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Na música
anglo-saxã existe um formato consagrado: mulheres de atitude, com um magnetismo
pessoal que fundem o folk, o rock, o pop e letras com ares poéticos. Há inúmeros
exemplos que vão desde Liz Phair, passam por Tori Amos, vão para Lisa Germano,
Sheryl Crow, Lucinda Williams, Suzanne Vega, Cat Power, Kate Bush. Pronto, chega
de enumeração, pois o fetiche musical tá mais do que satisfeito.
Diferentemente de uma PJ Harvey, uma girlie raivosa (que lá costuma chamar
de riot), essas admiráveis mulheres narram suas agonias, seus prazeres e frustrações,
bradam sobre a condição feminina com certo quê de delicadeza, sem meter o pé na
porta no gênero "vemcámeunego" como a senhorita-deusa Harvey. Tão competentes
melodicamente, estas girles quase sempre emplacam músicas em seriados de televisão
modernosos ou em filmes indies norte-americanos. As
famosas muita gente conhece. Ainda assim, há as esquecidas, ou melhor, as que
repercutem um pouco menos sejam lá quais forem os motivos. Uma destas é a estadunidense
quase cinquentona Shawn Colvin, com oito álbuns nas costas (o último de inéditas
é de 2001, seguindo de um best of em 2004), que foi considerada uma das mais brilhantes
figuras do movimento "novo folk", que floresceu nos EUA na década de 80. Apareceu
para o mundo como backing vocal do hit Luka, de Suzanne Vega.
Ainda que não tenha sido absolutamente exitosa em sua carreira, Shawn
Colvin legou um álbum espetacular: A Few Small Repair, de 1996, gravado logo após
um complicado processo de divórcio da cantora. Obviamente, várias emoções complexas
- raiva, angústia, confusão, tristeza - estão presentes na composição do disco,
ainda que não de maneira clicheresca. If I Were Brave, piano e voz, a
pop Get Out Of This House, a triste balada The Facts About Jimmy ou a ritmada
Suicide Alley (com belíssima letra, por sinal) preenchem um repertório girlie
de primeira linha, ou seja, canções soft com diversas misturas, focado num tristonho
vocal.
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