MOLLY RINGWALD VIROU GAROTA DE PROGRAMA!

Por ERICK POMBO*
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A atriz queridinha da década de 80 sumiu do mapa

Não, caro leitor. O título da matéria é apenas meia-verdade ou, se quiser, uma verdade manipulada. Recentemente, em minha passagem pela Big Apple, este era um dos assuntos prediletos entre a turma de jornalistas que passaram a adolescência na década de 80.

O fato correto é que não é Molly Ringwald que se tornou uma garota de programa, mas sim uma sósia sua que vende seus serviços como a bonitinha garota com rosa shocking em uma parte anatômica de seu corpo - dá até para imaginar. O curioso é que a tal sósia é realmente muito parecida, ou fez uma bela montagem nos folhetos de divulgação de seus serviços por Nova Iorque.

O boato ganhou mais força porque durante um bom tempo, Molly estava completamente desaparecida - pelo menos para os que só acompanham o cinema. Esta californiana, nascida em 18 de fevereiro de 1968, foi, talvez, a primeira musa adolescente produzida no ambiente industrializado e pasteurizado do cinema norte-americano. Agora, faz uma ponta ou outra e investe mais no teatro. Mas continua a ser lembrada por uma geração.

Filha de Bob Ringwald, um cego pianista de jazz, Molly começou a carreira como integrante da banda do pai, a The Fulton Street Jazz Band. Isto aos cinco anos de idade. Aos seis, lançou "I Wanna Be Loved By Your, Molly Sings", um álbum de canções dixies. À mesma época, foi para o teatro e aos oito anos entrou para "New Mickey Mouse Club", ou seja, a televisão.

O cinema só veio em 1982, com o filme "Tempest", inspirado em uma peça de Shakespeare. Seguiram-se "Packin It in" e "Spacehunter: Adventures in the Forbidden Zone". Parecia que ela estava destinada ao ostracismo. Até que um cineasta e produtor chamado John Hughes apareceu e além de mudar de vez a vida e a carreira de Molly, iria também moldar o gosto adolescente de uma geração.

Hughes, inegavelmente transformou a moça num dos ícones da cultura pop mundial. "Gatinhas e Gatões", "Clube dos Cinco" e "Garota de Rosa Shocking" foram o estopim para uma febre consumista nunca antes vista. Surgiu a Mollymania nos EUA e em alguns lugares do mundo. Garotas se intitulavam "Ringlets", que imitavam seus penteados, suas roupas, seu jeito de ser nos filmes. Molly ganhou até a capa da revista Time que tentava entender o fenômeno, sem precedentes econômicos na história cinematográfica.

1984, 1985 e 1986 foram a fase áurea da garota com Hughes. A parceria morreu em 1987 quando Molly recusou-se a filmar "Some Kind of Wonderful" - o papel acabou com Lea Thompson. Foi também o início do declínio profissional da atriz ainda jovem. Rodou "The Pick-up Artist" e "P.K. and the Kid" ainda em 87 e ambos foram grandes fracassos comerciais. Tentando fugir do estigma de atriz-adolescente, Molly encarnou dois papéis adultos em "For Keeps" e "Something To Live For", um telefilme sobre Alison Gertz, uma portadora do HIV.

Mesmo assim, a separação de Hughes ecoava negativamente. Nem mesmo "O Casamento de Betsy", um relativo sucesso, foi o suficiente para ajudá-la. Em 1993, quando rodou "Face the Music", com Patrick Dempsey, em Paris, Molly decidiu viver na França. Sua carreira havia sido colocada em segundo plano.

Neste período, fez alguns filmes para a TV, como "The Stand", uma minissérie baseada em história de Stephen King. Voltou mesmo à ativa com "Malicious", sobre uma garota obcecada por uma noite de sexo. Mais um fiasco. Isto foi em 1995. De lá para cá, Molly ou faz filmes medíocres ou pontas banais, como em "Não é Mais um Besteirol Americano" (2002). Decididamente, sua carreira foi ao limbo, mesmo com uma legião de fãs ainda lembrando com saudades de seus antigos trabalhos.

Atualmente, Molly faz uma versão teatral de "Harry e Sally" no circuito de West End, em Londres. Já o cinema parece que a abandonou de vez. Ah, e quanto a tal garota de programa de Nova Iorque, sim, ela era uma Ringlet na década de 80. Agora, mata os fetiches de alguns fãs mais afoitos. Nada mais cool.
 



* ERICK POMBO, 32 anos, é jornalista com especialização em cinema e escreve para várias revistas e sites
 

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