Promperu / Heins Plenge

Cânion de Colca em Arequipa
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Arequipa
Dia 18. Arequipa fica a 2325 metros de altitude. O trem pára para dedéu. A chegada em Arequipa é feia. Muitas favelas e lixo. Mas à medida que o trem vai entrando 'en la ciudad', e apitando, as casas vão melhorando. Acho o Hostal La Reyna depois de muito andar, e recusar taxis - me dão um cartão do Tambo Viejo, Residencial Hospedaje - e perguntam se sou norte-americano, são os que mais gastam. Vou andando mesmo. Me perco. Obtenho ajuda de um senhor de uma telefônica que me deixa falar, sem pagar, com a telefonista - mas não nos entendemos. Arequipa é mesmo mais quente. Estava decidido a achar o hostal sem taxi e ando para caramba até achar um policial que me diz exatamente onde fica o La Reyna, do lado do Convento Santa Catalina. Agora, pelo menos, tomara que Sandra esteja lá. Não está. Dane-se. Tomo um bom banho no quarto do La Reyna, da janela vejo o teto do tão falado, e orgulho dos arequipeños, Convento Santa Catalina - 'Unico en el Mundo con Ciudadela'.
'En La Reyna hay agua caliente todos los dias', segundo a dona. Os quartos são compartilhados, também baño: 10s/. mesmo. Faço um City Tour a pé por Arequipa. Tiro fotos dos três 'vulcones': Pichu Pichu, Chachana e Misai (inca deitado), bonitos - para quem gosta de montanhas, o Peru é um prato cheio. O Misai parece mesmo um homem de barriga para cima. É incrível.
Ligo para o Pastor e marcamos em encontrarmo-nos no fim da tarde. Conheço a Plaza de Armas e já compro minha passagem de ônibus para Nazca - 'no hay' como pegar nem avião nem trem para lá. Compro 'el boleto' por 20 s/., bem tranqüilo, para o dia 20 às 8:30pm. Me informei e preciso dos dias 19 e 20 para conhecer o Cañon del Cocca, visito Arequipa hoje, e me encontro com Pastor à noite. E sigo meu caminho. 'Las mujeres son más bonitas mismo en Arequipa'.
Depois de procurar preços nas agências de turismo (são várias perto da Plaza de Armas), escolho uma e negocio o passeio para o Cañon del Cocca: custa US$24.00 mesmo: passeio por 2 dias: 'hotel, guia, transporte, desayuno continental, peña folklorica, boleto turístico', mas pechincho e fica por US$23.00, que na conversão fica 62.1 s/., mas pago só 60 s/. - peguei as manhas, negocia-se em dólares, pechincha-se, paga-se em sol e ainda tenta abaixar na moeda local. Apesar de não ser um 'grande' desconto, é bom para praticar.
Visito 'museos'. Pago 12 s/. no Convento Santa Catalina. Além de caro, não gosto. O mais interessante é a coleção de notas do mundo inteiro que uma moça vendedora lá de dentro tem. Tem até reais: R$1,00. Quem encontro lá dentro? Sim. Sou encontrado por Dhili. Conversamos um pouco. Elas dizem que foram na polícia por que tiveram problemas no Hostal San Antonio. Elas vieram de avião e ficaram num hotel muito bom com piscina. É a última 'ciudad' peruana e querem conforto no final da viagem. Estão muito bem vestidas. Bem diferente das sujinhas do Camino Inca. Nem quando ficaram de sutiã me interessei por elas. Mary está vestida normal, mas Pia está com uma saia até as canelas, que torneia bem seu corpo, está muito bonita. Dhili ainda mais. É uma linda moça. Com uma saia curta, sem ser mini-saia, mas que mostra suas lindas pernas. As três usam blusinhas que realçam seus bustos.
Dhili fala algumas palavras em espanhol e nós damos parabéns. Vão embora. Pena que não me 'deram bola'. Vejo-as depois na saída. Sigo meu 'camino'.
A dona do hostal me indicou creme nívea para passar nas queimaduras no rosto: surgiram feridas, não sei se do sol ou do frio de Puno. Ela disse que era do frio. O creme resolve mesmo, alguns dias depois estou bom. Em outra 'botica' peço:
- Man-tei-ga ... ca-cau', e faço a mímica nos lábios. A mulher percebe que sou estrangeiro e pede 4s/.:
'- Quê?
- Un sol.
- Es demasiado caro.
- 50 centimos.
- Ah. Sí.'
De tarde, me informam sobre Juanita - La Bella Niña del Volcan Ampato. Ando, ando e ando e encontro a Universidad Catolica de Santa Maria, depois de uma ponte, de alguns bairros, lugar mais próspero. Sou bem recepcionado. Pago 5s/. Tem mais dois para assistir a palestra e o vídeo, peruanos. Eles dizem que pode ser em inglês, mas o palestrante diz que vai falar em espanhol por minha causa. Droga.
