epifanias    
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HORST P. HORST

Por HENRIQUE MARQUES-SAMŸN (*)
(hmsfoto@yahoo.com.br)
colunista do site Moda Almanaque

Nasceu Horst Paul Albert Bohrmann; foi oficializado como Horst Paul Horst quando, em 1943, recebeu a cidadania norte-americana. Nesta época, já havia trabalhado na Vogue francesa e na Harper's Bazaar - e, de quebra, havia conhecido pessoalmente Coco Chanel. Ao falecer, em 1999, Horst Paul Horst entraria para a história como um dos mais fascinantes e elegantes fotógrafos de moda que o mundo conheceu.

Sua obra fascina não só pela qualidade técnica - composição perfeita, magistral uso da luz - , mas também pela sensibilidade do olhar que nela encontramos. Horst não apenas fotografa modelos; Horst erige esculturas. Os gestos cristalizados que nascem daqueles corpos são instantes congelados de graça e harmonia. Não à toa, suas fotografias nas quais as modelos posam de costas têm sido inseridas pelos especialistas dentre as grandes obras que trataram nus e corpos femininos desta forma - como as pinturas dos Impressionistas, por exemplo. Mas penso que é possível ir mais além. Como não pensar, contemplando sua odalisca de 1943, nas não menos sedutoras odaliscas de Delacroix? [figs. 1 e 2]

Por outro lado, há algo de verdadeiramente acadêmico nestas obras de Horst. Não faço esta afirmação tanto com respeito à sua formação, mas pensando principalmente em sua linguagem. Horst Paul Horst foi um fotógrafo de estúdio; seu olhar não se dirigiu tanto a investidas experimentais, caso de outros fotógrafos de moda do período, quanto à busca de linhas delicadas e jogos de luz e sombra. Jamais é contundente ou agressivo; basta-lhe ser devidamente poético. Por isso é um dos raros fotógrafos que, mesmo em suas obras comerciais, inevitavelmente apresenta qualidades artísticas indiscutíveis. Uma fotografia sua para um anúncio de meias é uma legítima obra prima de sensualidade e erotismo. [fig.3]

Por fim: Horst é hermético? Esta acusação, que não tem sido incomum, a meu ver peca num ponto essencial. Não que seja tarefa penosa compreender Horst; mas é preciso saber compreendê-lo. Entre o pensamento racional e a lógica das sensações, nem sempre é possível abrir caminhos diretos; e poucos souberam, como Horst, falar tão bem para nossos olhos.
Deixemos, enfim, que a sensibilidade seja nosso único árbitro. Para os sentidos, Horst é sempre um deleite.
 
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(*) HENRIQUE MARQUES-SAMŸN
é filósofo e ensaísta. Pesquisador acadêmico nas áreas de arte e cultura, tem vários artigos publicados em jornais e revistas especializadas. Além de escrever para o Moda Almanaque, é colunista do Fotosite (www.fotosite.com.br), onde escreve sobre a estética da fotografia."
 
 
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