Eros
uma vez...

Um
dia, Aphrodite, posteriormente fonetizada para Afrodite
(e traduzida para Vênus), não agüentou
mais. Chamou o filhinho, Eros, conhecido também
como Cupido, e disse:
-
Pombas, qualé? Que é que adianta ser
Deusa e linda, se toda hora tenho que entrar em concurso
pra ver se ainda sou a maior? Agora é essa
tal de Psychê! Vai lá e dá uma
flechada nela, meu filho.
Cupido
ainda tentou sair pela tangente:
- Por que, mamãe? Chama o Papai, que é
o Deus da guerra.
Mas
a mãe, venérea como era, apenas mandou
que ele xarape a boca e obedecesse.
Eros,
assim que avistou Psychê, caquerou-lhe uma flecha
nos cornos, mas era tão ruim de pontaria que
a flecha acertou-o no próprio coração.
Desesperado de amor auto-infligido, Eros mesmo assim
esperou a noite ficar bem negra pra possuir Psychê
sem ser visto pela mãe, pelo público
e – pasmem! – até pela própria
atriz convidada, que, contudo, diante da performance
dele, exclamou, gratificada:
-
Rapaz, sinceramente, nunca vi nada mais erótico!
Porém,
as irmãs de Psychê, chamadas Curiosidade,
Perfídia e Prospecção, começaram
logo a envenenar as relações da irmã
com aquele desconhecido, afirmando que devia se tratar
pelo menos do Corcunda de Notre-Dame ou do Homem Elefante
na versão original. Curiosidade dizia:
-
Se ele não se assume, é porque tem medo
das grandes claridades. Vai ver, ele é o Eros-Close.
Perfídia
ajuntava:
-
Uma noite, manda Celacanto em teu lugar. Evita maremoto.
E
Prospecção concluía:
-
Mata ele. Um pouquinho só. Se é Deus
como diz, depois ressusita em forma de butique.
Psychê
não resistiu às más influências,
e uma noite entrou na câmara escura em que Cupido
dormia, levando uma lamparina numa mão e uma
adaga na outra: “Vou lhe fazer um teste sexual
pré-olímpico e depois enfio esta adaga
em seus boIEROS.” Porém, quando a luz
bateu em Cupido, e Psychê viu aquele gatão,
ficou tão excitada, que... Nesse momento, porém,
uma gota de óleo da lamparina caiu no ouvido
de Eros, que acordou assustado, saltou de lado e desapareceu
para sempre.
Durante
dez anos, Psychê procurou em vão o seu
amor. Afinal, subiu ao Olimpo pela escadinha dos fundos
e implorou a Aphrodite:
-
Minha querida sogra, por favor, me dá de volta
Cupido, que perdi por ser muito cúpida.
Ao
que Aphrodite respondeu:
-
Está bem, vou te dar três tarefas. Se
cumprir as três, eu te devolvo meu filho. 1ª
tarefa) Enfiar o dedo no nariz de outra pessoa com
o mesmo prazer com que enfia no seu. 2ª) Transformar
85 torturadores da polícia em outros tantos
perfeitos democratas. 3ª) Descer aos infernos
e me trazer a caixa preta (também conhecida
como Boceta) de Pandora.
Psychê
desprezou as duas primeiras propostas, pegou o primeiro
buraco de tatu pro inferno e trouxe consigo a tal
coisa de Pandora. Mas, no caminho pro Olimpo, não
resistiu e resolveu olhar o que tinha na caixa. Imediantamente,
de dentro da caixa fugiram todos os males do mundo
– a inveja, a preguiça, o colégio
eleitoral e o jornalismo brasileiro -, e Psychê
desmaiou. Eros se materializou no mesmo momento, mais
apaixonado do que nunca, e, olhando na caixa, viu
que nem tudo estava perdido. Bem no fundo, escondidinha,
lá estava a esperança. Por isso ele
se casou com Psychê e tiveram três filhas
– Volúpia, Titila e Tara – e três
filhos – Aconchego, Deleite e Orgasmo.
MORAL:
A PSYCHÊATRIA NÃO RESISTE À CUPIDEZ.