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VIVIENNE
WESTWOOD, AGENT PROVOCATEUR
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Ela
é considerada a estilista punk e acaba de ganhar uma retrospectiva
no museu Victoria & Albert de Londres
Por CLAUDIA GARCIA
Excêntrica, provocativa e irreverente, a estilista Vivienne
Westwood ficou popularmente conhecida como a estilista punk, aquela
que levou das ruas de Londres para as butiques a estética do
movimento, transformando o punk em moda.
Aos 63 anos de idade e 34 de carreira, a estilista britânica
está sendo homenageada com uma megaexposição
apresentada pelo Victoria & Albert Museum (Londres). É
a maior mostra dedicada a um designer de moda já realizada
pelo centro.
Desde sua primeira coleção, lançada em 1981,
o museu vem adquirindo peças da estilista para seu acervo.
Estão sendo mostradas, além de roupas de todas as épocas
da carreira de Vivianne Westwood, que começou em 1970 com sua
primeira loja em Londres, acessórios, sapatos, desenhos e vídeos.
A mostra vai até o dia 11 de julho e para saber mais visite
o site do museu: www.vam.ac.uk
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A ESTILISTA QUE TRANSFORMOU O PUNK EM MODA
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| Acima,
Vivienne Westwood em 1977 com visual punk e, abaixo, a
loja "Sex" |
Vivienne
nasceu em 1941, em Glossop, uma cidadezinha perto de Manchester,
na Inglaterra. De família de classe média, sua
mãe trabalhava em uma fábrica de algodão
e o pai pertencia a uma família de fabricantes de calçados.
Aos 17 anos, mudou-se para Londres e algum tempo depois passou
a dar aulas de inglês e casou-se com Derek Westwood, um
diretor de uma escola de dança, com quem teve seu primeiro
filho.
Influenciada talvez pelo clima rebelde e liberal do final dos
anos 60, a até então pacata mãe de família
terminou seu casamento e iniciou uma viagem por uma vida completamente
nova, pautada por muita polêmica e ousadia.
Vivienne conheceu Malcolm McLaren, que tornou-se rapidamente
seu segundo marido e um crítico do movimento flower power,
o qual considerava um movimento sem sentido e comercial.
Juntos, em 1970, buscaram nos anos 50 a inspiração
para a criação de sua primeira loja, chamada "Let
It Rock" e localizada no número 430 da Kings Road.
Lá, eles vendiam objetos e roupas que lembravam Elvis
Presley e o rock and roll original da época.
Com McLaren, a designer teve seu segundo filho, Joseph Corre,
que atualmente é dono de uma das lojas de lingerie mais
famosas de Londres, a Agent Provocateur.
A ex-professora de inglês começou então
a criar suas próprias roupas, pensando nos que vivem
à margem da sociedade, negros e rockers. Em 1972, a loja
passou a chamar-se "Too Fast to Live, Too Young to Die".
A ousadia de suas roupas começou a se destacar em peças
de couro, t-shirts com estampas eróticas, motivos africanos,
entre outros.
Com a polêmica criada, eles chegaram a ter problemas com
a justiça e, em reação, o nome da loja
mudou novamente, agora para "Sex", onde suas t-shirts
ganharam ainda mais ousadia com mensagens mais explícitas,
além de venderem objetos sadomasoquistas. Nesse período,
a borracha tornou-se a principal matéria-prima de suas
criações.
Vivienne Westwood se apresentava com roupas de couro, t-shirts
rasgadas (chamadas por ela de "catalyst-shirts") e
acessórios feitos de correntes e cadeados. Nascia aí
o conceito punk de se vestir.
O trabalho do casal começou realmente a se difundir quando
Vivienne criou um modelo novo, feito de borracha e vinil vermelhos.
Além disso, Malcolm era o produtor da banda punk mais
influente da época, os Sex Pistols, vestidos pela estilista.
Daí o fato de ser chamada de estilista punk até
hoje. Ela mesma afirma: "na época, não me
via como estilista. Procurávamos motivos de rebelião
para provocar o stablishment. O resultado dessa procura foi
a estética punk".