O vídeo é mesmo interessante, vale a pena. Reconstituíram seus trajes, seu modo de vida, seu sacrifício, tudo por seus objetos e estudos da cultura de seus ancestrais. Tudo bem autêntico. E a múmia muito mais. Ela está perfeita. Dizem que é a melhor múmia que já encontraram. Como ela ficou no gelo, em cima de uma montanha está muito bem conservada. Os objetos encontrados também. Os que aparecem no vídeo. Não pode tirar fotos. Mas valeu mesmo a pena. Preciso voltar. Ando. O final de tarde está maravilhoso e tiro novas fotos 'de los vulcones'. Passo no mercado para comprar mantimentos. A água mineral é melhor. Só tomei água mineral no Peru. Nunca se sabe. Percebo que os cachorros de rua são bem preguiçosos. Melhor ir logo ao hostal, está quase na hora do encontro com Pastor.
Me encontro com Pastor. Ele me mostra alguns lugares de sua 'ciudad'. Fotos e artesanatos de 'vicuñas'. Vejo as três britânicas num restaurante, acho que elas me vêem, mas são reservadas e não acenam. Nunca mais as vejo. Digo a Pastor como é bom conversar em português e não ter um vocabulário tão limitado. E poder falar de tudo, de construções à tapetes. E não ficar procurando sinônimos das palavras em português até que o ouvinte entenda alguma - que faça parte do espanhol. E poder falar mais rápido, e não tão devagar para ser entendido e entender. Pastor insiste em pagar-me 'la sena
- deixo, pois 'mi plata' está acabando: chullpa del camarón. 'El camarón es
muy bueno, pero picante'. Depois fico com os lábios inchados de alergia, mas tudo 'bien'. Pastor me convida para almoçar na casa de seus pais amanhã, mas já marquei o passeio no Cañon del Cocca e logo após viajo. Que pena, perdi um almoço 'na faixa'. Conheço uma amiga de Pastor, muito simpática e parece ter simpatizado comigo, infelizmente não pudemos nos conhecer melhor. Também, com o fora que dei: ela pergunta se na minha cidade há zoológico (ssolo-rico).
- Ah, sim. Tudo que se planta dá'. Pastor intervém com sua educação habitual: não 'tierra', mas lugar de animais para visitação.
- Ah, sí. Hay (ssolo-rico) sí. Mesmo assim ela pergunta que meu espanhol é bom. Pastor corrige: portuñol.
- Desde cuando hablas?
- Desde dia 6.'. Despedimo-nos da moça e vamos tomar um vinho. Após, nos despedimos também. Mando depois uma carta para ele, também para Sandra na Argentina, mas não tive retorno. Chegando no La Reyna, 'una chica' - que tinha visto de manhã puxa conversa, pergunta de onde sou e estas coisas. Ela é muito bonita, diz que seus pais moram 'en una ciudad' pequena, que está trabalhando em Arequipa e morando no La Reyna enquanto faz faculdade. Logo se despede porque é tarde e tem que 'trabajar temprano mañana'.
As portas de Amantani eram minúsculas, claro que dei uma topada e a ferida está incomodando. Outros turistas reclamaram que deram mais de uma tomada. Então saí no lucro. Saiu sangue do nariz hoje de novo. Nenhum dia sem sair sangue do nariz. O trânsito em Arequipa também é caótico, todo sem sinalização. Não sei como não há acidentes.
Dia 19. A estrada para ir ao Cañon del Cocca é de chão. Barro, pedras e borboletas. Mas quanto mais andamos, mais a terra fica árida e desértica. Até aparecem aquela vegetação que vai rolando no vento e soltando sementes. Mas depois nenhuma árvore, só pedra, pedra e barro, muito menos borboletas. No começo da viagem, vimos vicuñas selvagens tomando água num lago - bonitas. As lhamas servem para carga e são mais robustas e menores, as alpacas são maiores e de pêlos mais espessos, são usadas para fazer roupas. E as roupas de vicuñas são caras e usadas para 'exportación'. Vimos também cavalos selvagens, também muito bonitos. Tão selvagens que nada de fotos. As últimas árvores que vemos são eucaliptos, que dão em todos os lugares. Digo que são originários da Austrália e a guia discorda. Melhor deixar para lá.
O motorista e a guia me pedem para ensinar palavrões em português. Faço a vontade deles. A paisagem é bacana no deserto. Poucas paradas. Numa delas uma moça, de outro carro, pergunta se gosto de animais - estou alisando um cachorro. Digo que gosto de cachorros. Ela me ensina que é um 'perro'. Cachorros são filhotes. É incrível como a capacidade de aprendizagem aumenta quando se está presente dentro de um contexto. Cada palavra aprendida é mais fácil de lembrar quando associada a algum evento. É melhor aprender o idioma na prática.
