CLÁSSICOS
 COLABORAÇÕES
 CONPOZISSÕIS IMFÃTIS
 DAILY MÍLLOR
 DESCOBERTAS
 DEVORA-ME
 DICIONÁRIO
 ECONOMIA
 FÁBULAS FABULOSAS
 FRASES
 GALERIA
 HAI-KAIS
 HISTÓRIA DO PARAÍSO
 HUMOR NEGRO
 INTERNET NOTA 10
 LIVRO BRANCO
 LOGOS DO MILLÔR
 MILLÔR NA IMPRENSA
 MILLÔR NO PASQUIM
 MURAIS
 NOHTAS
 PERGUNTAS CRETINAS
 PESQUISA
 PIF-PAF
 POEMAS
 POSTAL
 RETRATOS 3X4
 SEXO
 TEATRO
 TEXTOS
 THE COW
 UOLPAPER
 VÍDEO
 MAPA DO SAITE

 

Veja mais textos
Sarney e o Brejal dos Guajas
I | II | III | IV | V | VI | VII | VIII | IX | X | XI
SARNEY E O BREJAL DOS GUAJAS - Parte I

(Uma tentativa de entender o livro, o autor, e o país em que nasceu um e foi publicado o outro)

Leitor, mais uma vez fui enganado. E enganado em literatura, por gente da melhor qualidade pra julgar literatura, como João Gaspar Simões, Jorge Amado, Carlos Castello Branco, Josué Montello, Luci Teixeira, Antônio Alçada Baptista, Lago Burnett. E last but not least, pelo mais preparado de todos pra tarefa específica (estudou em Heidelberg), o crítico literário Leo Gilson que, em 66, me levou para a honrosa propaganda da Olivetti, de onde fomos afastados, Deus do céu!, por suspeitos de comunismo.
Fui enganado por todos esses luminares do pensamento. Da literatura de Sir Ney me afirmaram, em escritos de fé: "Uma nova vertente na literatura Norte-Nordeste"- Carlos Castelo Branco. "Grande escritor"- Josué Montello. "O processo ficcional de repente se faz em correlações onde pequenos binários de ação se sintonizam por força da mesma tenção significadora" Luci Teixeira. "Lamentar o prejuízo que a literatura de expressão portuguesa tem vindo a sofrer pelo fato de José Sarney se lhe não dedicar o tempo inteiro"- Alçada Baptista. "José Sarney é um escritor político no amplo sentido em que atinge a abrangência aristotélica"- Lago Burnett. "O regionalismo que ele renova com a sua paisagem humana, sua poesia, sua afinidade com a ingenuidade, a pureza e a graça maliciosa do povo maranhense, mosaico do povo brasileiro"- Leo Gilson Ribeiro.

Todos me enganando. Só fui desconfiar, apavorado com o complô, na primeira vez em que ouvi Sir Ney usar o apelativo rastaquera, "Brasileiras e brasileiros", fazendo média contraproducente (por ridícula) com o feminismo. E percebi, também, que ele era incapaz de construir uma frase, quanto mais um período, e nem falar de um discurso lógico. Por isso fui reler o Brejal dos Guajas com mais atenção. Fiquei estarrecido. Não se pode confiar o destino de um povo, sobretudo neste momento especialmente difícil, a um homem que escreve isso. Não tendo no cérebro os dois bits mínimos para orientá-lo na concordância entre sujeito e verbo, entre frase e frase, entre idéia e idéia, como exigir dele um programa de governo coerente pelo menos por 24 horas?

Não escrevi imediatamente sobre o livro por uma questão de... piedade. Mas agora, depois da jogada de gigantesca corrupção em que, como medíocre ditador, troca esperança de 140 milhões de brasileiras e brasileiros por mais um ano de sua gloríola regada a jerimum, começo uma pequena análise dessa ópera de 50 páginas. Esclareço logo que não se trata de um caso de má, ou até mesmo péssima, literatura, de uma opinião malévola ou discutível. Em qualquer país civilizado Brejal dos Guajas seria motivos para impeachment.

Janeiro 1988


A seguir: Mas, afinal, Sir Ney, escreveu ou não escreveu um livro? Da mistura das leituras mais simplórias misturadas de maneira confusa, numa cabeça sem similar no mundo da intelequitualidade, o autor conseguiu chegar a isso que é a ambição de meio mundo- um livro? Leia a opinião da UNESCO a respeito. É. Aguardem!
sobe
Copyright © Millôr Online 2000/2010. Todos os direitos reservados.