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Marina: De Bem com a Vida
(Shopping Music - Dez/2000)
A cantora Marina Lima, um dos grandes nomes surgidos no cenário pop brazuca dos anos 80, acaba de lançar o CD Sissi na Sua. Gravado ao vivo em São Paulo, em outubro, no Direct Music Hall, o álbum traz antigos hits e algumas canções inéditas. Superados os problemas pessoais e profissionais que viveu nos últimos cinco anos - período em que se afastou dos palcos -, ela garante que está iniciando uma nova fase em sua carreira. Cheia de otimismo, alegria e alto astral. Confira: Vem chegando o verão, um calor no coração... Essa magia colorida... São coisas da vida!” Esse bom astral da contagiante “Uma Noite e 1/2” - um dos grandes hits de Marina Lima nos anos 80 -, havia tempo que andava ausente dos discos da cantora carioca. Hoj e, depois de uma fase brava em sua vida pessoal e profissional, ela volta a respirar uma brisa de otimismo e de alegria. Movida pelos bons ventos, em dezembro Marina está lançando Sissi na Sua, seu mais novo disco, registrado ao vivo em São Paulo. “O álbum foi gravado no Direct Music Hall (antigo Palace), uma casa que eu adoro, durante minha temporada em outubro”, comenta a cantora, que está completando 21 anos de carreira. É a volta por cima de uma artista que estava afastada dos palcos desde 1994, devido a problemas de ordem emocional. Explica-se: no ano seguinte, após as gravações do álbum Abrigo (95) -, em que interpreta outros compositores -, Marina sofreu uma crise de depressão, que culminou com a perda de sua voz, quando se preparava para a turnê. Voltou a fazer shows somente agora em 2000 e já passou por cidades como Juiz de Fora, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Quando se perde a identidade também se perde a voz, associou certa vez Marina. A estação de inferno, ou melhor, o inverno astral, durou at é o ano passado. Mas no meio dessa tormenta a cantora ainda lançou Registros à Meia-Voz, em 96, e Pierrot do Brasil, em 98. Neles, levou sua vida para as canções, outra prova de autenticidade. Que, aliás, em outras épocas já lhe rendeu desentendimentos com músicos, produtores e gravadoras.

Os dois discos, então, se tornaram retratos musicais de anos difíceis, dolorosos e melancólicos da vida da cantora. O primeiro apresentava a fragilidade de suas cordas vocais e marcava a despedida da gravadora EMI, onde chegara em 93. Pierrot do Brasil, por sua vez, falava da sua ausência, justificava a “saída de campo” temporária e registrava o retorno à companhia onde viveu os melhores anos de sua trajetória: a Polygram - hoje Universal Music -, pela qual gravou os álbuns Fullgás (84), Marina (85), Todas (85), Todas Ao Vivo (86), Virgem 87), Próxima Parada (89) e Marina Lima (91). “No Pierrot resolvi mostrar até mesmo minha dor. E mostrei. É isso, era o meu momento. Agora, estou me sentindo ótima e vivendo muito bem com minha vida pessoal e profissional”, afirma. “Em Sissi canto canções que adoro, além de algumas novas. Não pensei em nada temático. É um disco de bem comigo e com a vida”, esclarece. Para voltar à ativa, Marina recorreu a um bom psiquiatra, encarou sessões de fonoaudiologia e voltou a fazer aulas de canto. “Depressão é uma coisa que acontece a qualquer pessoa, toma-se remédio e ela passa”, analisa. Outro passo fundamental para a retomada de sua carreira e auto-estima, foi a decisão de mostrar suas formas na revista Playboy, no fim de 1999. “Isso na verdade foi como uma prescrição médica. Ajudou muito, muito mesmo.” Tida como uma figura tímida, a cantora de 45 anos - ex-surfista que hoje se entrega aos prazeres da ginástica bioenergética - finalmente resolveu tirar a roupa e posar para a famosa publicação, que já assediava a cantora desde outras temporadas.

Ano passado, porém, foi ela quem procurou a revista sugerindo o ensaio. Segundo ela, chegara o momento ideal para encarar esse desafio. “Me senti muito à vontade, porque eu escolhi o Murillo Meirelles para fotografar. Precisava ser uma pessoa em quem eu confiava para poder ter feito essas fotos”, confessa. Marina Lima nunca revelou a cifra, quer dizer, o cachê, que impulsionou tal feito. Na época, porém, ela declarou que a grana deu uma aliviada bem legal nas suas finanças. “Não tive dificuldades financ eiras, só não podia gastar à vontade. Graças a Deus, deu tudo no tempo certo.” O fato é que, além de fazer seu pé-de-meia e expor sua feminilidade, o ensaio da Playboy serviu para quebrar o gelo emocional, aquela tensão que a estava perseguindo. A partir dele, Marina garante que ficou mais relaxada. Hoje - fã de Marcelo D2, Skank, Pato Fu, Maurício Manieri, Madonna, Sting e da cantora canadense k.d. lang - Marina Lima garante que o disco Sissi na Sua é um recomeço cheio de alegrias. Mas será que ela está definitivamente recuperada? Quem responde é a própria Marina: “Com certeza. Aprendi com aquele momento que aquilo que não te mata fortalece e voltei mais convicta da minha escolha artística e com muita saudade do público e do palco. Agora, é só alegria...”

