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História
Divulgação/Comtur
Bonito MS
Ruínas
no parque turístico da Bodoquena
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Confira
o texto Maria Antonietta Castro Pivatto*
que versa sobre a história da cidade.
....."Bonito
tem suas origens na história da formação
do município de Miranda, ligada à expansão
espanhola do século XVI no vale do Paraguai, como ponto
de apoio às expedições que pretendiam
alcançar as minas do Peru. Em 1580 Ruy Dias Melgarejo
funda a primeira cidade de Santiago de Xerez às margens
do rio Mbotetei (rio Miranda). ......Após
vários conflitos com os índios que habitavam
a região, o povoado muda-se para as margens do rio
Mondego (Aquidauana), permanecendo apenas algumas famílias
que conviviam pacificamente com os indígenas. Esse
relacionamento amistoso facilitou a implantação
da Missão Itatim, que foi alvo constante de ataques
de bandeirantes paulistas e colonos espanhóis que pretendiam
aprisionar os índios e mestiços aldeados para
escravizá-los.
.....Com
a descoberta de ouro em Cuiabá a Coroa Portuguesa expulsa
os espanhóis da região do vale do rio Paraguai.
O Presídio de Nossa Senhora do Carmo do Rio Miranda
foi construído em 1778 a mando do capitão-general
da Capitania de Mato Grosso, Caetano Pinto de Miranda Montenegro.
Um pequeno povoado começou a desenvolver-se em volta
do presídio, que em 1857 é elevado à
categoria de vila e passa a denominar-se Miranda, e em 07
de outubro de 1871 é elevada à categoria de
Município.
.....Durante
a Guerra do Paraguai (1865-1870), vários colonos e
fazendeiros ajudaram no abrigo e condução das
tropas até a região de fronteira. Também
os índios Guaicuru participaram dos combates. Após
o final da guerra, muitas pessoas que haviam fugido retornaram,
junto de novos colonos vindos de Minas Gerais, São
Paulo, Rio Grande do Sul e outras regiões. Muitas famílias
foram dizimadas pelos constantes ataques indígenas,
dificultando a criação de um povoado.
.....A
Fazenda Rincão Bonito, de propriedade do Sr. Euzébio,
foi adquirida pelo Capitão Luiz da Costa Leite Falcão,
que aqui chegara em 1869, com a missão de expulsar
os índios da região. O Capitão Falcão
foi o primeiro escrivão e tabelião do lugar,
incentivando a fixação dos primeiros moradores
da vila. Em 11 de junho de 1.915, a vila Rincão Bonito
é elevada a Distrito de Paz de Bonito, desmembrando-se
a área do município de Miranda, mas com subordinação
administrativa. Foi elevado à condição
de município em 02 de outubro de 1.948 (...)".
*Maria Antonietta Castro Pivatto é bióloga,
pós-graduada em ecologia e em turismo ambiental. Foi
guia de ecoturismo por mais de cinco anos em SP e região
e Pantanal e Bonito.
Lendas
Lenda
das 700 luas - houve uma época em que toda
a região da Serra da Bodoquena era habitada pela brava
e admirável nação indígena dos
Terena. Entre os valores que cultuavam, o amor se sobressaía.
Cacai,
a mais bonita de todas as jovens terenas pertencia a uma tribo
localizada próxima à Gruta do Lago Azul, mas
os guerreiros de todas as tribos já haviam ouvido falar
da índia e seus encantos.
.....Um
de seus pretendentes, um jovem cacique escolheu Cacai para
companheira e, como mandava a tradição, convidou-a
para o pacto das 700 luas. Nele noivo e noiva se conheciam
durante 700 luas e em seguida ambos decidiriam quanto ao casamento
(a resposta, positiva ou não era aceita respeitosamente
por outros membros da tribo), que ocorria na Gruta do Lago
Azul, onde eram pronunciadas palavras mágicas que só
os velhos terenas conheciam.
"...Transcorria
o namoro de Cacai com o jovem chefe da tribo, como era do
costume daquela gente, mas o "deus do destino",
que coloca os sentimentos no coração das pessoas,
tinha outros planos para Cacai. Certo dia caiu prisioneiro
daquela tribo um guerreiro estrangeiro. Tinha a pele clara
e carregava nos olhos um brilho que Cacai jamais vira. Os
seus cabelos castanhos apresentavam mechas brancas, revelando
que aquele guerreiro forte e ágil era quase um ancião.
Cacai cuidou de seus ferimentos, ensinou-lhe a sua língua,
conquistou a sua alma e... descobriu que ele era o verdadeiro
amor da sua vida.
.....Quando
as 700 luas passaram, a resposta de Cacai foi de que não
se casaria com o chefe da tribo. Ele, inconformado e enfurecido,
obrigou a realização do ritual, contrariando
a sagrada tradição terena. O pacto foi realizado,
e para desespero de Cacai, as palavras mágicas foram
pronunciadas. Não havia mais esperanças para
Cacai e seu amado. Qualquer mulher que quebrasse o sagrado
juramento tinha o seu coração traspassado por
uma fria flecha terena. Cacai sabia disso, mas sabia também
que devia obediência ao valor supremo do amor. Curvou-se
a ele. Naquele mesmo dia fugiram numa canoa, descendo o rio
Formoso. O cacique reuniu seus guerreiros e... Cumpriu-se
a maldição. O sangue de Cacai e seu amado foram
tornando a água do rio Formoso cada vez mais limpa
e quando a última gota foi derramada, todo o rio e
até seus afluentes estavam com a água cristalina
e transparente como fora o coração de Cacai
(...)"
