As
opiniões divergem.
Alguns brilhantes e cultos intelectuais, como
os já citados aqui, afirmam, audaciosamente,
que Brejal
dos Guajas é um livro.
Eu garanto que não.
É uma anedotinha "socialzinha"
tolinha (já contada mais de um milhão
de vezes) da briguinha de dois coroneizinhos de
uma cidadezinha perdidinha no interiorzinho do
Maranhão. O autor deve ter lido umas 20
páginas de Jorge Amado (Marli, que socialismo!)
e umas cinco de Guimarães Rosa (Zezinho,que
linguagem! E que difícil, Murilo!) e isso,
claro, lhe causou uma indigestão na cabeça.
Reacionário desde sempre, deve ter achado
fascinante e lucrativo ser um escritor do povo.
Sem jamais ter entendido a realidade em volta,
naturalmente fundiu diante do realismo mágico.
Incapaz de juntar sujeito e predicado em português
escolar, se perdeu na aventura da linguagem que
é Guimarães Rosa - e até
hoje não encontrou a volta.
A istória do Brejal
não se sustenta no todo ou em partes. No
todo, porque tem um "enredo" sem a mais
mínima consistência, a tentativa
poética é lamentável, a de
filosofia ridícula. Em partes porque, no
livro, praticamente, não tem uma frase
que não seja errada em si mesma ou incoerente
em relação a outras mais adiante
ou mais pra trás. E, perto da estrutura
dos personagens do Brejal,
os personagens da Praça da Alegria,
da televisão, são obras-primas de
criação psicológica, heróis
do Guerra e Paz.
Brejal dos Guajas
só pode ser considerado um livro porque,
na definição da Unesco, livro "é
uma publicação impressa não
periódica com um mínimo de 49 páginas".
O Brejal tem 50. Materialmente, Sir Ney salvou-se
por uma página. Contam os
íntimos que o "escritor" , depois
de vinte anos de esforço, bateu o ponto
final na página 50 e gritou, aliviado,
pra dona Kyola: "Maiê, acabei!"
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