Disco Novo, Gás Total

A idéia de gravar um disco ao vivo partiu da gravadora. “Mas eu adorei, porque adoro o show”, afirma Marina. “Além disso, meu único CD ao vivo foi realizado em 1986 ( Todas Ao Vivo). Então, achei que seria maravilhoso.” E assim foi. Sissi na Sua traz novas roupagens para antigos sucessos da cantora, como “Virgem”, “À Francesa”, “Pra Começar” (tema da Novela Roda de Fogo, exibida na Rede Globo em 1986), “Fullgás”, “Acontecimentos” e “Nem Luxo Nem Lixo”, entre outros. No repertório do CD, ainda surgem três canções inéditas. “Uma delas é ‘Mel da Lenda’, parceria minha com o músico William Magalhães. Já compus com ele várias vezes e eu adoro. Ele toca teclados comigo na banda”, diz. As outras são “Sissi” e “Estou Assim” , dobradinhas com a escritora Fernanda Young, responsável pelos textos que acompanharam a nudez de Marina ano passado, na Playboy. “Ela é minha mais nova parceira e amiga. A Fernanda também colaborou, especialmente, na elaboração do show. Trata-se de uma escritora talentosíssima que eu admiro muito. É mãe de gêmeas, sendo que uma delas é minha afilhada. Tenho certeza que essa parceria vai longe”, revela. As três canções inéditas estarão presentes nas duas versões que chegarão às lojas: no disco simples (com 14 faixas) e no CD-duplo (com 21 faixas). “O disco duplo sairá com todas as músicas e textos do show”, explica. No novo trabalho, ela passou a bola d a produção musical para a dupla formada por Edu Martins (baixista de sua banda) e Luís Paulo Serafim (engenheiro de gravação e mixagem). O espetáculo que ela vem apresentando pelo País - que gerou o novo CD -, em breve poderá ser visto pelos conterrâneos cariocas, entre os dias 14 e 17 de dezembro, no Canecão.

O Começo

Entre os 7 e os 18 anos, Marina Lima morou nos Estados Unidos. Foi lá, inclusive, onde começou a tocar violão, influenciada pela bossa nova de Tom Jobim e João Gilberto, que já começava a fazer sucesso em terras yankees. “Adoro bossa nova. Mas sou apaixonada mesmo é pela Elizete Cardoso”, confessa. A cantora fez sua estréia no mundo do disco, apadrinhada pelos tropicalistas Caetano, Bethânia e Gil, em 1979, com o álbum Simples Como Fogo (Warner). Antes, Gal Costa havia registrado, em vinil, uma música

Como foi Sissi na Sua

Depois de seis anos longe dos palcos, Marina Lima finalmente estreou um novo espetáculo em São Paulo - Sissi na Sua, que rolou dia 14 de setembro no Directv Music Hall. Com a casa cheia, Marina foi bem-recebida pelos fãs quenão paravam de gritar seu nome. O show teve um ar teatral, com marcações de cena, projeção de vídeos, belíssima iluminação e cenário móvel, que a cada música dava nova cara ao ambiente. No repertório, vinham canções conhecidas do público e outras dos últimos dois CDs, que não foram muito trabalhados na mídia. Marina entrou no palco vestindo um macacão az ul e com sua guitarra em mãos cantou “Pierrot”, música de seu trabalho anterior, Pierrot do Brasil. A cantora trocou de roupa duas vezes durante o show e chegou a ser amarrada por um figurante numa camisa de força antes de tocar “Nem Luxo Nem Lixo”, música de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Nessa hora, o cenário se abriu e a cantora foi para uma espécie de quarto tentando se soltar das amarras.

Na música “Irremediáveis Imortais” luzes desceram do teto, e apareceu um bar ao lado direito do palco, onde Marina bebeu vinho e brindou com o público. Tudo bastante intimista. Foi, então a vez de “Síssi na Sua” e sua batida techno mostrarem o lado dance da cantora, deixando claro que ela ainda tem muita bala na agulha. Mas, não se iludam! Apesar da escorregadinha para o lado da música eletrônica, Marina continua uma roqueira de mão cheia. (Patrícia Cichini)

Bonecos Famosos

O novo clipe de Marina Lima, da música “Sissi”, terá animações de bonecos que são conhecidíssimos das últimas gerações de adolescentes. O videoclipe será estrelado por personalidades como a famosa Suzy, Ken (o namorado da Barbie, a boneca concorrente) e Falcon, o herói militar. Eles contracenarão com uma “Marininha”, que vai pintar na telinha com tatuagem e tudo o mais que remete à cantora pop. Marina fez para a gente uma espécie de sinopse do vídeo. Aí vai: “O clipe de ‘Sissi’ tem direção da Monique Ga rdenberg, figurino de Marcelo Pies e maquiagem de Marcos Padilha. Foi feito com esses bonequinhos e se passa num club onde todos dançam e rolam paqueras. E tem a Marininha, que foi criada com a roupa igual à minha. Imagens minhas e dela se intercalam no clipe. Ah, e tem também uma transformação no banheiro, quando viramos louras, só para paquerar mais e não sermos reconhecidas”, explica.
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