Nasceu Horst Paul Albert Bohrmann; foi oficializado como Horst Paul
Horst quando, em 1943, recebeu a cidadania norte-americana. Nesta
época, já havia trabalhado na Vogue francesa e na Harper's
Bazaar - e, de quebra, havia conhecido pessoalmente Coco Chanel. Ao
falecer, em 1999, Horst Paul Horst entraria para a história
como um dos mais fascinantes e elegantes fotógrafos de moda
que o mundo conheceu.
Sua obra fascina não só pela qualidade técnica
- composição perfeita, magistral uso da luz - , mas
também pela sensibilidade do olhar que nela encontramos. Horst
não apenas fotografa modelos; Horst erige esculturas. Os gestos
cristalizados que nascem daqueles corpos são instantes congelados
de graça e harmonia. Não à toa, suas fotografias
nas quais as modelos posam de costas têm sido inseridas pelos
especialistas dentre as grandes obras que trataram nus e corpos femininos
desta forma - como as pinturas dos Impressionistas, por exemplo. Mas
penso que é possível ir mais além. Como não
pensar, contemplando sua odalisca de 1943, nas não menos sedutoras
odaliscas de Delacroix? [figs. 1 e 2]
Por outro lado, há algo de verdadeiramente acadêmico
nestas obras de Horst. Não faço esta afirmação
tanto com respeito à sua formação, mas pensando
principalmente em sua linguagem. Horst Paul Horst foi um fotógrafo
de estúdio; seu olhar não se dirigiu tanto a investidas
experimentais, caso de outros fotógrafos de moda do período,
quanto à busca de linhas delicadas e jogos de luz e sombra.
Jamais é contundente ou agressivo; basta-lhe ser devidamente
poético. Por isso é um dos raros fotógrafos que,
mesmo em suas obras comerciais, inevitavelmente apresenta qualidades
artísticas indiscutíveis. Uma fotografia sua para um
anúncio de meias é uma legítima obra prima de
sensualidade e erotismo. [fig.3]
Por fim: Horst é hermético? Esta acusação,
que não tem sido incomum, a meu ver peca num ponto essencial.
Não que seja tarefa penosa compreender Horst; mas é
preciso saber compreendê-lo. Entre o pensamento racional e a
lógica das sensações, nem sempre é possível
abrir caminhos diretos; e poucos souberam, como Horst, falar tão
bem para nossos olhos.
Deixemos, enfim, que a sensibilidade seja nosso único árbitro.
Para os sentidos, Horst é sempre um deleite. |