Fallabella: Nossa entrevista de hoje é uma entrevista musical e do coração. Rainha absoluta do glamour urbano, há anos ela vem fazendo os nossos corações cantarem, os nossos corações sorrirem, e traduz como ninguém o amor das grandes cidades.
Marina Lima
Ouça aqui a entrevista (.MP3)
: Obrigada pela apresentação tão linda.
Fallabella: Como a música entrou na sua vida, Marina
: Entrou muito cedo, aos 5 anos. Eu ganhei um violão, morava fora do Brasil em Washington DC, e o violão começou a me aquecer. Eu sentia saudades, nasci em Ipanema, morava em frente a praia e de repente fui para os Estados Unidos, o inverno, sei lá quantos graus abaixo de zero, sentia aquele choque térmico e cultural.
Fallabella: E a relação musical com seu irmão vem dessa época?
: Ao contrário, a gente não se dava. Eu tenho dois irmãos. Eu sou a mais nova, tem o Cícero que é 10 anos mais velho que eu e o Roberto que é o do meio. Mas quando a gente é criança, 10 anos faz muita diferença. Ele vai ficar indignado... mas a gente não se dava muito, nasci eu caçula, mulher, eu acho que ele tinha um pouco de ciúmes, ele implicava muito comigo, mas ele sempre foi muito inteligente e anos depois, novamente em Washington, quando eu tinha 20 e ele 30, ele fazia poesia, e eu já tocava melhor violão, já queria estudar regência, então eu roubei um poema dele, porque eu vi que a gente tinha assuntos em comum, assuntos emocionais, de paixão, aqueles assuntos tinham a ver com a minha vida. Então foi a música e a poesia dele que nos aproximou.
Fallabella: E você voltou nessa época prá ficar?
: Quando eu voltei com 12, eu fui estudar numa escola americana na Gávea, porque eu não sabia português. Quando eu voltei de novo para os Estados Unidos, mandei uma fita para o Brasil de lá, já com canções minhas e do Cícero, e a tia Lea recebeu a fita e me ligou dizendo prá eu vir pro Brasil tentar entrar em alguma gravadora. Aí eu voltei com 18 anos e acabei assinando um contrato.
Fallabella: E qual foi o teu primeiro estouro popular?
: Uma canção que eu cantei em dueto com Caetano Veloso, que ele fez prá mim, que tocou bastante na rádio, e que o Caetano sendo bastante conhecido e generoso também, pelo fato de cantar comigo chamou a atenção para a minha figura. Fullgás eu acho que foi o primeiro sucesso meu independente que chamou a atenção do público e da crítica. A partir do disco Fullgás é que minha carreira decolou.
Fallabella: Como é que é Marina?

: Sua introdução traduziu bem, pegou bem a alma do negócio. Nós não somos pessoas muito óbvias, nem pessoas que seguiram uma linha esperada. Eu não casei e nem tive filhos, ao mesmo tempo eu gosto e aprendi a conviver comigo. E descobri que me torno uma pessoa melhor me entendendo melhor, e não dependendo tanto do outro. Então eu acho que a solidão é um ponto de partida para a coisa social, então tem que começar aqui com a gente. Então as pessoas falam muito disso, não se lamentando mas como um ganho, um aprendizado prá se ter uma relação melhor com os outros, com a amizade, amor etc.
Fallabella: Vamos falar um pouco de Pierrot do Brasil. É um trabalho totalmente novo?
: É um trabalho novo. Sabe que tudo isso que eu te disse, bom eu entrei numa crise enorme, pessoal e profissional. Acho até que posso ajudar um pouco os outros, porque numa crise tremenda como essa, deve ser essa coisa dos 40 anos, que é um outro ciclo, a vida muda um pouco, mas é uma perspectiva diferente e interessante, mais adulta onde os antigos truques não dão mais certo, então tem que repensar tudo isso. Mas o que eu sinto depois de lançar esse disco, que é a partir de uma crise, é que muitas pessoas entenderam e me ligam... porque a gente tem medo de viver essas crises, viver essa relação em carne viva, direta consigo próprio. Medo de não se gostar também.