JB - Você acha que algumas pessoas fazem sexo melhor que outras?
: Acho. Algumas pessoas são mais soltas, e essas coisas contam muito nos primeiros encontros. Mas acho também que existe uma química, um jogo onde duas pessoas se conhecem, se espreitam, quase que como dois bichos, tentando adivinhar o jeito de um e de outro...Talvez essas sejam as melhores "transas": quando os dois têm esse trabalho, esse interesse em manter a cama quente.
JB - Por que as pessoas exigem fidelidade no amor?
: Essa questão é a mais intrigante para mim. Primeiro, acho que a gente confunde fidelidade com lealdade. É muito importante a cumplicidade, a lealdade, não mentir um pro outro. Mas quanto agüentamos ouvir? Queremos a verdade, mas agüentamos ouvi-la? Até onde o limite do parceiro corta a minha liberdade? Qual o critério a ser usado? Ao mesmo tempo em que temos horror da solidão, não suportamos perder nossa liberdade. Acho fundamental as pessoas se perguntarem sobre essa questão, pois os problemas começam aí. E já sabemos que as mulheres ainda não sabem perdoar. Mas e os homens? Já sabem?
JB - O que você acha da relação amorosa com grande diferença de idade entre os parceiros?
: Ao contrário do que dizem, acho que, se essa relação acaba, são os mais velhos que sofrem mais. As pessoas mais novas ainda não têm tanta noção de tempo, de finitude, de morte. Fica mais fácil partir pra outra, sem maiores danos ou conseqüências. Mas muitas dessas relações duram bastante tempo, e ainda mais quando há interesses em jogo: tipo filhos, grana, etc. Eu, por razões pessoais, não acredito mais nessas relações, prefiro apostar em pessoas da minha idade. Mas essa é uma ótica absolutamente particular, que não serve como exemplo ou regra pra ninguém.
JB - Qual a melhor maneira de reconquistar uma pessoa?
: Não sei se é possível reconquistar alguém. O ser humano em geral é muito vaidoso, e quando passa por experiências dolorosas, não desejadas, fica ferido. Sempre vem o famoso "troco": magoar quem te magoou, ferir quem te feriu. Então fica difícil retomar a relação sem ressentimentos. Falta uma leveza que faz bem e que encanta, principalmente no início das relações.
JB - Você acredita que daqui a algum tempo vão predominar as relações bissexuais?
: Não sei se isto será possível. Mas acho que seria um progresso. O mundo é feito de muita gente interessante, divertida, sensual. Com certeza seria mais atraente viver num mundo assim, onde as pessoas pudessem experimentar seus desejos e curiosidades sem tanta culpa ou medo...
(Entrevista publicada no JB em 16 de Maio de 1999, na coluna "Conversa na varanda". A coluna sai aos domingos no caderno Estilo de Vida, e é escrita por Regina Navarro Lins)
