Imagem de uma das campanhas de Donna Karan
DONNA KARAN, A ESTILISTA DA MULHER REAL

Por PATRÍCIA RODRIGUES*
(pdlrodrigues@uol.com.br)
Fotos: Divulgação
Com um olho nas ruas e outro nas mulheres comuns, Donna Karan tornou-se a primeira estilista norte-americana a influenciar o mundo com sua moda criativa e inovadora

Por que será que, em meio a tantos novos estilistas, Donna Karan continua sendo a queridinha de nove entre dez mulheres? A resposta parece ser simples: ela apostou nas mulheres comuns - nem tão altas nem tão magras como gostariam de ser -, mas que querem ser elegantes sem ter um corpo de modelo. "Todas nós queremos roupas de classe que vistam bem e, ao mesmo tempo, sejam confortáveis", explica ela. Não é de estranhar que sua fórmula dá certíssimo há duas décadas, com a adesão de mulheres urbanas e ativas que gostam do luxo discreto. Por isso, a "rainha da 7ª. Avenida" (ponto onde se concentram as principais grifes de Nova York) é considerada a mais importante estilista do sexo feminino, não só pela rápida ascensão, mas também pela inovação e impacto criados na moda norte-americana, reconhecidos por diversos prêmios do Council of Fashion Designer Awards of America.

Até mesmo para os que acreditam na corrente de que a verdadeira moda de qualidade vem dos ateliês europeus, a aceitação de Donna Karan é prova de que as idéias de moda também podem chegar dos Estados Unidos, podendo-se afirmar que ela se tornou a primeira estilista norte-americana a exercer uma considerável influência psicológica em âmbito mundial. Suas roupas representavam a variedade de movimentos culturais do fim dos anos 80 e início dos 90 e ela transformou o que era cult em cultura.

 

VÁRIOS PAPÉIS, UMA SÓ MODA
   
A estilista Donna Karan
   

O destino de Donna Karan estava mesmo ligado à moda. Filha de um dono de uma loja de roupas masculinas e de uma modelo e vendedora, essa nova-iorquina nascida em Queens como Donna Faske, em 1948, teve sua primeira experiência profissional ainda no colégio, durante as férias de verão, ao trabalhar com Liz Claiborne. Mais tarde, freqüentou a Parsons School of Design, de Nova York, e logo nas férias do segundo ano foi contratada para desenhar para Anne Klein, famosa estilista de sportswear. Formada, passou um ano no ateliê antes de ir trabalhar para a grife Addenda. Em 1968, voltou para a Klein e, após a morte de Anne, em 1974, Donna Karan e Louis Dell'Olio tornaram-se co-estilistas da companhia para terminar uma coleção incompleta.

Depois de 15 anos na Anne Klein, Donna sentiu o impulso de ter sua própria grife ao perceber sua dificuldade (e a de outras mulheres) para encontrar o que realmente precisava no guarda-roupa. "A idéia veio quando tentava limpar meu closet do excesso. Precisava tornar fácil a escolha de roupas pela manhã. Então, resolvi meu problema com o mínimo de peças coordenáveis de diversas maneiras", conta. Sua primeira coleção, de 1985, foi marcada por roupas destinadas a uma mulher competente, mas muito sensual, vestida de jérsei e de crepe de lã, com botas pesadas e jóias assinadas por Robert Lee Morris.
Ao se livrar dos excessos típicos dos anos 80 e direcionar sua produção para as mulheres comuns, Donna Karan descobriu o segredo do sucesso. "Para mim, desenhar é a expressão do que sou: mulher, mãe, amiga e personagem de negócios. Enfim, os muitos papéis que tento conciliar. As roupas têm de refletir a realidade. As mulheres estão muito ocupadas para qualquer outra coisa", afirma ela.

