Silnei Laise/Mochila Brasil
João Taramba, que tem até cachoeira batizada com seu nome, a "Cachoeira do Taramba" |
Atrações
.....Pra conhecer os atrativos da vila, bom mesmo é ser guiado por um nativo. Nada mau um que dá até nome à cachoeira, o João Taramba, "nascido e criado dentro de Igatu". Ele trabalha guiando os visitantes há doze anos, "há uns meses atrás, descobri uma cachoeira de 110 metros, que já está sendo bem visitada; é a cachoeira dos Cristais", fala com simplicidade e orgulho. Além do trabalho com o turismo, a nova riqueza local, Taramba e outros moradores não dispensam uma garimpadinha. Segundo ele deve existir uns 15 garimpeiros na vila. "Garimpar pesado não pode em lugar nenhum, aqui é tudo preservado, mas manual pode, o Ibama não perturba", conta.
.....Taramba já chegou a pegar um diamante de oito quilates (cerca de R$ 50.000,00, se fosse encontrada atualmente). "Hoje não tem mais deste tamanho não", enfatiza. Sabe o que ele fez com a dinheiro? Gastou parte viajando. "Fui pra Salvador". Pra conhecer ou visitar parentes? (pergunto). "Pra conhecer. Quase todos meus parentes moram em São Paulo, já tem uns 25 anos". Pra São Paulo não vai? Enfático: "Aí não"! Por um segundo me esqueço da tranquilidade e da possibilidade de respirar e me remeto à São Paulo - falta o ar! Não pela caminhada, pois são apenas 20 minutos sem subida, pra começar a ver as ruínas. Paredes de ex-casas de garimpeiros, tocas, caminho por onde passavam as tropas...
......Entre um passo e outro, boas histórias e algumas novidades: "isso aqui vai encher tudo, já compraram tudo. Tá chegando um pessoal tudo gente boa, por enquanto tá bom", comenta sobre a compra de poucas áreas disponíveis na vila. "Vão fazer pousada, restaurante, casa pra ficar de férias", e acrescenta "se não trouxer pessoal de fora (guias), para os nativos vai ser bom".
.....Logo mais a frente, a igreja do padroeiro local, São Sebastião, feita em pedra. Segundo Taramba, ela foi construída por um garimpeiro que fez promessa para achar muito diamante. Ao lado e na frente do templo, um cemitério, onde está sepultado o corpo do coronel Antônio Gondim, que "comandava o garimpo em Igatu e outros garimpos da região". O comando acabou quando "a lei foi chegando e o exército desarmou ele, aí ele foi adoecendo e acabou morrendo, em 92, com uns 72 anos", conta. Onde funciona a pousada Pedras de Igatu, a única da vila, era a casa do coronel, que foi adaptada.
Silnei Laise/Mochila Brasil
Cachoeira dos Pombos ou Córrego do meio |
.....Uma das curiosidades da vila é um outro cemitério, o dos Bexiguentos. "Os mais antigos contavam que ali enterravam até gente viva, gente que tinha doença brava", diz Taramba. Segundo ele, essa doença era uma espécie de "Lepra" (Hanseníase). Pra chegar até o local leva-se uns 20 minutos de caminhada, a partir do centro.
.....Os atrativos naturais são muitos. "Pequena cachoeira, coisa de 10 a 35 metros não sei nem contar, porque são muitas", diz o guia.
Cachoeiras Treze Barras e dos Cristais - Pra chegar até a dos Cristais por exemplo você leva umas duas horas. Depois dos primeiros 45 minutos de caminhada você visita a cachoeira Treze Barras, mais uns 800 metros, a dos Cristais.
Cachoeira dos Pombos ou Córrego do meio - uns trinta minutos, a partir do centro pra se chegar num lugar ótimo pra se refrescar. A queda d'água forma umas "banheiras" de pedra. De vez em quando os locais fazem pique-nique por ali.
Cachoeira do Taramba - descoberta pelo João, para chegar até ela você passa pelo Córrego do Meio, pelo Cemitério dos bexiguentos e mais uns 40 minutos de caminhada. Assim como a cachoeira dos Cristais, a do Taramba forma um belo poço.
Santo Antônio - formação rochosa que lembra a imagem de santo Antônio. São cerca de uma hora caminhando. No caminho é possível também ver outras formações que parecem carros por exemplo - é como adivinhar o que parece aquela nuvem. Se estiver meio sem tempo é melhor deixar pra depois.
Rampa do Caim - cerca de três horas caminhando para se chegar a um local que dá uma das vistas mais espetáculares do Vale do Pati e os rios Paraguaçu e Preto, ambos com suas águas escuras. A trilha é boa e a chegada nem se fala, mas é preciso estar muito "zen" pra curtir a trilha. É preciso estar muito atento pois há muitas pedras soltas e escorregadias e um tombo ali não ia ajudar em nada. A chegada pede um ou mais minutos de silêncio (contemplação, agradecimento a Deus, é pra ouvir o silêncio e a grandiosidade da natureza).
.....Dalí é possível seguir adiante, fazendo uma trilha que passará pelo Pati, Capão e Palmeiras, outras áreas imensamente lindas da Chapada Diamantina.
.....A Rampa do Caim e a trilha estão sendo exploradas também por agências locais.
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