O CURIOSO ASFALTO-BEAT DO RÁDIO DE OUTONO
 

Por DANILO CORCI (*)
(danilo@speculum.art.br)
colunista do site Moda Almanaque

O Rádio de Outono nasceu e cresceu em Recife, Pernambuco. Focados no pop rock, suas canções impressionam pela maturidade da composição, feita com muito estilo, seguindo a linha clássica do gênero. Ainda tem alguma dúvida? Para reforçar o quando eles têm talento, a música Lady Básbara acaba de ser encartada em CD na edição do mês de abril da revista italiana LosingToday. O Moda Almanaque aproveitou para bater um papo com Gleisson Jones e com a vocalista Bárbara Jones para descobrir um pouco mais sobre o talento da banda, que deve explodir nas rádios brasileiras muito em breve. Confira a entrevista na íntegra:

Moda Almanaque: Primeiro, o básico: Como surgiu o Rádio de Outono?
Rádio de Outono: Bem, a RdO surgiu a pouco mais de 4 anos aqui em Recife apenas com o objetivo de preencher nossos finais de semana, tanto é, que só depois de quase 3 anos de banda é que começamos a fazer shows com mais freqüência. A idéia inicial era arranjar algumas músicas minhas e se divertir nos ensaios.

MA: Por quê Rádio de Outono?
RdO: Rádio de Outono era o nome da banda do nosso primeiro baterista. Ele tinha essa banda, que depois mudou de nome. Nós aproveitamos e o adotamos porque a sonoridade remetia ao tipo de som que a gente queria fazer. Tipo, você escuta o nome e sabe que é algo POP. Antigamente a gente até tentava dar um significado pro nome e tal, mas era tudo mentira.

MA: Quais as principais influências da banda?
RdO:
Eita, perguntinha difícil essa. Mas vamos lá: Beach Boys, Turma da Mônica, Mutantes, B52's, Pixies, Grupo Rumo, Pink Floyd, Supergrass, etc.

MA: Muita gente, na crítica, compara o RdO ao Ludov. Vocês concordam com esta comparação?
RdO:
Comparam? Nunca li nada a respeito. Mas se comparam, deve ser porque temos algumas coisas em comum, tipo: Som pop, influências parecidas, garota no vocal, etc. Eu particularmente não acho parecido.

MA: Afinal, quando vem o primeiro álbum?
RdO:
Breve, breve... Ainda nesse outono.

MA: Me parece que o RdO tem um potencial enorme para entrar nas rádios brasileiras, muito mais do que qualquer outra banda do gênero. Vocês temem pelo famoso devorador de bandas, o sucesso?
RdO:
Não, nem um pouco. Nós temos uma vocação pop, até em nossas atitudes como pessoas, e isso é refletido em nosso som. Não é nenhuma armação de produtor. Nós somos naturalmente assim, e acredito que se o 'sucesso' vier, não acredito que isso vá mudar.

MA: Bom, Recife é famosa pelo mangue-beat. Vocês dizem fazer uma resposta, o asfalto-beat. O que é isso exatamente e como isto funciona na música de vocês?
RdO:
Na verdade, isso é apenas conversa de bar. É indiscutível que existe um movimento de renovação da música pernambucana, e ela é uma antítese do que era o mangue, então, nós criamos esse nome apenas para brincar, porque o asfalto cobriu tudo que era mangue na cidade. Então, se o mangue tinha os dois pés fincados no regionalismo, nós somos a resposta a tudo isso, ou seja, não temos nada de elementos regionais em nosso som.

MA: Como foi abrir para o Placebo? Responsabilidade total ou apenas mais um show?
RdO:
Nós tentamos encarar como um show normal, mas não tenha dúvida que tocar naquela estrutura e pra quase 9.000 pessoas nos deixou um pouco tensos e pensativos. Mas apesar de tudo, fizemos o nosso papel, mesmo sendo apenas 5 músicas.

MA: Turnês pelo Brasil. Algum plano já em vista?
RdO:
Sim, sim. Só não posso falar nada concreto, porque são só especulações. Agora, se rolar o convite pra algum festival no Sul/Sudeste, vamos aproveitar pra tocar na maior quantidade de lugares possível.

MA: O RdO se preocupa com o visual? De certa maneira, a banda entende que um estilo (composição visual) faz parte do complemento musical ou esta questão está longe de passar pela cabeça de vocês?
RdO:
Absolutamente! Acreditamos na arte como algo que afeta todos os sentidos, portanto o visual é uma preocupação forte nossa. Isso é facilmente visto no cuidado que temos com nossa identidade visual: um conceito que passa pela capa do disco, site, cartazes de shows, fotos de divulgação, clipe e, claro, roupa dos shows. Particularmente, roupa é uma paixão minha (Bárbara Jones). Desde o começo tentava fazer combinações dentro do que a gente tinha no guarda-roupa e de acordo com o show. Gosto de desenhar roupas e aos pouquinhos tô começando a colocar minhas idéias dentro da banda.

MA: Música pop e moda caminham sempre juntas, um exemplo seria o Daniel Belleza. O RdO imagina um caminho nesta linha?
RdO:
Gosto que a banda tenha seu estilo próprio, que a caracterize e que influencie as pessoas de uma forma ou de outra, mas naturalmente, por afinidades. Afinal, moda também é forma de comunicação e mostra um pouco do que somos. Mas não queremos que a banda tenha um apelo visual maior que o musical, até porque somos uma banda e nosso objeto de trabalho é a música.

MA: Se você fosse definir a moda da banda, o que você diria?
RdO:
Ela se parece com a nossa música, uma fusão do retrô com o moderno com uma pitada de infantil...

MA: Por fim, as músicas que consegui ouvir da banda (Sabe-tudo e Além da razão) são extremamente fortes no quesito pop e refrão. Esta é a verdadeira tônica de fazer música do RdO? Músicas que marcam pra valer?
RdO:
Como te disse, nós somos pop por natureza, então, acho que isso sempre estará presente em nosso som. Quanto a ter refrão forte ou não, é outra questão, porque nós também adoramos música sem refrão.


 
   
  (*) DANILO CORCI é formado em produção editoral pela USP, é editor do site Speculum.art.br 
 
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