Como não poderia deixar de ser, a fórmula de valorizar os pontos positivos da silhueta feminina e de disfarçar os negativos deu certo e ela acabou estourando com um bodysuit preto, inicialmente com botões, para ser usado com calça, com saia, por baixo dos casacos ou sozinho. Era modelado segundo os princípios das peças capazes de firmar o corpo e corrigir as imperfeições. "Preto funciona", observa Donna Karan, "e ele é urbano, sofisticado. Enfeita, dá para ser usado a qualquer hora, sempre combina com tudo e nenhuma cor destaca tão bem as formas". Em seus conjuntos, o padrão do sportwear dos anos 40 ganhou um toque mais agressivo, sexy, de luta pelo poder em um mundo aberto até então apenas para os homens. A esse conceito aliou o uso de tecidos usáveis tanto durante o dia quanto à noite, como o jérsei de lã e a cashmere, seus prediletos. "O meu conceito de roupa global veste a mulher da pizza ao caviar".
Donna faz o gênero "só produzo aquilo em que acredito" e todas as suas linhas têm raízes em suas necessidades reais (jeans, para a filha e moda masculina, para o marido), a exemplo dos demais segmentos da companhia (sapatos, infantil, corpo, casa). "Faço roupas que eu, minha família e meus amigos gostariam de usar", diz ela. Mas com um diferencial fundamental para o sucesso: o corte simples e impecável que nos anos 90 resultava em peças já mais suaves, porém igualmente sensuais.

Como cria para a mulher urbana, dinâmica e vitoriosa, não poderia ter feito escolha melhor ao associar sua marca à cidade de Nova York, sua fonte de inspiração: em 1988, criou a etiqueta DKNY (iniciais de Donna Karan New York, dedicada a um público jovem, mais acessível). "A cidade atrai as pessoas mais fascinantes e criativas do mundo e que estão constantemente em transformação", adianta. Essa paixão de Donna Karan resultou também em um livro-catálogo, fotografado por Peter Lindbergh, com imagens de suas roupas mescladas às da cidade, cuja renda foi destinada a entidades que promovem campanhas contra a Aids.

A MARCA COMO NEGÓCIO

A grife tem mais de 2000 funcionários e lojas em diversos países, inclusive no Oriente. Donna Karan desenha oito coleções anuais para duas etiquetas. Seu nome está impresso em aproximadamente 200 itens, entre acessórios, roupas de cama, moda masculina e perfumes. A empresa está na lista das mais rentáveis, incluindo os faturamentos provenientes de licenças para produção de cosméticos, ao lado de Ralph Lauren, Calvin Klein, Tommy Hilfinger, Giorgio Armani e Versace.

Seu estilo urbano e acessível vestiu até a fashion doll Barbie (foto ao lado).
 
 
     
SETE PEÇAS QUE LEVAM A MULHER A QUELQUER LUGAR, SEGUNDO DK:
 
PARA SABER MAIS:


Blazer
Vestido reto
Impermeável (Trench-coat)
Bodysuit
Camisa branca
Calça de corte reto
Saia
Cardigã de cashmere
 
 
Donna Karan
Coleção Universo da Moda Autor: Ingrid Sischy
Ed.: Cosac & Naify

FRASES


"Seja honesta com você mesma e só use roupas com as quais se sinta bem."
"Quando eu desenho, penso sempre na mulher, nunca nas roupas."
"Toda mulher quer ser alta e magra, então eu arrumo as roupas para disfarçar as imperfeições, minhas e dos outros."
"Sempre haverá necessidade de uma moda esportiva e essencial. É assim que nos vestimos no dia-a-dia."
"Não colocaria minha marca em algo somente para gerar mais negócios."
"Não colocaria meu nome na parte de trás dos jeans. Cheguei a colocar o de Anne Klein, mais não me imagino andando nas ruas e vendo meu nome lá. Meu nome é particular!"
Imagem de uma das campanhas de sua segunda marca, a DKNY
 
Desfile Donna Karan outono/inverno 2004 na semana de moda de NY
Desfile Donna Karan outono/inverno 2004 na semana de moda de NY
Desfile DKNY outono/inverno 2004 na semana de moda de NY
Desfile DKNY outono/inverno 2004 na semana de moda de NY
 

*PATRÍCIA RODRIGUES é jornalista com experiência em revistas femininas. Trabalhou na Editora Abril (Manequim, Anamaria, Claudia e Nova) e especializou-se em textos do universo feminino, como moda, artesanato, decoração, culinária e saúde. Atualmente, é sócia da Bola Dentro, empresa que presta serviços editoriais ao mercado jornalístico e escreve para o site Moda Almanaque.

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