(Autor desconhecido - in Comtur - e Redação).
Lenda
do Sinhozinho - Figura mítica, um homem considerado
santo por seus seguidores, Sinhozinho já se incorporou
à história e ao folclore bonitense. O "mestre
divino", curandeiro e milagreiro, senhor de barbas longas,
olhos e cabelos claros apareceu na região por volta
de 1944. "...Vestia um longo manto sob o qual seu braço
esquerdo permanecia sempre escondido, sem nunca ter sido visto.
Alimentava-se apenas de frutas, mandioca, peixe e mel, do
qual carregava sempre um frasco e molhava os lábios
constantemente. Não falava, comunicando-se apenas por
gestos que fazia para o alto (...).
. Sua mais famosa lenda é a da imensa serpente que
vive no subsolo da cidade, e que um dia sairá e acabará
com tudo, caso as pessoas não cuidem bem da natureza...
.....Durante
suas peregrinações pela região, construiu
várias cruzes de madeira que deixou fincada por onde
passava.
.....Por
ter arrebanhado inúmeros seguidores, e pelos seus poderes
de curar enfermidades, despertou a ira de autoridades e comerciantes
de medicamentos, que se tornaram seus inimigos. Foi preso
e morto, e diz a lenda que seu corpo foi esquartejado, tendo
cada membro jogado em um dos rios da região, o que
explicaria a limpidez cristalina das águas.
......Até
os dias de hoje, em 12 de outubro, ocorrem procissões
à Capela do Sinhozinho, localizada próxima ao
Rio Mimoso, onde ainda está guardada uma de suas cruzes,
objeto da adoração de seus devotos.
(Daniel de Granville Manço* - in Comtur - e Redação).
Daniel de Granville Manço é biólogo,
especialista em morcegos da Mata Atlântica, guia de
ecoturismo em Bonito, Pantanal e Região e fotógrafo.
Lenda
dos enterros da Guerra do Paraguai - "A região
Sudoeste do antigo Estado de Mato Grosso foi palco da Guerra
do Paraguai, ocorrida entre 1865 e 1870, onde muitos combates
violentos entre as tropas brasileiras e paraguaias aconteceram.
Também os índios participaram da guerra, tanto
ao lado de brasileiros como de paraguaios.
.....Nessa
época os assaltos e saques nas fazendas tornaram-se
freqüentes, obrigando os colonos e fazendeiros a mandarem
suas famílias para longe, às vezes fugindo junto.
Existem relatos de famílias e empregados que viveram
escondidos nas matas da região até o final do
conflito, alimentando-se de caça e do gado solto nos
pastos
.....Conta-se
que essas famílias, com medo dos assaltos, enterravam
seus bens e riquezas em potes ou baús nos campos, às
vezes perto da casa da propriedade, outras em mangueiros (currais
na linguagem regional) ou ainda sob árvores frondosas.
O objetivo era de recuperar esses "Enterros" após
o término da guerra, tomando posse de suas propriedades
abandonadas
.....Porém
muitas dessas famílias acabaram morrendo ou desaparecendo,
e as riquezas ficaram desaparecidas nos campos da região.
Aqui começa a lenda dos Enterros. As pessoas que sabiam
dessas histórias começaram então a procura
pelos potes perdidos nos campos, seguindo referências
incertas.
.....Os
espíritos dos fazendeiros mortos ajudavam a encontrar
seu tesouro escondido, comunicando-se através de sonhos
com seus descendentes, mostrando o local exato onde este se
encontra. Daí é só tentar identificar
na região o que foi visto no sonho.
.....Às
vezes pode acontecer de algumas pessoas que não são
descendentes dos antigos fazendeiros também terem essa
visão em seus sonhos, em forma de fogo queimando em
um determinado lugar. Quem sonhar não pode de maneira
alguma contar o que viu a outras pessoas, com risco de nunca
encontrar o Enterro. Logo de manhã, deve sair em busca
do local sonhado, que estará marcado com labaredas
de fogo. Ao encontrá-lo, precisa cavar enquanto reza
fervorosamente, sem desistir, pois assim que iniciar a escavação,
os espíritos dos fazendeiros estarão tentando
evitar a retirada do seu eterno tesouro. Quando finalmente
retirar o Enterro, essas assombrações vão
finalmente descansar de seu longo período de guarda.
.....Existem
relatos de inúmeras pessoas que encontraram os Enterros
na região. Nunca são identificadas com certeza,
visto que teriam medo da maldição que recairia
sobre eles se revelassem este segredo. Passam a vida rezando
pela alma dos mortos que deixaram sua herança para
desconhecidos do futuro.
(Maria Antonietta Castro Pivatto* in Comtur)
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