MC - Ele foi o único homem importante na sua vida?
: Não, mas foi o primeiro com quem pensei em casar e ter filho.Tive dois homens muito fortes na minha vida. O Ricardo, que é diretor de TV e um outro, diretor também. Eu gosto de diretor.
MC - A vontade de ter filho continua?
: Não descarto a idéia de um dia adotar uma criança. Mas quando decidi não ter filhos, três anos atrás, parei de sofrer com isso. O auge da doença é quando você está numa dúvida e não consegue decidir nada. O que eu quero? Quem sou eu? Não dá para levar a vida sendo a garota de Ipanema, eu não acredito nisso. Uma hora você cresce. Aí não tem mais pai e mãe, é você quem tem que se responsabilizar por todos os seus atos.
MC - O que orienta você hoje, depois de passar a vida a limpo?
: Aquilo que eu tenho em comum com as pessoas.Tenho amigos de todas as idades, desde 17 anos até gente bem mais velha que eu. Às vezes você pensa que só pode se dar com pessoas iguaizinhas a você, e não é nada disso! Tem muita gente bacana para fazer várias coisas diferentes. Passei a acreditar na amizade e sobretudo no amor. A vida sem amor é uma desgraça.
MC - Você não gosta de ficar sozinha?
: Isso não me mete mais medo. Eu estou sozinha e minha vida está muito boa. Estou gostando de ficar na minha casa com os meus três cachorros [ela mora numa cobertura na Lagoa com três empregados que se revezam e uma família de poodles]. É a primeira vez que tenho uma casa para mim e não para o outro. Antes, tudo o que eu fazia para mim na verdade não era para mim. Eu estava sempre esperando alguém chegar.
MC - Uma típica romântica?
: É, acho que são os modelos de relação que a gente tem. Eu adoro aquela psicanalista que escreve no Jornal do Brasil, a Regina Navarro. Ela diz que o que estraga a gente é essa expectativa herdada da família, a crença de que para ser feliz tem que encontrar alguém. Isso tudo está errado!
MC - O que está errado?
: Essa idéia de amor de romance ideal, tá tudo errado! Essa psicanalista fala que se a gente perceber que tudo o que foi ensinado para nós é ilusão, é mentira, a gente pode ser feliz de uma forma bem mais realista.
MC - Parece que a vida toda você esperou alguém chegar e quem chegou foi você.
: É isso!. Fui eu que cheguei, entendeu? E posso até receber alguém, não porque eu preciso, mas porque eu quero, porque vai ser um prazer e porque eu tenho coisas bacanas para oferecer. Se daqui a pouco eu começar a namorar acho que vou ser uma puta companhia, porque não estou esperando ninguém para salvar a minha vida. Eu estou bem, vou querer me divertir usufruir da alegria que conquistei.
MC - Você não sentiu saudade quando esteve longe dos palcos?
: Quando estive longe, eu sentia era medo.
MC - Ao se transformar, achou que poderia perder seu público?
: Não, acho que sempre há público para um trabalho competente. Não confio só na minha transformação, confio na das pessoas também. Sou artista porque subo no palco, mas, para mim, qualquer pessoa de talento de qualquer profissão pode ser criadora. E sei que toda pessoa criadora está em transformaçâo.Tem músicas que eu gravei e que resistiram a tudo, continuam no meu show, e tem outras que não resistiram, porque eu mudei.
MC - Dar uma pausa na carreira não criou problemas com a sua gravadora?
: Sabe que não? Já mudei de gravadora três vezes e acho normal, porque tenho muito tempo de carreira. Agora estou na Universal. No meio musical, como em qualquer profissão, existem crápulas e existem os bons homens de negócio. Esses entenderam que eu precisava parar que não havia outra alternativa. Foi engraçado. Quando estreei o novo show em Belo Horizonte esses homens de negócio da gravadora foram assistir e ficaram loucos, surpresos com o que viram. Depois do show, fomos jantar e tomamos um porre de vinho. Eu e mais quatro. De certa forma, tivemos um "happy end". Eles viram que pode valer a pena esperar Mulher aprende a esperar desde pequena, mas homem não sabe.
MC - Como foi que você administrou as finanças nesses seis anos sem fazer show?
: Posei nua para a "Playboy"! [risos]
MC - Foi só por dinheiro mesmo? Não teve vaidade?
: Claro que teve. Foi por dinheiro, vaidade e prescrição médica.
MC - Como?
: É brincadeira [risos]. Eu estava fazendo tratamento para depressão com um psiquiatra maravilhoso, competentérrimo, um homem muito bem-humorado. Cheguei lá perdida e depois fui me abrindo. Um dia contei que já havia sido convidada para posar nua, mas eu tinha uma coisa moralista, ficava preocupada com o que os outros iam pensar. E ele disse: "Fala que é prescrição médica!"
MC - O convite apareceu em plena depressão e você topou?
: Fui eu quem me convidei. Na verdade, eles me convidaram a vida inteira. Eu sempre recusei. Dessa vez pedi para minha advogada ligar lá e dizer que eu queria. Aí ficaram todos desconfiadérrimos. Queriam me encontrar para ver se eu estava inteira. De repente eu estava caquética, não é? Eu queria provar que uma mulher de 43 anos pode estar bem,
MC - Você não ficou tímida na hora de tirar a roupa?
: Eu sou tímida. Não fiquei mais tímida só porque estava nua. O fotógrafo era meu amigo e combinamos de fazer uns testes antes, na casa dele mesmo. Durante as fotos, a gente ia falando "isso tá bom , assim é cafona" etc.
MC - Vocês se advertiram?
: Muito. Fiz até umas poses bem cafajestes... [risos]
MC - Ouanto você pediu para posar nua?
: Ah, não vou dizer.
MC - Valeu a pena?
: Claro que valeu! Não só pela grana. Fez um bem enorme pra minha auto-estima. Agora eu sou paquerada de novo.
MC - Mas você é bonita e famosa. Acha que é paquerada só porque posou nua?
: Eu acho que teve a ver sim. Tem uma espécie de preconceito, de que uma mulher só pode ser paquerada quando tem 18, 20 anos, no máximo até uns 32. Depois fica velha. Eu não concordo, claro. Estou voltando à cena com 45 anos, muito potente, e me sinto no jogo.