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Por DANILO CORCI (*)
(danilo@speculum.art.br)
colunista do site Moda Almanaque |
Bateu um desespero? Então saiba quais as bandas que você
deve conhecer
Sempre acontece isso. Você vai naquela festa descolada, um
DJ espertão manda ver naqueles sons obscuros que você
nunca ouviu falar. Pior ainda quando todo mundo começa a
conversar dizendo que "nossa, que demais. O som aqui tá
animal". E você ali, com aquela cara de conteúdo,
tentando se passar por descolado e sem fazer idéia do que
está acontecendo.
Tudo
bem, às vezes, aliás a maioria das vezes, os DJs se
aproximam do antigo rock progressivo, fazendo uma virtuose bibliotecária
que é de doer, com trocentos e quarenta e duas mil músicas
de bandas de refugiados do Tibete. Mas beleza, essa é a função
deles mesmo, ampliar os horizontes. Nem tente acompanhar. Se estiver
então numa festa de música eletrônica, relaxe
e aproveite, o techno já entrou na falta de criatividade
há pelo menos uns dois anos, então aquelas dicas que
você vê em uma coluna de um jornal famoso são,
na verdade, apenas para agraciar os "amigons".
Mas para não ficar totalmente pirado, vão aqui algumas
dicas para, ao menos, dar uma de descolado enquanto o papo rola
na festa. Se você tiver um pouco de paciência, use o
Kazaa ou o Soulseek para baixar algum som das bandas citadas para
os horizontes ficarem mais claros. Vai aí o guia hype:
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| The
Strokes: som revigorante em estilo brechó |
Nova
York. Ainda que já esteja em franca decadência, o som
de Nova York ainda é a bola da vez. Sim, e a culpa maior
é do The Strokes, banda do filho de John Casablancas, Julian.
Sonzinho indie no último, trendy total. Estilinho brechó,
guitarras e baixos de pelo menos vinte anos atrás, um som
confortável e tranqüilo, que você já ouviu
antes. Se precisar, diga e afirme que o Strokes é bom porque
faz da reciclagem algo fresco e revigorante, trazendo as influências
de um rock inocente à tona novamente. Bingo.
Ainda pela Grande Maçã, não se esqueça
de citar o Yeah Yeah Yeahs. Vocalista mulher, cheia de assessoria
de moda para criar estilo. Com um rock cru, beirando o punk de gritaria,
os YYY são queridinhos de famosos e da mídia norte-americana.
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YYY:
rock cru e assessoria de moda
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É
como se Malcom McLaren retornasse das profundezas do inferno para
dar mais um golpe. Rock and roll, urrú. É isso aí.
Seguindo por NY, o Interpol é, talvez, a mais bacana de todas.
Joy Division reciclado, puro e decidido. Ao contrário das outras
duas bandas citadas, o Interpol foi buscar na Inglaterra suas influências.
Rock depressivo, bem construído mas reciclado. Acho que você
já ouviu o The Cure no começo de carreira, então
basta citar tudo o que você lembra. É igualzinho. Você
vai parecer esperto na conversa.
Dos EUA ainda sobra espaço para duas outras bandas. Kings of
Leon, irritante alt.country com toada roqueira. É Johnny Cash
revitalizado pelo REM. Serve para os muito alternativos. E o que falar
dos White Stripes? Esse você tem que citar em qualquer conversa,
ainda que já esteja ficando batido demais. Falar dos irmãos
Jack e Meg White é batata. Os mirabolantes timbres de guitarras,
a bateria simples e ritmada, gênero garage, a la The Kinks.
Para muitos, a banda é a salvação do rock. Diga
que não. Diga que o rock já foi salvo pelo Nirvana no
começo da década de 90, mas que o White Stripes revitaliza
a cena. Infalível.
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White
Stripes: algo de novo no reino da música
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Mudando
de lado, vá para a Inglaterra do The Darkness, rock poser no
último. Lembra quando muitos criticavam o Poison, Skid Row
e afins? Então, hoje celebram o The Darkness. Hard-rock hilariante,
com atitude montada. É rock-diversão e auto-irônico.
Simples assim. Por fim, diga que o Radiohead é a melhor banda
do mundo.
Poesia, rock, bizarrices, experimentalismos. Algo que foge completamente
do padrão, por isso é a melhor. E se perguntarem do
Coldplay, diga que quem nasceu para cópia nunca chega a ser
original. Isso pode ser polêmico, mas ajuda a marcar posição.
Se a música eletrônica não é mais o hype
que foi, ainda existe algum nicho que é sempre bacana explorar.
Uma delas é a Peaches, a riot girl do electro. Sonzinho bacana,
bem trabalhado, com forte influência da década de 80.
O álbum Fatherfucker é bom, muito bom mesmo. Batidas
programadas com um estilo de cantar de bandas femininas norte-americanas,
muita atitude e balanço. Ainda nessa linha, cito o Ladytron,
que já foi mais famoso do que é hoje, mas mesmo assim
talvez seja um dos expoentes mais sintomáticos dessa fusão
com o eletrônico dos oitenta.
Se ainda assim, ninguém botar uma fé, então apele:
descarregue que você não gosta de releituras, prefere
os clássicos. Smiths, Joy Division, Clash, Roxy Music, faça
a lista que quiser. E se ainda quiser dar uma impressionada final,
diga que você possuiu um álbum do obscuro The Residents,
junto com a única foto da banda sem a sinistra máscara
de olho. É proto-punk, no wave, Kraut Rock puro. Só
esse gênero já te fará um hype musical de primeira
linha.
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