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Livros lidos e vividos (de 1 a 100...)
1. Imortalidade, de Coelho Netto

Alguém aí ainda sabe quem foi Coelho Netto, o pequeninho escritor ''acadêmico'' que, no início do século (o outro, o XIX), disputando com o ''revolucionário'' Graça Aranha, na Academia de Letras, gritava, no ombro dos colegas, como slogan de campanha: ''Sou o último dos helenos!?''

Torcedor do Fluminense, morando ali perto da sede do clube, e, not the least, pai de João Coelho Netto, o Preguinho, atacante imortal do glorioso tricolor. Preguinho foi o maior atleta do seu tempo, campeão, além do futebol, de pólo aquático, basquete, voleibol, saltos ornamentais, atletismo, natação, remo e... hóquei sobre patins! Tudo amador.

E, aperte os cintos, Romário. Na época, no futebol, marcou 187 gous.

Bem, mas deixa eu voltar ao pai. Coelho Netto foi o escritor mais lido do seu tempo, embora lê-lo só fosse possível com um bom dicionário ao lado. Li Imortalidade por volta dos 15 anos. O herói era um personagem que tomava um fluido qualquer e só despertava séculos depois (Rip Van Winkle?) apenas pra me mostrar, pela primeira vez, o terror metafísico da imortalidade. Pior do que a mortalidade, que temos assegurada e que nos dá apenas medo.

Muitos anos depois encontrei o romance e tornei a lê-lo. O fascínio tinha desaparecido. Quem estava certo: o primeiro ou o segundo leitor?

Mas tenho saudade daquela linguagem difícil, no tempo em que escrever difícil era escrever bem, e entender o difícil era superioridade moral.

sobe
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