A
corte inglesa e o erótico
Como todo movimento, a cultura punk se diluiu com o passar do
tempo e quando o Sex Pistols acabaram, a estilista chegou a
pensar em desistir de sua carreira. No entanto, aquela que transformou
o punk em moda, partiu para outra viagem. Seu interesse se voltou
para a história do vestuário, especialmente as
indumentárias indígenas, rebeldes e piratas.
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| Primeira
coleção da estilista "Pirates"
(1981) |
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| Sapatos
plataforma que, em 1993, fizeram a top Naomi Campbell
cair na passarela |
Muito
de acordo com o momento em que viviam, a loja do casal MacLaren
passou a se chamar definitivamente "World's End",
onde o piso era inclinado, o relógio de entrada tinha
13 horas e os ponteiros moviam-se ao contrário.
Sua primeira coleção ("Pirates") apresentada
em um desfile aconteceu em 1981 e a reação do
público foi muito positiva. O Victoria & Albert adquiriu
um vestido, um colete e um chapéu, além de mais
30 peças da estilista para seu acervo.
Sua segunda coleção ("Nostalgia of Mud")
foi apresentada em 1982, em Paris, que desde Mary Quant não
abria suas portas a um criador inglês. Era também
o fim do casamento e da parceria entre Vivienne e Malcolm. Em
1983, a coleção "Witches" só
trazia a assinatura da estilista.
Durante os anos 80, ela passou a criar roupas cada vez mais
ligadas à história de outras épocas, rejeitando
por completo o estilo yuppie, principal referência da
chamada década perdida. Suas roupas tornaram-se exuberantes,
caras, com cores fortes e formas exageradas.
Em 1984, ela apresentou crinolinas mini, enchimentos nos seios
e nos quadris, além de enormes sapatos plataforma.
Em 1987, começou a criar espartilhos, que se tornaram
ícones de sua marca. Em 1990, na coleção
"Portrait", surgiram os mais célebres modelos
de espartilho que viria a criar, estampados com cenas do quadro
"Um Pastor Observa Uma Pastora Adormecida", de François
Boucher.
Nesse mesmo ano, ela apresentou sua primeira linha de roupas
masculinas, em Florença. Seu desejo era que o homem se
vestisse de forma atraente e erótica.
Em sua coleção de 1994, "Erotic Zones",
surgiram peças que deixavam o bumbum das modelos à
mostra e, em 1997, ironizando o traje típico escocês
masculino, criou roupas femininas sensuais e coquetes.
Seu interesse pelo estilo escocês a fez criar um padrão
que se tornou reconhecido oficialmente e tem o nome de Marc
Andréas, nome de seu atual marido, o qual conheceu quando
dava aulas na Academia de Artes Aplicadas de Viena no final
dos anos 80.
Ao
longo de sua carreira como estilista, Vivienne Westwood ganhou
diversos prêmios, entre eles o de designer do ano da Grã-Bretanha
em 1990 e 1991, além de ter sido nomeada membro de honra
do Royal College of Art.
Em sua última coleção, apresentada em março
deste ano, em Paris, mostrou um mix de peles, xadrez, botas,
malhas, muitas amarrações e sobreposições
com influências étnicas. Menos ousada? Talvez.
No entanto, Vivienne Westwood sempre foi considerada uma estilista
polêmica e se manteve como maldita, uma imagem de ovelha
negra que gosta de preservar.
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Savage
(prim/ver1982)
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Pagan I
(prim/ver1987)
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Civilizade
(prim/ver1989)
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Portrait
(out/inv1990/91)
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Dressing
Up
(out/inv1991/92)
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Cafe
Society
(prim/ver1994)
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Erotic
Zones
(prim/ver1995)
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Five
Centuries Ago
(out/inv1997/98)
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Gold
Label
(ou/.inv1999)
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Nymphs
(prim/ver2002)
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out/inv2004/05
masculino
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out/inv2004/05
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