Chivay
Depois chegamos 'en una plaza donde hay vegetación': Chivay, há 3650 metros de altitude. O quarto da Posada Del Inca é muito boa, se comparando à 'ciudad'. 'Baño' no quarto. Tudo limpo, com papel higiênico e toalhas. 'Y agua caliente'. Deram um recibo de 8 s/.
A terra é verde, disseram que devido a minerais. Gostaria de ver o vulcão Savancaya ativo, dizem que é interessante, mas não temos oportunidade. 'Vamonos' a termas de Chivay. Muito legal. Nunca tinha ido a termas. Estas são de 42 graus, 'aguas calientes del vulcones', dizem que tem 'propriedades curativas: artritis, reumatismo, rehabilitación y otros'. Muito legal mesmo. Paguei 4 s/. e valeu a pena. 'En la noche vamonos en una peña'. Descubro então que 'peña' é um restaurante com música andina. Como o que tinha visto em Cusco e não sabia o que era. Foi muito legal. Depois de comermos, dançamos e o ponto alto foi a mais conhecida música cubana - me ensinam: Cuantalamera. Os europeus não sabiam dançar como os peruanos, então inventam uma dança parecida com nossa quadrilha - que descende deles, e nos divertimos muito. Depois há uma discoteca nos esperando: somos os primeiros e únicos. O som é uma vitrola ou algo um pouco mais moderna. Já dancei o suficiente por hoje e vou dormir.
Amanhã quero ver o condor. São as maiores aves que voam, só perdem para uma espécie de albatroz da Patagônia. São tão grandes que precisam dos ventos quentes lá pelas 9 horas da manhã para subirem dos desfiladeiros de onde nidificam. Apesar de parentes dos urubus e abutres, são muito apreciados no Peru. Particularmente, gosto de urubus. São muito bem adaptados - voam planando com as correntes de vento, sem gastar energia, pois sua comida com a evolução foi rareando, hoje não talvez. E prestam um importante papel na natureza: lixeiros. Eliminam toda a sujeira de carniças que fedem por aí. Estão muito bem adaptados ao meio em que vivem, qualquer meio. Suas cabeças, por exemplo, não tem penas para entrarem melhor nas carniças e 'degustarem' as melhores, ou as menos piores, partes para comerem. E a ciência precisa descobrir como conseguem comer comida estragada sem passar mal: iria acabar a fome no mundo. Só atacam animais quando estes moribundos. Podem degurgitar o que comeram quando ameaçados e precisam alçar vôo rapidamente. E são tão bonitinhos quando pequenos: branquinhos. Mas o 'papo' agora é condor, mas devem ter hábitos parecidos.
Dia 20. 'Vamonos temprano mirar los condores'. 'Pero' esperamos, esperamos e só os vemos muito longe. Empresto um binóculo um pouco, mas assim mesmo fica difícil, eles estão muito longe. Para colaborar, alguns nativos levam 'águilas' para tirar fotos mediante propinitas. O Savancaya também não está fumando. 'La chica' que me ensinou a palavra 'perro' quer conversar, mas 'fico na minha'.
Num 'pueblo hay una águila' parada. Um senhor diz que é selvagem, mas como ele a alimenta desde pequena, ela sempre vem para perto de sua casa e deixa que se aproxime dela. Muito bonita e grande, tiro fotos cada vez mais perto, mas quando tento encostar nela, ela quer me picar. 'Sai para lá bicho'. As fotos valeram a pena. O passeio valeu os 60 s/., mas não sou muito fã de canyon's e não voltaria para o Cañon del Cocca.
Arequipa: a volta
De volta à Arequipa, e ao La Reyna, a dona me deixa tomar 'una ducha'. E vou à rodoviária de táxi. Como já escrevi, os táxis são bem baratos. A rodoviária é feia. Dou várias voltas nela, pois cheguei 'temprano'. Faço um lanche num restaurante com TV, está passando um filme norte-americano em que um garoto enfrenta três bruxas. A dublagem, claro, está em espanhol.
O ônibus é ruim (também não tinha outra opção para ir à Nazca), pior que o trem. E Nazca, depois de Cusco e Machu Pichu, pelo que li, deve ser a mais interessante. Senta ao meu lado uma senhora com um filho de uns 11 anos. Ela achou que ia ter lugar sobrando, mas o ônibus está lotado. Só eu de turista. Deve ter outra opção para ir à Nazca. O cobrador pede que ela pague a passagem do garoto, mas ela alega que não tem dinheiro e chora. O cobrador acaba deixando. Depois um banco vaga e o garoto senta perto da mãe.
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