Os irmãos Antonio Cicero e Marina Lima são os autores de um dos mais belos
versos da poesia brasileira contemporânea, que é : "Você me abre seus braços e a gente faz um país". São versos que servem para iluminar a vida de seus primeiros antepassados conhecidos, ilustrando o romance de sua linhagem, que
emerge da obscuridade na cidade portuguesa de Ponte de Lima, com Leonel de
Lima (1403-1495), primeiro visconde de Vila Nova de Cerveira. O nome da
família foi tirado da cidade e esta por sua vez, tirada do rio, que buscara
no árabe "laymun" (limão).
A família já possuia importância, a trisavo de Leonel de Lima era d. Teresa
Henriques, irmã de Afonso Henriques, fundador de Portugal. Mas a figura
dominante desta linhagem e a trasmontana Leonor Telles de Menezes, avó
materna de Filipa da Cunha, esposa de Leonel de Lima, de quem descendem os
Correias Limas cearenses.
D. Leonor Telles vivia na província, casada com o fidalgo João Lourenço da
Cunha, morgado do Pombeiro. Um dia, d. Leonor resolveu visitar a irmã d.
Maria Telles, que era casada com o infante d. João, herdeiro do trono
português. Antes de prosseguir, permita-nos destacar o seu retrato feito na
época: "bem manceba em fresca idade, e igual em grandeza de corpo; havia
loução e gracioso gesto e todas as feições do rosto e direito que a
formosura outorga; tal que nenhuma por então era a ela semelhável em bem
parecer e dulcidão de fala..." É melhor parar, se não me apaixono...
Pois foi isto que aconteceu. O rei de Portugal, d. Fernando, o "Formoso",
meio-irmão de d. Joao, apaixonou-se por ela. Sentindo que João e Maria
podiam atrapalhar a sua chegada ao trono, armou um complô, em que o Infante
matou a esposa d. Maria Telles. Leonor, bem, ela casou-se com Fernando. O
Morgado, seu ex-marido, fugiu amedrontado para Castela, onde acrescentou
bem-humoradamente ao seu brasão, uns cornos de ouro. O conflito familiar
tomou proporções tão grandes que Castela chegou a invadir Portugal.
Mas voltando aos Correias Limas, um neto de Leonel de Lima e Filipa da
Cunha, Fernão Correia Lima foi um dos povoadores de Sergipe. O tempo passou
e seus descendentes chegaram ao Ceará. Ali, Maria Francisca Correia Lima,
desta estirpe, casou-se com Alexandre da Silva Mourão (Estes Mourões são os
mesmos do grande poeta Gerardo Mello Mourão, autor de uma obra extremamente
original, marcada por seu imenso amor ao clã), e foram os pais de Manoel
Cicero Correia Lima.
Manoel Cicero Correia Lima, cearense, mudou-se para o Piaui, onde era
farmacêutico. Notava-se pela inteligência e principalmente a sua inclinação
para a música. Tocava clarinete e ensinava vários instrumentos. Ele casou-se
com a prima Raquel Correia Lima, e teve um filho, José Cicero, que lhe
herdou o talento musical; e outro, Antonio Cicero, por quem prosseguiu a
geração.
Antonio Cicero Correia Lima, dentista, casou-se com Edite Martins Viana, e
teve o filho Evaldo Martins Correia Lima, economista, este casou-se com
Amelia Maria Burlamaque Cunha (O poeta Vinicius de Moraes era neto de um
Burlamaque). O casal teve os filhos Roberto, Antonio Cicero e Marina.
E Marina (o nome de uma virgem
cristã martirizada na época de Adriano, na mesma região onde surgiram os
Limas) Burlamaque Correia Lima, nascida no Rio de Janeiro, a 17 de setembro
de 1955, é elegante e tão bela como sua ancestral d. Leonor Telles.
por:
Sociedade Genealogica Judaica do Brasil
Guilherme Faiguenboim
Paulo Valadares
Annarosa Campagnano
Alain Bigio