A atriz queridinha da década de 80 sumiu do mapa
Não,
caro leitor. O título da matéria é apenas
meia-verdade ou, se quiser, uma verdade manipulada. Recentemente,
em minha passagem pela Big Apple, este era um dos assuntos prediletos
entre a turma de jornalistas que passaram a adolescência
na década de 80.
O fato correto é que não é Molly Ringwald
que se tornou uma garota de programa, mas sim uma sósia
sua que vende seus serviços como a bonitinha garota com
rosa shocking em uma parte anatômica de seu corpo - dá
até para imaginar. O curioso é que a tal sósia
é realmente muito parecida, ou fez uma bela montagem
nos folhetos de divulgação de seus serviços
por Nova Iorque.
O boato ganhou mais força porque durante um bom tempo,
Molly estava completamente desaparecida - pelo menos para os
que só acompanham o cinema. Esta californiana, nascida
em 18 de fevereiro de 1968, foi, talvez, a primeira musa adolescente
produzida no ambiente industrializado e pasteurizado do cinema
norte-americano. Agora, faz uma ponta ou outra e investe mais
no teatro. Mas continua a ser lembrada por uma geração.
Filha de Bob Ringwald, um cego pianista de jazz, Molly começou
a carreira como integrante da banda do pai, a The Fulton Street
Jazz Band. Isto aos cinco anos de idade. Aos seis, lançou
"I Wanna Be Loved By Your, Molly Sings", um álbum
de canções dixies. À mesma época,
foi para o teatro e aos oito anos entrou para "New Mickey
Mouse Club", ou seja, a televisão.
O cinema só veio em 1982, com o filme "Tempest",
inspirado em uma peça de Shakespeare. Seguiram-se "Packin
It in" e "Spacehunter: Adventures in the Forbidden
Zone". Parecia que ela estava destinada ao ostracismo.
Até que um cineasta e produtor chamado John Hughes apareceu
e além de mudar de vez a vida e a carreira de Molly,
iria também moldar o gosto adolescente de uma geração.
Hughes, inegavelmente transformou a moça num dos ícones
da cultura pop mundial. "Gatinhas e Gatões",
"Clube dos Cinco" e "Garota de Rosa Shocking"
foram o estopim para uma febre consumista nunca antes vista.
Surgiu a Mollymania nos EUA e em alguns lugares do mundo. Garotas
se intitulavam "Ringlets", que imitavam seus penteados,
suas roupas, seu jeito de ser nos filmes. Molly ganhou até
a capa da revista Time que tentava entender o fenômeno,
sem precedentes econômicos na história cinematográfica.
1984, 1985 e 1986 foram a fase áurea da garota com Hughes.
A parceria morreu em 1987 quando Molly recusou-se a filmar "Some
Kind of Wonderful" - o papel acabou com Lea Thompson. Foi
também o início do declínio profissional
da atriz ainda jovem. Rodou "The Pick-up Artist" e
"P.K. and the Kid" ainda em 87 e ambos foram grandes
fracassos comerciais. Tentando fugir do estigma de atriz-adolescente,
Molly encarnou dois papéis adultos em "For Keeps"
e "Something To Live For", um telefilme sobre Alison
Gertz, uma portadora do HIV.
Mesmo assim, a separação de Hughes ecoava negativamente.
Nem mesmo "O Casamento de Betsy", um relativo sucesso,
foi o suficiente para ajudá-la. Em 1993, quando rodou
"Face the Music", com Patrick Dempsey, em Paris, Molly
decidiu viver na França. Sua carreira havia sido colocada
em segundo plano.
Neste período, fez alguns filmes para a TV, como "The
Stand", uma minissérie baseada em história
de Stephen King. Voltou mesmo à ativa com "Malicious",
sobre uma garota obcecada por uma noite de sexo. Mais um fiasco.
Isto foi em 1995. De lá para cá, Molly ou faz
filmes medíocres ou pontas banais, como em "Não
é Mais um Besteirol Americano" (2002). Decididamente,
sua carreira foi ao limbo, mesmo com uma legião de fãs
ainda lembrando com saudades de seus antigos trabalhos.
Atualmente, Molly faz uma versão teatral de "Harry
e Sally" no circuito de West End, em Londres. Já
o cinema parece que a abandonou de vez. Ah, e quanto a tal garota
de programa de Nova Iorque, sim, ela era uma Ringlet na década
de 80. Agora, mata os fetiches de alguns fãs mais afoitos.
Nada mais cool. |