Por PATRÍCIA RODRIGUES
 
 
 
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UM HOMEM DE SEU TEMPO -E DO FUTURO TAMBÉM

Cardin trouxe para a moda uma leitura muito particular dos acontecimentos mundiais. Considerado futurista, o estilo de Cardin nos anos 60 previu muito do que seria a mulher dos anos 90. A conquista do espaço, por exemplo, ofereceu material de sobra para que criasse roupas de vinil, com detalhes metalizados, capacetes, blusas e macacões com mangas- morcego e calças justinhas, de malha e de couro. A Op Art também imprimiu em suas coleções os recortes geométricos, o traçado irregular, as estampas gráficas e as formas exageradas, como plissados gigantes e os vestidos e saias tipo bambolê. O espírito inovador também ampliou seu leque de atuação: em 1977, abriu uma galeria de móveis em Paris e, quatro anos depois, comprou a centenária marca dos restaurantes Maxim's, com filiais em diversos países - um dos poucos negócios que não levam seu nome..

Cardin no Brasil

Em 1994, Pierre Cardin esteve no Brasil pela segunda vez (a primeira foi em 1967, durante a 10ª Fenit) para a mostra Pierre Cardin: Passado, Presente e Futuro, exposta na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado), em São Paulo, com os 140 modelos mais importantes dos 40 anos de carreira. O cenário do designer brasileiro Ricardo Nauemberg tinha no chão 160 mil folhas de papel amassadas simbolizando croquis. Mais tarde, o trabalho foi levado para o L'Espace Cardin, em Paris, um complexo de teatro, restaurante e salão de exposições (a mostra também esteve no México, Canadá e Japão).
Durante essa visita, Cardin também lançou os perfumes Enigme e Rose e seu livro infantil, A Lenda do Bicho-da-Seda (Editora Paz e Terra), uma narrativa inspirada nos velhos contos chineses que recebeu o prêmio literário Saint- Exupéry de 1992.

 
PIERRE CARDIN, DÉCADA A DÉCADA
 
Anos 50
Alguma influência do New Look (estilo que valorizava as formas femininas, criado por Christian Dior, com quem Cardin trabalhou antes de ter sua marca). Fazia costuras amplas, como as saias-bolha e chemisiês desestruturados, com plissados, bainhas drapeadas e costas amplas.
Anos 60
Perucas coloridas, vestidos recortados, vestidos-tubo, tecidos sintéticos e colantes, bolsos chapados, enfeites metalizados, roupas espaciais brancas, leggings, minissaias, catsuits, mangas-morcego.
Anos 70
Cores ácidas, tecidos colantes, cardines (tecido sintético criado por Cardin), recortes, golas e barras em formato de pétalas, franjas, estilo militar, drapeados, vestidos com estampas gráficas inspiradas na era da informática, corte enviesado, barras irregulares, golas-capuz, túnicas e meias opacas.
 
 
 
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