Home
O Dia
Nua

A cantora Marina tenta superar depressão e problemas com a voz posando sem roupa para a ‘Playboy’
(por Gustavo Leitão - Jornal O Dia 01/Nov/1999)

Marina Lima é tímida, mas a inibição não a impediu de posar nua em pêlo. O resultado chega às bancas no próximo dia 9 com o ensaio de capa da Playboy de novembro. Em 32 páginas, marca histórica da revista, a cantora revela sua nudez pela primeira vez na carreira. A atitude marca uma nova fase na vida da cantora, que nos últimos três anos se afastou dos palcos e estúdios, acometida de uma crise de depressão que a fez perder a voz."Foi um movimento de sair da toca onde me enfiei por tempo demais devido a uma depressão. Acho que a Playboy vai me ajudar a recuperar a auto-estima”, revela.

Convidada várias vezes durante a carreira para posar nua, desta vez foi a própria Marina quem procurou a revista. "Neste momento, a vaidade e a feminilidade estão contando alto. Não dava para esperar mais”, diz ela. De cara lavada e sem um adereço sequer, a cantora se despiu também do glamour dos ensaios da revista. "As fotos são simples, não têm nada de mirabolante nem efeitos especiais”, adianta Marina. A única peça de roupa incluída no ensaio foi uma calcinha branca.

A carioca Marina escolheu fazer as fotos perto de casa, em um casarão do fim do século passado, em Laranjeiras. "O Rio tem a minha cara”, justifica. Vinte dias antes da sessão, ela e o fotógrafo Murilo Meirelles participaram de um ensaio privê na casa dele para quebrar o gelo. Mesmo assim, na hora H, a tal timidez voltou à cena. "Por isso, fizemos as fotos como se fossem flagrantes”, explica Murilo. A sessão durou quatro dias e foram feitas 1.600 fotos.

Ainda afastada da vida artística, Marina sonha com um recomeço no ano que vem. "Vou voltar a fazer shows e pretendo gravar um CD ao vivo”, promete. O CD deve trazer a dúzia de canções que ela vem compondo desde que ficou sem voz em conseqüência de uma depressão – Marina chegou a fingir que estava com calos nas cordas vocais. "Não será nada do tipo revisão de carreira. Não tenho paciência para isso”, diz. Reticente ao falar sobre a crise, Marina só revela que seu período negro não teve nada a ver com uma desilusão artística, mas com algo "pessoal". "Estou ficando boa, voltando a acreditar na vida, nas pessoas, no amor”, revela. "Quando se acredita na vida, dá vontade de cantar".

Dinheiro e exposição

CACHÊ
Marina admite que o cachê que recebeu da revista – ela não revela quanto ganhou – contou na decisão de tirar a roupa. "Aprendi com a vida que dinheiro é fator decisivo para o bem-estar das pessoas. Ainda mais quando não se tem papai nem mamãe para sustentar a gente”, conta a cantora. "Mas quando resolvi posar, foi realmente uma decisão pessoal, um movimento interno de querer me expor", diz.

PARCEIRA
A escritora Fernanda Young, autora de Carta para Alguém Bem Perto, é a mais nova e freqüente parceira de Marina. Juntas, elas compuseram duas músicas, ainda inéditas, que a cantora pretende incluir no próximo CD: Estou Assim e Sem Nem Pensar. Também é Fernada quem assina o texto do ensaio da Playboy. "O texto dela é intenso”, elogia Marina.

CANTO
"Minha voz é o retrato de minhas crenças. Nunca havia perdido a voz porque nunca havia perdido a identidade. Eu precisei apanhar para aprender. Mas estou aprendendo", diz. Recentemente, Marina voltou a freqüentar aulas de canto.

FORMA
"Quando se tem dinheiro é fácil se cuidar: existem milhões de cremes, academias, médicos... Mas se a grana é curta, meu conselho é o bom senso. Comer coisas saudáveis, se exercitar e ter uma aparência limpa é fundamental”, ensina. Marina já praticou surfe, body-boarding e windsurf. Hoje, faz ginástica e bioenergética.

POP
"Tenho ouvido o Maurício Manieri. O pop é o que tem me atraído”, afirma. O último CD de Marina, Pierrot do Brasil, foi Lançado em 98, no meio do furacão emocional da cantora. A voz de Marina mostrava sinais de desgaste. Neste ano, a gravadora Som Livre lançou 1 Noite e 1/2 Remixes, com arranjos para hits da cantora.

Home