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PIERRE
CARDIN: ESPÍRITO DE PIONEIRO
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Por PATRÍCIA RODRIGUES
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SAIBA
MAIS
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| Currículo
invejável |
Nem
de longe a fama de homem de negócios ofuscou o espírito
criativo de Pierre Cardin. Tem no currículo mais de 100 coleções
e só seu acervo pessoal na Avenue de Marigny, em Paris, conta
com mais de 4 000 modelos. Além de grande influenciador de
toda uma geração de estilistas, Cardin fez a moda literalmente
entrar para a História ao se tornar o primeiro costureiro a
integrar a Academia de Belas Artes da França, em 1992. Numa
época inconcebível, levou sua marca para países
comunistas como a ex-União Soviética (1993) e a China
(1979). Ganhou títulos como Oficial da Legião de Honra,
Grande Oficial da Ordem do Mérito da República Italiana
e embaixador da Unesco. Sua figura transcende o universo da moda:
sempre foi recebido em diversos países com honras de chefe
de estado por seu trabalho. Cardin foi ainda o primeiro estilista
francês (nascido italiano) a ser homenageado em vida por um
dos maiores museus de costumes, o Victoria & Albert, de Londres,
com a retrospectiva Pierre Cardin: Past, Present and Future, em 1991.
Nesse mesmo ano, ganhou o Prêmio Ascot Brun, o Oscar da Moda,
como o mais criativo do ano. Em 2002, comemorou 50 anos de carreira
com uma exposição em Tóquio.
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| Espírito
de pioneiro |
Aos 14 anos, Cardin já trabalhava como aprendiz de alfaiate
e, aos 18, cuidava dos serviços financeiros da Cruz Vermelha,
em Vichy, experiência que talvez tenha lhe rendido o tino comercial.
Filho de pais franceses, Pietro Cardin nasceu em 2 de julho de 1922,
num vilarejo em San Biagio Di Callalta, próximo a Veneza, Itália.
Mudou-se com a família aos dois anos para a França,
primeiro para Grenoble e depois para Saint-Étienne, na região
do Loire, onde foi criado. Chegou a Paris de bicicleta em 1944, depois
que - diz a lenda - uma cartomante teria dito que seu nome seria um
dos mais conhecidos do mundo.
Um ano depois, Cardin trabalhava na casa de alta-costura Paquin e
depois com Elza Schiaparelli. Nesse ambiente, conheceu Christian Bérard,
artista inspirador de diversos estilistas, e o cineasta Jean Cocteau,
para quem ele desenharia os figurinos do filme A Bela e a Fera (1946).
Trabalhou também para a Dior durante três anos e lá
viu nascer o símbolo do New Look, o primeiro tailleur basqué,
com casaquinho de cintura fina, da qual partia uma pequena basque.
Logo, em 1949, comprou a Pascaud, casa especializada em roupas teatrais,
e, um ano depois, apresentou sua primeira coleção de
alta-costura. Depois, inaugurou sua primeira butique feminina, Eve.
Em 1957, Cardin também revolucionou o conceito de moda masculina,
quando abriu a Adam, que o consagraria por seus ternos, elevados à
categoria de alta-costura. Nesse mesmo ano, fez sua primeira viagem
ao Japão e se tornou professor honorário da escola de
estilismo de Bunka Fukusoi, onde ensinava o corte tridimensional.
O sucesso fez com que a mesma escola criasse, em 1962, o prêmio
Pierre Cardin para o melhor designer do ano. Em 1977, recebeu o primeiro
de três Dedal de Ouro, prêmio dado à coleção
mais criativa da estação (os outros viriam em 1979 e
1982). |
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FRASES
DO ESTILISTA
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"É
a realização que me interessa, não a posse."
"Tenho tudo e só almejo continuar trabalhando."
"Uma vez Dior me disse: 'A criação deve ser bem
paga, e seu talento não tem preço'. Acabei esquecendo
o conselho, mas, mesmo assim, deu certo."
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