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15/04/05 - A declaração de Bárbara Heliodora
na orelha deste livro de Rosane Muniz não poderia ser mais
precisa: “Vestindo os nus” é uma obra que já
nasce original, sendo tão poucos os trabalhos sobre figurinos
no Brasil; no entanto, mesmo que assim não fosse, o livro
manteria sua originalidade. Trata-se, afinal, de um trabalho que
prima pela seriedade com que trata seu tema e pela profundidade
com que nele mergulha – e que, por isso mesmo, não
apenas realiza uma exposição panorâmica acerca
de como é concebido e produzido o figurino no Brasil, como
também nos dá os instrumentos necessários para
refletir sobre estas concepções e formas de produção.
Múltiplas abordagens, múltiplas conclusões
“Vestindo os nus” foi concebido, consoante a própria
autora, como um “livro-reportagem para registrar relatos e
histórias do figurino no Brasil”, o que faz com primor.
Rosane Muniz optou por tratar do figurino a partir de uma multiplicidade
de abordagens, como percebemos já pelo título dos
capítulos: “o figurino e a crítica”, “o
figurino e os atores”, “o figurino e a direção”.
Em cada um destes capítulos, a autora apresenta depoimentos
de eminentes personalidades dos campos em questão: lá
estão Sábato Magaldi, Alberto Guzik, Marco Nanini,
Marília Pêra, Aderbal Freire-Filho e Augusto Boal,
dentre outros. Como a autora opta, corretamente, por não
realizar juízos de valor, limitando-se a apresentar a pluralidade
de discursos recolhidos, ficamos diante de um interessante mosaico
de opiniões e concepções.
Isso, no entanto, é apenas um aperitivo. O prato principal
vem depois – e trata-se, na verdade, de um banquete: valiosas
entrevistas com alguns dos mais importantes figurinistas da história
do teatro brasileiro, como Gianni Ratto, Kalma Murtinho, Daniela
Thomas, Emília Duncan, Naum Alves de Souza e Samuel Abrantes,
dentre outros. A autora tem o cuidado de apresentar, antes de cada
entrevista, um breve currículo do figurinista entrevistado,
incluindo uma listagem das produções que contaram
com seus trabalhos; e de acrescentar, no fim do volume, fotos e
ilustrações que servem como uma amostra de seus trabalhos.
Desta forma, cada entrevista fica sendo, de fato, um pequeno recorte
biográfico: não se limitando a apresentar um depoimento,
na maioria dos casos Rosane Muniz consegue mostrar, mesmo que sucintamente,
como um figurinista chegou a ser quem ele é.
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