IMAGEM É TUDO

Por ERICK POMBO*
erickpombo@quepasa.com

A atriz Liv Tyler não tem muito talento. Mas neste caso, isso importa?

Sim, é Liv Tyler. Se você está nessa página, então tem a oportunidade de ver as imagens que adornam estas parcas linhas. Não é preciso muito mais comentários. O talento artístico dela é inversamente proporcional à sua beleza. Mas isso é irrelevante, já que em muito o cinema é feito de imagem e não de talento. Afinal, a magia e o fascínio ainda devem existir, correto?

Liv Tyler não seria definida como uma diva. Muito pelo contrário. Nascida em 1º de julho de 1977, a jovem só descobriu que era filha do Steven Tyler, vocalista e alma do Aerosmith, quando tinha doze anos. Até então, sua mãe, Bebe Buell, jurava que ela filha de Todd Rundgren, outro roqueiro. Liv desconfiou da verdade quando conheceu Mia Tyler (hoje, modelo profissional) outra filha de Steven e a semelhança entre elas era absurda. Após a verdade vir à tona, Liv resolveu assumir o sobrenome de seu pai verdadeiro.

Aos quatorze anos, se tornou modelo. Incentivada por sua amiga Paulina Porizkova, foi capa de revistas como Seventeen, YM e Mirabella. Mas o que ela queria mesmo era ser atriz. Aos dezessete, fez pontas em duas fitas inexpressivas. Em 1995, com ajuda de papai, ela e Alicia Silverstone foram alçadas ao estrelado no videoclipe de "Crazy", do Aerosmith. Mas nos cinemas, somente em 1996 veio a primeira chance real: "Beleza Roubada", de Bernardo Bertolucci. Nada mais perfeito. Ela é a definição completa do que o mestre italiano necessitava para o papel e mesmo com sua fraca atuação, o mundo se rendeu à beleza de Liv Tyler.

Com o sucesso, convites para outros filmes foram surgindo e com "Armaggedon", finalmente, as bilheterias responderam do jeito que todos esperavam. Liv Tyler era então uma das atrizes mais cobiçadas de Hollywood, com seu nome sendo incluído em lista de mais sexy, mais bela, mais desejada, mais qualquer coisa que for possível imaginar. E, claro, seria bobagem dizer que ela não merecia.

Seus papéis mais interessantes sempre foram com Robert Altman. Primeiro em "A Fortuna de Cookie", onde realmente faz sua atuação acima da média. Já em "Doutor T e As Mulheres", num papel pequeno onde fazia o maior amor da vida da personagem vivida por Kate Hudson, Liv também foi muito elogiada. Mais. Foi um delírio fetichista para o público masculino.

Porém, na média, fez outros filmes irrisórios, como "Que Mulher é Essa?", "The Wonders - O Sonho Não Acabou" e"Paixão Proibida". Quando não, faz ponta em blockbuster como a trilogia "O Senhor dos Anéis", como a elfa Arwen - se realmente existissem elfos no mundo como Tolkien imaginou, Liv Tyler seria um deles. Sua beleza é inebriante.

Disléxica, vegetariana e com o nome de batismo vindo em homenagem à Liv Ullmann, a beldade mantém uma vida amorosa discreta. Por dois anos foi namorada de Joaquin Phoenix e agora, para manter o hábito rock and roll, se casou com Royston Langdon, baixista e vocalista da banda Spacehog.

Liv Tyler não é uma atriz de muito talento. Mas como dito no início deste texto, nem precisaria. Sua beleza é capaz de colocá-la em qualquer filme, porém, como uma maldição, sempre ficará relegada a um plano menor. A alternativa, que lhe cabe, é se conformar e aproveitar desse consumo estético (acabou de ser contratada para ser o rosto da campanha do perfume Very Irrestibible, de Givenchy, algo que somente outra atriz norte-americana, também linda, conseguiu: Audrey Hepburn) ou realmente se esforçar - "A Fortuna de Cookie" mostrou que existe um pouco de esperança.

Para entender Liv Tyler é muito simples, basta inverter aquele slogan do Sprite: "Sede não é nada, imagem é tudo". E alguém pode criticar a imagem de Liv Tyler? Só se for um doente mental. Bonita, rica e fashion. Só faltou ser boa atriz. Mas para os padrões da indústria cultura, isso é só um detalhe besta.
 
Liv Tyler como a elfa Arwen, no filme "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel"
 
Campanha do perfume Very Irresistible, de Givenchy
 
* ERICK POMBO, 32 anos, é jornalista com especialização em cinema e escreve para várias revistas e sites
 

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