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DIANA
VREELAND, A SACERDOTISA DA MODA
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Por HELOÍSA
NORONHA*
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| "Why
Don't You" - título da coluna assinada por
Diana Vreeland na Harper's Bazaar |
Ela praticamente inventou a carreira de editora de moda tal
qual a conhecemos hoje - uma profissional que, além de
informar as novidades, deve ter senso crítico e olhar
apurado para descobrir o que vai (ou não) ser tendência.
Diana Vreeland (1906-1989) ocupa merecidamente lugar de destaque
na história da moda por, entre outras coisas, ter transformado
a Vogue América na bíblia fashion mundial.
Dona de personalidade forte e gênio difícil, Diana
gostava de dar informações contraditórias
aos jornalistas que a entrevistavam - como a sobre sua origem.
Geralmente costumava dizer que havia nascido em Paris, mas em
outras ocasiões citava San Petersburgo.
De qualquer forma, seu sobrenome de solteira era Danziel e ela
se mudou para Nova York aos oito anos de idade. Teve uma infância
difícil, marcada por constantes críticas da mãe,
que a julgava feia e a comparava o tempo todo com a irmã.
De fato Diana Vreeland nunca foi nenhum exemplo de beleza. Talvez
por causa disso, exibia um visual um tanto exótico na
vida adulta, com direito a cabelos negros e batom e esmalte
vermelhíssimos, constrastando com a pele cheia de pó
de arroz. Usava, ainda, bijuterias enormes e extravagantes.
O complexo em relação à aparência
parou de incomodá-la quando conheceu o banqueiro Reed
Vreeland, que se tornaria seu marido. Passou o início
de sua vida de casada em Albany, Nova York. Em 1937 conheceu
num baile de gala Carmel Snow, outro grande nome fashion, que,
impressionada com seu estilo e carisma, a convidou para trabalhar
na Harper's Bazaar - na época dirigida por Carmel. Tornou-se
editora de moda em 1939. Fez um trabalho brilhante, substituindo
as damas da sociedade que posavam para as fotos por mulheres
realmente interessantes, dignas da admiração das
leitoras.
Só deixou a revista 25 anos depois, quando o empresário
Sam Newhouse comprou a editora Condé Nast e deu a Vogue
de presente para a mulher, que exigiu a contratação
de Diana para o cargo de diretora. Lá, também
mostrou um desempenho maravilhoso, transformando a revista num
verdadeiro ícone fashion, uma leitura obrigatória
para os amantes do assunto. Recebia um salário altíssimo
e tinha, além de um motorista para buscá-la em
casa todos os dias, crédito para comprar as roupas que
quisesse.
Diana
possuía uma capacidade incrível para descobrir
talentos e impulsionou a trajetória profissional de muitas
modelos e diversos fotógrafos e estilistas. Imortalizou,
por exemplo, a imagem de musas como Twiggy, Marisa Berenson,
Verushka e Lauren Hutton. Nos editoriais, sabia captar a beleza
de mulheres consideradas "esquisitas" - Barbra Streisand
e Anjelica Huston, por exemplo. Seu círculo de amizade
era bastante eclético: Rudolf Nureyev, Coco Chanel, Jackie
Kennedy, Andy Warhol...
Como chefe, no entanto, não era das mais fáceis.
Tinha fama de tirana e autoritária e comandava sua equipe
com mão de ferro. Adorava fazer drama por coisas pequenas
e quase levava os funcionários à loucura. Seu
escritório era vermelho vivo, mesma cor de seu apartamento
na Park Avenue. Seguindo a linha excêntrica, comia um
sanduíche de pasta de amendoim e tomava uma dose de uísque
na hora do almoço. Fumava muito, odiava reuniões,
as quais considerava inúteis, e dava ordens por meio
de telefones e memorandos ditados às assistentes. Aliás,
Diana instruía as funcionárias para que usassem
bijuterias barulhentas, de preferência com guizos, para
que soubesse sempre quando estavam por perto.
Durante seu comando na Bazaar, costumava afirmar sobre as leitoras:
"Sei o que elas vão usar, antes de elas usarem.
O que vão comer, antes de comerem. E até mesmo
para onde vão, antes mesmo de o lugar existir."
Foi demitida da Vogue em 1971 por excesso de criatividade -
e também por estourar o orçamento da revista.
À certa altura, equipes inteiras fotografavam em várias
partes do mundo. Sua saída teve doses de humilhação
e crueldade, porque todo mundo já sabia de sua demissão
antes do comunicado oficial. Passou seis meses viajando pelo
mundo, para espairecer, e nunca mais pisou no prédio
da Condé Nast.
No
mesmo ano tornou-se consultora do Costume Institute of the Metropolitan
Museum of New York, coordenando muitas das memoráveis
exposições de moda e estilo no museu, como a da
China Imperial e a dos figurinos de Hollywood. Viva, espirituosa,
sarcástica, madame Vreeland amava frases de efeito, como
"Dinheiro ajuda a tomar café na cama. Estilo ajuda
a descer uma escada". Outra célebre: "O biquíni
foi a invenção mais importante deste século
(20) depois da bomba atômica." E mais: "Tudo
o que digo é verdade. Ou quem sabe não?".
Seu fim, no entanto, não teve lá muito glamour.
Apesar de respeitada, era bastante criticada à frente
do Costume Institute, por mandar refazer roupas de época
e combiná-las com acessórios historicamente questionáveis.
Terminou seus dias quase sem dinheiro, porque nunca se preocupou
com o futuro. Passou seus últimos meses na cama, praticamente
cega, recebendo a visita diária do amigo André
Leon Talley (editor-adjunto da Vogue América), que lia
e lhe contava as novidades da cidade. Sobre a cegueira, corre
a lenda de que teria comentado, sarcasticamente: "Meus
olhos se cansaram de ver coisas bonitas."
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PARA SABER
MAIS:
No
site www.amazon.com
é possível comprar livros interessantíssimos
sobre Diana Vreeland. Os recomendados:
D.V. - autobiografia
Diana Vreeland - biografia escrita por Eleanor Dwight
A.L.T. - autobiografia de André Leon Talley, seu
melhor amigo
Allure - fotos de moda escolhidas por Diana
Diana Vreeland / Bazaar Years - um retrato da época
em que ela dirigia a Harper's Bazaar, escrito por John Esten
e Katherine Betts (ex-diretora da revista)
Visionaire 37: Vreeland Memos - edição
especial da revista moderninha Visionaire, traz os famosos bilhetinhos
de Diana para sua equipe |
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Caricatura
por David Levine
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| Fotografada
por Louise Dahl Wolf em 1941 |
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| Apartamento
de Diana em Park Avenue, Nova York |
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| Diana
em ação durante editorial em outubro de
1941 |
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Capa
produzida por Diana: modelo Ivy Nicholson, fotografada
por Louise Dahl Wolf, em abril de 1958
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